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Vanguardas Europeias

Texto:
por: Vânia Maria do Nascimento Duarte

Expressionismo, Dadaísmo e Surrealismo - Uma tríade vanguardista









O Grito, de Edvard Munch – arte expressionista

 
Expressionismo

O Expressionismo, ao contrário do Impressionismo, revela uma arte subjetiva, cujo objetivo do artista é materializar suas impressões “de dentro para fora”. Impressões estas relacionadas à sua insatisfação diante dos fatos que evidenciavam as mazelas da sociedade mediante o seu avanço industrial e sua influência sobre as relações humanas, sobretudo o poder de alienação exercida sobre o homem em consequência desta.

Pode-se dizer que a arte expressionista se caracteriza como uma estética representada pelo feio, o agressivo, posto o engajamento de seus representantes em revelar os traços sociais que eram preconizados, ou seja, de forma autenticamente realista. Os referidos traços diziam respeito a uma crítica ferrenha à burguesia vigente, retratando de modo veemente o estilo de vida e, sobretudo, o sofrimento imposto por ela às outras classes sociais, como, por exemplo, as mutilações causadas em decorrência da guerra.

Surgido no final do século XIX, na Alemanha, o Expressionismo foi considerado mais que uma forma de expressão: revelou-se como sendo uma atitude em prol dos valores humanos, haja vista que, no momento de sua difusão, tal preceito era totalmente destituído de valor, visto que as atenções estavam voltadas para interesses econômicos (disputa que ocasionou em sucessivas guerras). Entre seus precursores estavam Vincent Van Gogh, Érico Heckel, Francisco Marc, Paulo Klee, George Grosz, Max Beckmann, Pablo Picasso e Edvard Munch. Sem deixar de mencionar seus representantes também em solo brasileiro, entre eles: Cândido Portinari, retratando a migração do povo nordestino para as grandes cidades, Anita Malfatti, Lasar Segall e Osvaldo Goeldi (autor de diversas gravuras) e as peças teatrais de Nelson Rodrigues.

Não só na pintura, mas também no cinema, teatro e na literatura a arte expressionista se fez presente. Esta última se destacou pelas suas obras refletidas pela crise de consciência instaurada por um período demarcado pelas guerras.

 

Dadaísmo


A Fonte e Roda de Bicicleta, obras dadaístas de Marcel Duchamp

Atendo-nos às imagens ora descritas, notamos que se tratam de objetos corriqueiros, extraídos do cotidiano e, posteriormente, transformados em arte. Eis aí a característica norteadora de toda a arte dadaísta, dada a sua liberdade de criação. Tais objetos, destituídos de valor segundo a concepção do artista, tornam-se valorizados por meio de um único objetivo: o da contestação. Sendo assim, em virtude do contexto (período entre guerras), a arte precisava ser desmitificada e ridicularizada por meio da agressividade e irreverência. Numa prova desta liberdade, Tristan Tzara explica como surgiu o movimento: “Encontrei o nome por casualidade, inserindo uma espátula num tomo fechado do Petit Laorousse e lendo imediatamente, ao abri-lo, a primeira linha que me chamou a atenção: Dada. Meu propósito foi criar apenas uma palavra expressiva que através de sua magia fechasse todas as portas à compreensão e não fosse apenas mais um –ISMO”.

A linguagem, tida como inovadora e inusitada, propunha desmitificar toda forma de racionalização, bem como de valores ligados ao convencionalismo. Para tanto, os dadaístas destruíram a rima, o ritmo e o significado lógico das palavras, em virtude do clima de instabilidade ocasionado pelo medo e pela revolta diante dos fatos sociais.

Nascido em plena guerra, o Dadaísmo foi considerado o mais radical de todos os movimentos. Foi lançado em Zurique, em 1916, por meio de um manifesto assinado por Tristan Tzara, que mais tarde nos indica a receita de como fazermos um poema dadaísta:

Pegue um jornal.

Pegue a tesoura.

Escolha no jornal um artigo do tamanho que você deseja dar a seu poema.

Recorte o artigo.

Recorte em seguida com atenção algumas palavras que formam esse artigo e meta-as num saco.

Agite suavemente.

Tire em seguida cada pedaço um após o outro.

Copie conscienciosamente na ordem em que elas são tiradas do saco.

O poema se parecerá com você.

E ei-lo um escritor infinitamente original e de uma sensibilidade graciosa, ainda que incompreendido do público.
(Apud Gilberto Mendonça Teles, op. cit., p. 132)

Podemos também citar como representantes deste movimento, os pintores e escultores franceses Max Ernst e Francis Picabia, além de Tristan Tzara.


Surrealismo


Mulher com cabeça de rosas, de Salvador Dalí – pintura surrealista

Movimento surgido em 1924, na França, teve início com o Manifesto do Surrealismo, de André Breton. Extremamente influenciados pelos ideais freudianos, os representantes surrealistas valorizam a arte do inconsciente, partindo-se da livre associação de ideias, abnegadas de quaisquer resquícios de racionalidade.

Tais pressupostos relacionam-se à tradição romântica voltada para a subjetividade, como sendo uma espécie de contrarresposta aos preceitos dadaístas. Uma vez envoltos pelo niilismo e pela autodestruição, os representantes surrealistas concebiam que o instinto demolidor deveria ser apenas uma das etapas do processo criativo. Diante disso, objetivavam encontrar um caminho que proporcionasse o acesso às zonas profundas do psiquismo humano, procurando fundir imaginação, depositada no inconsciente, com a razão. Nesta junção do maravilhoso com o externo, temos aí o que se denomina de escrita automática, posto o livre arbítrio do artista em implantar uma literatura destituída de lógica e racionalidade.

Tanto nas telas, quanto nas letras, a arte surrealista perfez–se de impulsos criadores e inconscientes, tendo como principais representantes, André Breton, Louis Aragon e Antonin Artaud, Salvador Dalí e Joan Miró.