Você está aqui: Página Inicial » Literatura » Estilos de Época » Parnasianismo - A estética da “arte pela arte”

Estilos de Época

Texto:
por: Vânia Maria do Nascimento Duarte

Parnasianismo - A estética da “arte pela arte”








Representantes parnasianos – Olavo Bilac, Alberto de Oliveira e Raimundo Correia

Atendo-nos à complementaridade referente ao título, ora caracterizada pela expressão “arte pela arte”, temos a impressão de que a estética literária a que fazemos menção parece se divergir daquelas com as quais já estabelecemos uma certa familiaridade no que tange aos traços característicos.

Nosso conhecimento acerca das particularidades inerentes à arte literária nos revela que o “meio” externo também se tornou um fator que muito incidiu sobre o poder criador de todos os representantes de nossas letras. Fato é que tal exteriorização está intrinsecamente relacionada ao meio social como um todo, e esse, por sua vez, muito influenciou as correntes ideológicas de todos os tempos.

Mas agora voltando à divergência anteriormente mencionada, temos que as figuras artísticas da era parnasiana não se deixaram abater por causas externas. Uma vez pautadas sob uma ótica puramente neutra de capturar a realidade, cultuavam a poesia voltada para si mesma. Em meio a esse ínterim, instaurava-se todo um jogo de antissentimentalismo e, consequentemente, antirromantismo, pois pregavam o ideal de que tais peculiaridades acabam por comprometer a capacidade imaginativa, o profissionalismo poético do artista.

Com base nesses pressupostos, já temos a ideia de que a poesia parnasiana esteve arraigada por um rigor técnico. Foi justamente esse o traço marcante das representações artísticas parnasianas, pois o poeta se revela como um ser frio e indiferente às emoções. Assim sendo, a objetividade, o tecnicismo e a imparcialidade ocupam lugar de destaque.

Digamos que em virtude de todos esses pormenores, o Parnasianismo, esteticamente dizendo, foi uma retomada aos moldes ligados à Antiguidade Clássica. A começar pela nomenclatura (Parnasianismo), a qual se deve à publicação de coletânea Le parnasse contemporain, obra que preconizava a volta ao mundo grego no tocante à rima, métrica, impassibilidade nas descrições, como também no ideal de impessoalidade. Tendo como principais precursores: Théophile Gautier, Stéphane Mallarmé e Paul Verlaine.

Atendendo ao propósito de tornarmo-nos conhecedores autênticos sobre os aspectos que nortearam toda a era em voga, compartilharemos com algumas de suas relevantes características:

* O culto ao belo – Para os representantes parnasianos, a forma deveria sobrepor-se ao conteúdo, com vistas a alcançar, de modo efetivo, todo o rigor apurado e formal.

* O apego aos ideais clássicos – No intento de promover o universalismo temático, o poeta tende a revelar uma objetividade ao extremo, mantendo-se altivo, sereno e neutro às tentações mundanas.

* O preciosismo formal – Preconizavam um vocabulário voltado para a erudição, mesmo porque o referido posicionamento se fazia necessário para o alcance da “perfeição”.

* A valorização da forma clássica – Optavam pelo soneto (dois quartetos e dois tercetos), pelo verso decassílabo (dez sílabas poéticas) ou alexandrino (doze sílabas), pelas rimas ricas ou raras e, sobretudo, pela chave de ouro, ou seja, o verso que conclui o poema de forma magistral.

* A predominância de um recurso estilístico representado pelo hipérbato, que consiste na representação indireta dos elementos discursivos, visando à pomposidade, ao enobrecimento da linguagem propriamente dita.

Para “fechar com chave de ouro” os nossos conhecimentos teóricos, observemos uma criação poética representada pelo ilustríssimo Olavo Bilac:

Língua portuguesa

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...

Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: "meu filho!"
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

Olavo Bilac