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Estilos de Época

Texto:
por: Vânia Maria do Nascimento Duarte

O período pré-modernista








Euclides da Cunha, autor de Os Sertões
– representante pré-modernista

Em termos didáticos, a Literatura se compõe de fases, as quais recebem distintas denominações, isto é, escolas literárias, estéticas literárias, estilos de época, dentre outras. São períodos estritamente ligados a todo um contexto cultural, social, político e econômico que perfizeram a história da humanidade.

Desta feita, temos que os autores, artistas ímpares e jamais esquecidos, fizeram de sua arte uma representação da realidade de acordo com a época em que viveram. Todos eles delineados por um perfil próprio, como também imbuídos de uma ideologia a que lhes era peculiar, foram também influenciados por fatores externos, os quais anteriormente proferidos.

Por assim dizer, o chamado pré-modernismo não se conceitua como sendo uma estética definida, razão pela qual se difere das demais. Esse é considerado, mediante a concepção dos estudiosos, como um período de transição entre tendências antes vividas e aquelas que já deixavam “entoar” seus primeiros ecos de inovação. Inovação essa que, na maioria das vezes, retratava um instinto de liberdade, desprendimento das “amarras”, instituídas pela maioridade social ora dominante.

Tais tendências estão relacionadas àquelas que compreenderam o final do século XIX e o Modernismo (movimento que sucede essa transitoriedade), visto que um grupo de escritores já antecipava alguns dos pressupostos temáticos e formais que mais tarde revelariam a era moderna. Destacam-se eles: Augusto dos Anjos, Euclides da Cunha, Lima Barreto, Monteiro Lobato, Graça Aranha, dentre outros.

Contextualizando-nos ao “fator social” que condicionou o surgimento do período em questão, faremos uma breve retomada a alguns fatos históricos. Logo após a Proclamação da Independência, o Brasil foi presidido por dois presidentes militares – Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, ambos responsáveis por instalar o regime republicano. Essa fase ficou conhecida por República da Espada (1889 – 1894), a qual desencadeou duas grandes revoluções: a Revolta da Armada e a Revolução Federalista.

Encerrada a época desse mandato, em 1894, com a posse do então presidente paulista Prudente de Morais, inicia-se no Brasil uma nova fase: a chamada República das Oligarquias ou República Café-com-leite, composta por lideranças políticas de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. De modo evidente, todo esse poderio foi influenciado pelos grandes cafeicultores que fomentavam a economia circundante.

Em virtude dessa ascensão econômica vivida pelos estados do Sudeste e Sul, houve a migração de um significativo número de pessoas, em especial dos italianos, para atender à demanda da mão de obra, em detrimento do trabalho escravo.

Entretanto, surgia com isso uma verdadeira disparidade no cenário social: De um lado, notadamente havia duas regiões que cresciam de modo acentuado, e do outro, uma região marcada pelo declínio da atividade açucareira – a nordestina.

Todo esse contraste econômico serviu tão somente para acirrar o descontentamento da sociedade que, por sua vez, tão bem o revelou por meio dos conflitos que marcaram toda a história. Entre eles ressaltamos: A Revolta de Canudos, ocorrida no Ceará e liderada por Antônio Conselheiro; a Revolta da Vacina, instituída no Rio de Janeiro em 1904, em oposição à obrigatoriedade da vacina contra a varíola e febre amarela; e a Revolta da Chibata, em 1910, a qual exigia o fim dos castigos corporais aplicados aos integrantes da Marinha.

Mediante o exposto, sentimo-nos aptos a compreender as características que nortearam a arte literária, e que de forma sublime foi explicitada pelos representantes de nossas
letras de um modo geral.