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Ortografia

Texto:
por: Vânia Maria do Nascimento Duarte

Um bom desempenho linguístico... requisito básico para a empregabilidade?










A forma correta de expressar-se também revela competência profissional


O sinal de pontuação ora atribuído ao título em evidência instiga-nos a uma reflexão acerca de um relevante assunto: a competividade que hoje impera no mercado de trabalho. Logo, a conclusão a que podemos chegar é, senão, esta: uma vez competitivo, revela-se também como exigente.

Mediante tal pressuposto, propomo-nos, veementemente, a afirmar sobre a importância de o profissional estar apto a enfrentar tais exigências. Trata-se de um conjunto de atitudes e posicionamentos imprescindíveis a um bom desempenho pessoal e profissional, que, no momento, seriam impossíveis de serem descritos em sua totalidade. Assim, com base nessa premissa, direcionemos nossa discussão focando na importância do bom desempenho linguístico (apesar do domínio de outras línguas fazer o diferencial no currículo), em que o correto “manejo” no que tange à língua materna tem se revelado como fator preponderante.

Atualmente, o que se percebe é que o Português Instrumental tem sido parte integrante das disciplinas ministradas em todos os cursos de graduação, dada essa necessidade. Dessa forma, a competência comunicativa começa a exercer seu poder de influência desde os mais tenros procedimentos burocráticos para se integrar a uma empresa, como é o caso da entrevista. Falando sobre ela, voltemos àquele conjunto de atitudes já mencionadas, e para sermos um tanto quanto precisos, citamos a forma pela qual nos expressamos por meio deste primeiro contato que, indubitavelmente, pode representar um passo decisivo para quem ora pleiteia a tão almejada vaga.

Indícios de um mau domínio vocabular podem significar verdadeiros entraves no tocante a algumas tarefas desempenhadas, como, por exemplo, dificuldade de relacionamentos com clientes, dificuldade em redigir um e-mail, um relatório, fazer apresentações orais, enfim, são distintas as situações nas quais a falta destas habilidades pode se manifestar.

Com base em tais pressupostos, o artigo em questão tem por objetivo priorizar aqueles considerados “desvios” que normalmente tendem a sobressair, sejam em circunstâncias comunicativas orais ou escritas. Para tanto, com vistas a proporcionar a devida orientação, analisemos algumas delas, assim evidenciadas:

* O uso do gerundismo configura uma recorrência bastante significativa. “Vamos estar transferindo”, “Vamos estar conferindo”, são hábitos que não soam bem, portanto, merecem ser banidos do nosso discurso. Por que não dizermos: vamos transferir? Com certeza denotará uma ideia mais precisa e segura;

* Prolixidade... como não evidenciá-la? Antes de tudo, para que a interlocução seja realizada de forma plausível, torna-se necessário que a mensagem esteja clara, objetiva e fluente. Sendo assim, é dispensável o emprego de repetições desnecessárias, mesmo porque as ideias deverão estar dispostas de forma coerente e harmoniosa;

* O emprego da crase – Devemos conscientizar-nos de que a crase se encontra ligada a condições predeterminadas de uso, tais como:

- Na indicação de horas. Ex.: Nós sairemos às duas horas.

- Antes de palavras que exigem a preposição – Ex.: Os documentos foram entregues à secretaria da escola. Neste caso devemos analisar a transitividade do verbo entregar, pois sempre entregamos algo a alguém.

Casos nos quais não se requisita o acento indicador:

- Antes de palavras masculinas – Ex.: Percorremos a pé.

- Antes de verbos – Ex.: Estou a pensar na proposta que me fizeste.

- Antes de pronomes de tratamento – Ex.: Pedimos a Vossa Excelência uma solução para o problema apontado.

* Incidências relacionadas com o verbo haver – Quando este representar impessoalidade, uma vez manifestada sob as seguintes circunstâncias:

- Indicando tempo decorrido: Há três meses não visito este cliente.

- Revelando o sentido de existir: Há recursos suficientes para a implantação deste sistema.

* O mesmo acontece com o verbo fazer, uma vez retratado somente na terceira pessoa do singular por indicar:

- Tempo decorrido. Ex.: Faz dias que enviamos todos os relatórios.

- Fenômeno climático. Ex.: Aqui faz bastante calor.

* Uso indevido da colocação pronominal – O uso da próclise, mesóclise e ênclise não poderá se efetivar de forma aleatória, pois obedece a determinados critérios. Analisemos, pois, algumas situações:

- Quando transferir-se de estabelecimento, nos avise (forma inadequada), pois o correto seria dizermos: Quando se transferir de estabelecimento, avise-nos. Neste exemplo temos um caso relacionado à próclise e à ênclise.

- Nós lhe entregaríamos todos os pedidos (forma inadequada), pois perante o padrão formal da linguagem, como se trata de um verbo expresso no futuro do pretérito, o que se recomenda é a mesóclise: Entregar-lhe-íamos todos os pedidos.

* Problemas relacionados ao uso da vírgula – Eis que devemos nos mostrar familiarizados mediante as circunstâncias que exigem ou não tal sinal de pontuação. Sendo que atitudes frequentes têm se manifestado por meio de verbos separados de seus complementos, bem como a vírgula separando o sujeito do predicado. Ex.:

- Todos os empregados, chegaram afoitos. (discurso inapropriado). O discurso, neste caso deveria ser assim reformulado: Todos os empregado chegaram afoitos.

- Acreditamos, em fraude por parte dos fornecedores. Neste caso, o complemento não deve ser separado do verbo acreditar. Portanto, o correto seria dizermos: Acreditamos em fraude por parte dos fornecedores.

Estas são algumas das ocorrências que se fazem presentes nas situações em discussão, precisando, portanto, serem reanalisadas por parte de muitos usuários, no intuito de que pelo menos um dos requisitos – aqui evidenciados – seja cotidianamente colocado em prática.