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A LÍNGUA PORTUGUESA E O FUTEBOL
Prof. Luiz Gonzaga Pereira de Souza
Ao se deparar com este texto, o leitor, provavelmente,
ficará curioso e, creio eu, desejará imediatamente saber de que se
trata.
Quando estudo com os meus alunos análises SINTÁTICA
e MORFOLÓGICA, costumo, para elucidar melhor a matéria e
fazê-los compreender o assunto de uma vez por todas, aplicar uma
analogia entre o funcionamento de uma equipe de futebol dentro de
campo e o funcionamento das palavras dentro da oração. De que forma?
Acho melhor começar o assunto lembrando que o professor de
português, ao aplicar exercícios ou provas, tem por hábito sublinhar
um termo da oração e pedir ao aluno que identifique a sua função
sintática.
Exemplo: O Brasil
e a Venezuela são países da América do Sul.
Pergunta-se ao
aluno: Qual a função sintática do termo sublinhado?
1.
SUBSTANTIVO – A resposta está incorreta porque foi
informada a classe gramatical da palavra e não a função sintática
que o substantivo exerce na oração.
2. NÚCLEO DO PREDICATIVO DO SUJEITO. Aqui, sim, a resposta está correta porque
identifica a função que o substantivo exerce na oração.
Trata-se de assunto simples. Fazer análise MORFOLÓGICA
é informar a classe gramatical da palavra dentro da oração e, fazer
análise SINTÁTICA é informar a função exercida por uma das
classes gramaticais, dentro da oração. No exemplo supra,
identificamos, pois, a função que o substantivo países, uma
das dez classes gramaticais, exerce dentro da oração. Trata-se,
pois, de duas coisas bem distintas, mas muito ligadas.
Por enquanto nada esclareci a respeito do futebol. Agora,
sim, posso fazer a analogia a qual mencionei anteriormente,
elucidando as dúvidas, da seguinte forma:
-
Um time de
futebol de campo é composto de (11) onze jogadores. Cada
jogador tem o seu nome de batismo ou apelido. Exemplo: Dida,
Ronaldo, Ronaldinho, Kaká, Roberto Carlos, Zé Roberto, Lúcio,
Juan, Adriano, Kafu, Emerson.
Todos sabem que
cada um dos profissionais tem uma função dentro do campo: goleiro,
zagueiro, lateral, meio de campo, centro avante, etc.
Pode ocorrer que
um dos jogadores exerça outra função, que não seja a sua, deixando,
às vezes, de ser zagueiro para assumir a função de
lateral.
-
Na gramática
acontece algo muito parecido. Vejamos: As classes gramaticais, em
Português, são em número de (10) dez. O nosso time possui,
pois, um jogador a menos, não importa. Quais os nomes de nossos
jogadores: substantivo, adjetivo, advérbio, conjunção,
interjeição, preposição, numeral, pronome, verbo, artigo.
-
Cada um de
nossos jogadores gramaticais podem, em campo, ou seja, na oração,
desempenhar funções diferentes, como cada pessoa, no futebol. No
exemplo dado, naquela oração mencionada acima, o substantivo
países, nome do jogador = nome da classe gramatical, está
jogando na posição de núcleo do predicativo. Agora, veja
bem, o substantivo países (nosso jogador), na oração
abaixo, recebeu outra função no campo, em nosso caso, na oração:
Ex.: Os
maiores países da América do Sul são Brasil e Argentina.
Pergunta-se:
· Qual
a função sintática da palavra destacada?
--> Resposta: núcleo do sujeito.
· A
que classe gramatical ela pertence?
--> Resposta: substantivo.
Outros exemplos:
1.
Os
jogadores do Cruzeiro receberam uma boa recompensa do clube.
2.
Você conhece todos os jogadores do Cruzeiro?
Pergunta-se:
·
Qual a função sintática da palavra jogadores na primeira
oração?
-->
Resposta: Sujeito.
·
A que classe gramatical ela pertence?
-->
Resposta: substantivo
* * * *
·
Qual a função sintática a palavra destacada na segunda oração?
--> Resposta: núcleo do objeto direto.
·
A que classe gramatical ela pertence?
-->
Resposta: substantivo
Assim sendo, o
substantivo recebeu funções sintáticas diferentes nas duas
orações, da mesma forma que um jogador pode receber funções
diferentes em uma ou outra partida de futebol. Às vezes, quem sabe,
o técnico muda a função do jogador em um jogo contra outro time. Não
é verdade? Com o goleiro é mais difícil acontecer. Raramente ouvimos
dizer que um goleiro tornou-se centro-avante.
Esta comparação
tem como objetivo fazer com que os estudantes não confundam as
funções sintáticas e morfológicas nas orações. Espero que você, meu
atencioso leitor, tenha entendido a comparação e aprendido,
definitivamente, a fazer a análise sintática e morfológica,
promovendo a distinção entre uma e outra, conforme a comparação
apresentada acima.
Um grande abraço.
Prof. Luiz Gonzaga
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