Você está aqui: Página Inicial » Redação » Construção Textual » A produção textual - Uma análise discursiva

Construção Textual

Texto:
por: Vânia Maria do Nascimento Duarte

A produção textual - Uma análise discursiva








Redigir um texto parece, para muitos, um procedimento difícil... Concepção esta que, caso não seja aprimorada, acaba se tornando um estigma e, consequentemente, um entrave para o emissor no decorrer de sua trajetória cotidiana. O fato é que o ato da escrita requer do emissor determinadas habilidades que envolvem conhecimentos de forma específica.

Em uma primeira instância, reportamo-nos à ideia de que todo discurso tem um fim em si mesmo, ou seja, perfaz-se de uma intenção que se caracteriza de acordo com os objetivos que se deseja alcançar com a mensagem ora transmitida. Intenções essas materializadas sob a forma de um texto informativo, instrutivo, persuasivo, humorístico, didático, dentre outros. Desta feita, torna-se imprescindível que o emissor parta deste princípio: o que se busca mediante o trabalho com a linguagem?

Tais pressupostos tendem a se reafirmar quando comparados à fala de José Saramago: As palavras são apenas pedras a atravessar a corrente de um rio, se estão ali é para que possamos chegar à outra margem, a outra margem é o que importa.

Numa transcrição do metafórico para o sentido real, temos que “as pedras” que atravessam a corrente de um rio nada mais são que o acervo lexical que a língua nos proporciona e este acervo vai se incorporando ao nosso vocabulário à proporção que desenvolvemos o hábito de leitura. Mas elas não são suficientes para chegarmos “à outra margem do rio”, pois neste ínterim também estão correlacionados dois outros fatores de considerável relevância – os conhecimentos linguísticos (gramaticais) e o próprio conhecimento de mundo –, sendo que este último envolve o condicionante social, haja vista que para discorrermos acerca de um determinado assunto, temos que, necessariamente, elencar os argumentos que a ele faz referência.

Quando o autor nos revela que o foco principal é a “outra margem”, visto que somente ela é o que na verdade importa, essa margem nada mais é do que o texto propriamente dito. Mas quais os caminhos para se chegar a esse destino? Será o texto um emaranhado de ideias nas quais palavras se fundem formando um todo desconexo? Certamente que estamos convictos da não veracidade desta prerrogativa.

Um texto se constrói a partir da combinação perfeita entre as palavras, consequentemente dispostas em frases, períodos subsequentes e, por fim, manifestadas em parágrafos formados por um todo coeso, claro e coerente. Outro aspecto que aqui se evidencia é o fato de que constantemente o emissor precisa fazer uma releitura de sua produção, pois, no momento em que está redigindo não se atém para possíveis falhas que porventura incidam diretamente na qualidade da mensagem. Ao realizar tal procedimento, ele poderá acrescentar e/ou suprimir elementos, contribuindo assim para o aprimoramento da performance discursiva.