|
Ocorre
quando o verbo se flexiona para concordar com o seu sujeito.
Ex.: Ele gostava daquele seu jeito carinhoso de ser./
Eles gostavam daquele seu jeito carinhoso de ser.
Casos de concordância verbal:
1)
Sujeito simples
Regra
geral: o verbo concorda com o núcleo do sujeito em número e
pessoa.
Ex.: Nós
vamos ao cinema.
O verbo (vamos) está na primeira pessoa do plural para
concordar com o sujeito (nós).
Casos
especiais:
a) O sujeito é um coletivo- o verbo fica no singular.
Ex.:A multidão
gritou pelo rádio.
Se
o coletivo vier especificado, o verbo pode ficar no
singular ou ir para o plural.
Ex.: A multidão
de fãs gritou./ A multidão de fãs
gritaram. |
b)
Coletivos partitivos (metade, a maior parte, maioria,
etc.) – o verbo fica no singular ou vai para o plural.
Ex.: A maioria
dos alunos foi à excursão./ A maioria dos alunos foram à excursão.
c)
O sujeito é um pronome de tratamento- o verbo fica
sempre na 3ª pessoa (do singular ou do plural).
Ex.: Vossa Alteza pediu silêncio./ Vossas Altezas pediram
silêncio.
d)
O sujeito é o pronome relativo que – o verbo
concorda com o antecedente do pronome.
Ex.: Fui eu
que derramei o café./ Fomos nós
que derramamos o café.
e)
O sujeito é o pronome relativo quem- o verbo pode
ficar na 3ª pessoa do singular ou concordar com o antecedente
do pronome.
Ex.: Fui eu quem derramou o café./ Fui eu quem derramei o café.
f)
O sujeito é formado pelas expressões: alguns de nós,
poucos de vós, quais de ..., quantos de ..., etc.-
o verbo poderá concordar com o pronome interrogativo ou
indefinido ou com o pronome pessoal (nós ou vós).
Ex.: Quais
de vós me punirão?/ Quais de vós
me punireis?
Com
os pronomes interrogativos ou indefinidos no singular o
verbo concorda com eles em pessoa e número.
Ex.: Qual
de vós me punirá. |
g) O sujeito é formado de nomes que só aparecem no plural-
se o sujeito não vier precedido de artigo, o verbo ficará no singular. Caso venha antecipado de artigo, o verbo
concordará com o artigo.
Ex.: Estados Unidos é uma nação poderosa./ Os
Estados Unidos são a maior potência mundial.
h)
O sujeito é formado pelas expressões mais de um,
menos de dois, cerca de..., etc. – o verbo concorda com
o numeral.
Ex.: Mais de um aluno não compareceu à aula./
Mais de cinco alunos não compareceram à aula.
i)
O sujeito é constituído pelas expressões a maioria, a
maior parte, grande parte, etc.- o verbo poderá ser usado
no singular ( concordância lógica) ou no plural (concordância
atrativa).Ex.: A maioria
dos candidatos desistiu./ A maioria dos candidatos desistiram.
j)
O sujeito tiver por núcleo a palavra gente (sentido
coletivo)- o verbo poderá ser usado no singular ou plural se
este vier afastado do substantivo.
Ex.: A gente da cidade, temendo a violência da rua, permanece
em casa./ A gente da cidade, temendo a violência da
rua, permanecem em casa.
2)
Sujeito composto
Regra
geral: o verbo vai para o plural.
Ex.:
João
e Maria
foram passear no bosque.
Casos
especiais:
a)
Os núcleos do sujeito são constituídos de pessoas
gramaticais diferentes- o
verbo ficará no plural seguindo-se a ordem de prioridade: 1ª,
2ª e 3ª pessoa.
Ex.: Eu
(1ª pessoa) e ele (3ª pessoa) nos tornaremos
( 1ª pessoa plural) amigos.
O verbo ficou na 1ª pessoa porque esta tem prioridade sob a 3ª.
Ex: Tu
(2ª pessoa) e ele (3ª pessoa) vos tornareis
( 2ª pessoa do plural) amigos.
O verbo ficou na 2ª pessoa porque esta tem prioridade sob a 3ª.
No
caso acima, também é comum a concordância do verbo
com a terceira pessoa.
