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Morfologia

Texto:
por: Vânia Maria do Nascimento Duarte

O modo subjuntivo








O modo subjuntivo expressa ideia de dúvida, incerteza
O modo subjuntivo expressa ideia de dúvida, incerteza

O modo subjuntivo retrata uma das muitas peculiaridades que norteiam a classe gramatical ora representada pelos verbos. Tal classe, em virtude da significativa complexidade que a norteia, muitas vezes se torna alvo de questionamentos, bem como de possíveis desvios cometidos por parte de alguns usuários.

Dadas tais ocorrências, sobretudo aquela demarcada pelos inevitáveis desvios, o artigo em questão tem por finalidade apontar o uso indevido das formas verbais, quando a ideia nelas retratadas faz referência a uma probabilidade, dúvida, incerteza – aspectos esses que tão bem representam o modo em foco (o subjuntivo).

Assim sendo, no intento de ilustrarmos bem o que estamos afirmando, vamos analisar uma conhecida letra musical, sob a autoria de Cássia Eller, intitulada “Malandragem”. Vejamos, pois, alguns fragmentos:

Malandragem

Quem sabe eu ainda
Sou uma garotinha
Esperando o ônibus
Da escola, sozinha...

Cansada com minhas
Meias três quartos
Rezando baixo
Pelos cantos
Por ser uma menina má...

Quem sabe o príncipe
Virou um chato
Que vive dando
No meu saco
Quem sabe a vida
É não sonhar...
[...]

Fazendo referência aos dois primeiros versos, ora retratados por “Quem sabe eu ainda/Sou uma garotinha ... ”, percebe-se que no segundo verso há uma forma verbal inadequada, tendo em vista a ideia expressa – demarcada por uma explícita incerteza: Quem sabe...

Estamos diante do modo subjuntivo, o qual se caracteriza pelos pormenores anteriormente citados: dúvida, incerteza. Assim sendo, o discurso, em se tratando do moldes preconizados pela gramática, teria de ser reformulado, tornando-se assim expresso:

Quem sabe eu ainda seja uma garotinha...

Contudo, resta-nos compreender que mesmo que tal ocorrência se manifeste, temos o que chamamos de “licença poética” – aquela concedida ao artista, ao poeta, com vistas a conferir melodia, harmonia à sua criação, mesmo que isso transgrida as normas gramaticais.

Mas quando o assunto fizer referência a situações linguísticas normais, comuns, sobretudo em se tratando da modalidade escrita da linguagem, é sempre bom tomar cuidado e ter consciência de que conhecer os fatos linguísticos nessas horas é fundamental.