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Sintaxe

Texto:
por: Vânia Maria do Nascimento Duarte

Que: Conjunção Integrante ou Pronome Relativo?








Que: conjunção integrante ou pronome relativo?
Conjunção integrante ou pronome relativo? 

Muitas são as ocorrências linguísticas em que uma mesma palavra pode desempenhar funções morfológicas e sintáticas distintas. O que fazer diante de uma realidade como esta, sobre a qual nos propomos a discutir? O fato é que temos de ser hábeis para fazer a classificação correta, a fim de que possíveis equívocos não ocorram.

Partindo de tal prerrogativa, estabeleceremos as funções do pronome “que”, uma vez que ora ele exerce o papel de conjunção integrante, ora de pronome relativo. Nesse sentido, quais as diferenças que demarcariam ambas as posições? Procurando responder a essa questão, comecemos nossa análise, partindo, é claro, de exemplos práticos:

É necessário que você venha ao meu encontro.

Temos aqui um período composto, o qual se constitui de duas orações: uma principal – “é necessário”, e outra subordinada – “que você venha ao meu encontro”.

Ao fazermos aquela famosa pergunta ao verbo, temos: o que é necessário? Que você venha ao meu encontro.
O termo em destaque, portanto, funciona como o sujeito do verbo em questão (no caso, o verbo ser). Assim, por meio de tais indícios, constatamos que a segunda oração se revela como uma oração subordinada substantiva subjetiva.

Para descobrir se se trata de uma conjunção integrante (que) é só analisar que antes dele não há um substantivo (haja vista que “necessário” é a palavra que o antecede). Portanto, ele não faz o papel de substituto de nenhum termo.

Conclusão: nesse caso, o “que” se classifica como uma conjunção integrante, pois introduz uma oração subordinada substantiva (subjetiva).

Partamos para outro enunciado:

As palavras que foram rispidamente proferidas causaram aborrecimentos.

Novamente nos deparamos com um período composto: constituído por uma oração principal – “as palavras causaram aborrecimentos”, e uma oração subordinada adjetiva restritiva – “que foram rispidamente proferidas”.

Instiga-nos o seguinte questionamento: o “que”, dessa vez, será pronome relativo ou conjunção integrante?

É simples, basta analisar que antes dele há um substantivo (no caso, “as palavras”), e que ele faz a função de substituí-lo. Assim, de modo a tornar ainda mais prática nossa discussão: o pronome “que” pode perfeitamente ser substituído por “as quais”, ou seja:

As palavras as quais foram rispidamente proferidas causaram aborrecimentos.

Eis aí a conclusão: nesse caso, o “que” atua como pronome relativo.