Ex.: Tu e ele se tornarão amigos.(3ª pessoa do
plural)
Se
o sujeito estiver posposto, permite-se também a concordância
por atração com o núcleo mais próximo do verbo.
Ex.: Irei eu
e minhas amigas.
|
b) Os
núcleos do sujeito estão coordenados assindeticamente ou
ligados por e - o verbo concordará com os dois núcleos.
Ex.: A jovem
e a sua amiga seguiram a pé.
Se
o sujeito estiver posposto, permite-se a concordância
por atração com o núcleo mais próximo do
verbo.
Ex.:
Seguiria a pé a jovem e a sua amiga. |
c) Os
núcleos do sujeito são sinônimos (ou quase) e estão no
singular - o verbo poderá ficar no plural (concordância lógica)
ou no singular (concordância atrativa).
Ex.: A angústia
e ansiedade não o ajudavam
a se concentrar./ A angústia e ansiedade
não o ajudava a se concentrar.
d)
Quando há gradação entre os núcleos- o verbo pode
concordar com todos os núcleos (lógica) ou apenas com o núcleo
mais próximo.
Ex.: Uma palavra,
um gesto, um olhar
bastavam./ Uma palavra, um gesto, um olhar bastava.
e)
Quando os sujeitos forem resumidos por nada, tudo,
ninguém... - o verbo concorda com o aposto resumidor.
Ex.: Os pedidos, as súplicas, o desespero,
nada o comoveu.
f)
Quando o sujeito for constituído pelas expressões um
e outro, nem um nem outro...- o verbo poderá ficar no
singular ou no plural.
Ex.: Um e outro já veio./ Um e outro já vieram.
g)
Quando os núcleos do sujeito estiverem ligados por ou-
o verbo irá para o singular quando a idéia for de exclusão
e plural quando for de inclusão.
Ex.: Pedro ou Antônio ganhará o prêmio. (exclusão)
A poluição sonora ou a poluição do ar são nocivas
ao homem. (adição, inclusão)
h)
Quando os sujeitos estiverem ligados pelas séries
correlativas (tanto...como/ assim...como/ não só...mas também,
etc.) - o mais comum é o verbo ir para o plural, embora o
singular seja aceitável se os núcleos estiverem no singular.
Ex.: Tanto Erundina
quanto Collor perderam as eleições
municipais em São Paulo./ Tanto Erundina quanto Collor perdeu as eleições
municipais em São Paulo.
Outros
casos:
1)
Partícula SE:
a-
Partícula apassivadora: o verbo ( transitivo direto)
concordará com o sujeito passivo.
Ex.: Vende-se carro./
Vendem-se carros.
b- Índice de indeterminação do sujeito: o verbo (transitivo
indireto) ficará obrigatoriamente no singular.
Ex.: Precisa-se de secretárias.
Confia-se em pessoas honestas.
2)
Verbos impessoais
São aqueles que não possuem sujeito, ficarão sempre na 3ª
pessoa do singular.
Ex.: Havia sérios problemas na cidade.
Fazia
quinze anos que ele havia parado de estudar.
Deve
haver sérios problemas na cidade.
Vai fazer quinze anos que ele parou de estudar.
Os
verbos auxiliares (deve, vai) acompanham os verbos
principais.
O
verbo existir não é impessoal. Veja:
Existem
sérios problemas na cidade.
Devem existir sérios problemas na cidade |
3)
Verbos dar, bater e soar
Quando usados na indicação de horas, têm sujeito (relógio,
hora, horas, badaladas...) e com ele devem concordar.
Ex.: O relógio
deu duas horas.
Deram
duas horas no relógio da estação.
Deu
uma hora
no relógio da estação.
O
sino
da igreja bateu cinco badaladas.
Bateram
cinco badaladas
no sino da igreja.
Soaram
dez badaladas
no relógio da escola.
4)
Sujeito oracional
Quando o sujeito é uma oração subordinada, o verbo da oração
principal fica na 3ª pessoa do singular.
Ex.: Ainda falta/ dar os últimos retoques na pintura.
5)
Concordância com o infinitivo
a)
Infinitivo pessoal e sujeito expresso na oração:
-
não
se flexiona o infinitivo se o sujeito for representado por
pronome pessoal oblíquo átono.
Ex.:
Esperei-as chegar.
