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Estilos de Época

Texto:
por: Vânia Maria do Nascimento Duarte

Estilos de época








As correntes ideológicas estão condicionadas a um contexto social como um todo

Ao enfatizarmos sobre o referido tema, torna-se interessante ressaltarmos sobre o fato de que o meio social muito nos influencia no que se refere à nossa conduta enquanto membro de um determinado grupo. Um exemplo que explicitamente retrata tal afirmativa são as convenções sociais, associadas às intervenções da mídia, como é o caso do modismo ligado a todos os aspectos.

Dessa forma, situemo-nos ao campo das artes, em especial ao da Literatura, em que a base ideológica condizente às manifestações artísticas situa-se a um contexto político, econômico, social e histórico referente a uma determinada época. Portanto, a arte concebida como expressão da realidade revelada por um estado de espírito está condicionada a tais fatores externos.

É como se disséssemos que o Romantismo está diretamente ligado à Revolução Burguesa e Francesa, bem como o Realismo não se desassocia das lutas proletárias e das grandes transformações sociais advindas da segunda metade do século XIX.

Agora, quando nos referimos ao estilo, sabemos que mesmo nos colocando na condição de reféns dos ditames sociais, é fato que cada ser possui sua característica própria, como forma de internalizá-lo sob uma maneira mais individualizada. A exemplo de tal ocorrência, salienta-se para a questão de que cada autor, mesmo sendo compelido a um sistema de normas, padrões literários, vistos de maneira genérica, “arquiteta” sua criação artística de modo a conferir-lhe características próprias, tendo em vista sua visão de mundo.Assim sendo, torna-se perceptível sua magnífica engenhosidade ao trabalhar a linguagem de forma ímpar, aliando-a à intencionalidade discursiva por ele pretendida.

O olhar de cada artista é retratado de maneiras distintas, quando este, ao decodificar um determinado objeto, o faz de modo particular. Assim sendo, ao analisarmos o discurso em uma determinada obra, alguns pontos são extremamente pertinentes, como os recursos semânticos, fonéticos, e, sobretudo, a ideologia pela qual se pautou o referido escritor, tendo em vista a relação de influência exercida pelo meio com o qual compartilhou de suas experiências.


Tal afirmativa se atém às palavras do grandioso poeta modernista Manuel Bandeira ao postular que “o estilo não é o enfeite: o estilo nasce do caráter mesmo do escritor e é a marca da sua personalidade.”

Para melhor efetivarmos nossa compreensão acerca do que se trata, analisaremos duas produções artísticas produzidas em diferentes épocas:


Amor

Amemos! Quero de amor
Viver no teu coração!
Sofrer e amar essa dor
Que desmaia de paixão!
Na tu’alma, em teus encantos
E na tua palidez
E nos teus ardentes prantos
Suspirar de languidez!

Quero em teus lábios beber
Os teus amores do céu,
Quero em teu seio morrer
No enlevo do seio teu!

Quero viver d’esperança,
Quero tremer e sentir!
Na tua cheirosa trança
Quero sonhar e dormir!

Vem, anjo, minha donzela,
Minha’alma, meu coração!
Que noite, que noite bela!
Como é doce a viração!

E entre os suspiros do vento
Da noite ao mole frescor,
 Quero viver um momento,
Morrer contigo de amor!
Álvares de Azevedo
 
Não deixe o amor passar

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer
seu coração parar de funcionar por alguns segundos,
preste atenção: pode ser a pessoa
mais importante da sua vida.
Se os olhares se cruzarem e, neste momento,
houver o mesmo brilho intenso entre eles,
fique alerta: pode ser a pessoa que você está
esperando desde o dia em que nasceu.
Se o toque dos lábios for intenso,
se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem
d’água neste momento, perceba:
existe algo mágico entre vocês.
Se o primeiro e o último pensamento do seu dia
for essa pessoa, se a vontade de ficar
juntos chegar a apertar o coração, agradeça:
Deus te mandou um presente: O Amor.
Carlos Drummond de Andrade

Mediante a análise destas, percebemos que ambas tratam da mesma temática: o amor. Entretanto, para Álvares de Azevedo o amor é visto no plano dos sonhos, imaterial, no qual a forma onírica de retratá-lo corrobora em um sentimento de total pessimismo.

Já para Carlos Drummond, poeta modernista, o amor é materializado e concebido. Tal criação vista sob a ótica formal, diverge-se do estilo romântico de Álvares de Azevedo no que se refere ao estilo, mais precisamente na questão da predominância de versos sem rimas.