-
é
facultativa a flexão do infinitivo se o sujeito não for
representado por pronome átono e se o verbo da oração
determinada pelo infinitivo for causativo (mandar, deixar,
fazer) ou sensitivo (ver, ouvir, sentir e sinônimos).
Ex.:
Mandei sair os alunos./Mandei saírem os alunos.
- flexiona-se
obrigatoriamente o infinitivo se o sujeito for diferente de
pronome átono e determinante de verbo não causativo nem
sensitivo.
Ex.:
Esperei saírem todos.
b)
Infinitivo pessoal e sujeito oculto
-
não se flexiona o infinitivo precedido de preposição com
valor de gerúndio.
Ex.:
Passamos horas a comentar o filme.(comentando)
-
é facultativa a flexão
do infinitivo quando seu sujeito for idêntico ao da oração
principal.
Ex.:
Antes de (tu)responder, (tu) lerás o texto./Antes de (tu
)responderes, (tu) lerás o texto.
-
é facultativa a flexão do infinitivo que tem seu sujeito
diferente do sujeito da oração principal e está indicado
por algum termo do contexto.
Ex.:
Ele nos deu o direito de contestar./Ele nos deu o direito de
contestarmos.
-
é obrigatória a flexão do infinitivo que tem seu sujeito
diferente do sujeito da oração principal e não está
indicado por nenhum termo no contexto.
Ex.:
Não sei como saiu sem notarem o fato.
c)
Quando o infinitivo pessoal está em uma locução
verbal
-
não
se flexiona o infinitivo sendo este o verbo principal da locução
verbal quando devida à ordem dos termos da oração sua ligação
com o verbo auxiliar for nítida.
Ex.:
Acabamos de fazer os exercícios.
- é
facultativa a flexão do infinitivo sendo este o verbo
principal da locução verbal, quando o verbo auxiliar estiver
afastado ou oculto.
Ex.:
Não devemos, depois de tantas provas de honestidade, duvidar
e reclamar dela./
Não devemos, depois de tantas provas de honestidade, duvidarmos
e reclamarmos dela.
6)
Concordância com o verbo ser:
a- Quando,
em predicados nominais, o sujeito for representado por um dos
pronomes TUDO, NADA, ISTO, ISSO, AQUILO: o verbo ser ou
parecer concordarão com o predicativo.
Ex.: Tudo são flores./Aquilo parecem ilusões.
Poderá
ser feita a concordância com o sujeito quando se quer
enfatizá-lo.
Ex.: Aquilo é sonhos vãos. |
b-
O verbo ser concordará com o predicativo quando o
sujeito for os pronomes interrogativos QUE ou QUEM.
Ex.: Que são gametas?/ Quem
foram os escolhidos?
c-
Em indicações de horas, datas, tempo, distância: a
concordância será com a expressão numérica
Ex.: São nove horas./ É
uma hora.
Em
indicações de datas, são aceitas as duas concordâncias
pois subentende-se a palavra dia.Ex.: Hoje são 24
de outubro./ Hoje é (dia) 24 de outubro.
|
d-
Quando o sujeito ou predicativo da oração for pronome
pessoal, a concordância se dará com o pronome.
Ex.: Aqui o presidente sou eu.
Se
os dois termos (sujeito e predicativo) forem pronomes, a
concordância será com o que aparece primeiro,
considerando o sujeito da oração.
Ex.: Eu não sou tu |
e-
Se o sujeito for pessoa, a concordância nunca se fará
com o predicativo.
Ex.: O menino era as esperanças da família.
f-
Nas locuções é pouco, é muito, é mais de, é
menos de junto a especificações
de preço, peso, quantidade, distância e etc, o verbo fica
sempre no singular.
Ex.: Cento e cinqüenta é pouco./ Cem metros é
muito.
g-
Nas expressões do tipo ser preciso, ser necessário,
ser bom o verbo e o adjetivo podem ficar invariáveis,
(verbo na 3ª pessoa do singular e adjetivo no masculino
singular) ou concordar com o sujeito posposto.
Ex.: É necessário aqueles materiais./ São necessários
aqueles materiais.
h-
Na expressão é que, usada como expletivo, se o
sujeito da oração não aparecer entre o verbo ser e o que,
ficará invariável.Se aparecer, o verbo concordará com o
sujeito.
Ex.: Eles é que sempre chegam atrasados./ São eles
que sempre chegam atrasados.
|