Você está aqui: Página Inicial » Gramática » Ortografia » Usos de “Onde” e “Aonde”

Ortografia

Texto:
por: Mayra Gabriella de Rezende Pavan

Usos de “Onde” e “Aonde”


“Onde” e “Aonde” indicam lugar, entretanto, não podem ser utilizados no mesmo contexto, pois indicam, respectivamente, localização e movimento.





Para não errar, o ideal é entender quando usar onde e aonde, pois um deve ser usado no sentido de localização, e o outro, no de movimento
Para não errar, o ideal é entender quando usar onde e aonde, pois um deve ser usado no sentido de localização, e o outro, no de movimento



Muitas palavras ou expressões da Língua Portuguesa causam dúvidas ao falante, “onde” e “aonde” são exemplos disso. Isso acontece porque a língua coloquial é uma variante espontânea, que não se detém ao uso das regras, sendo utilizada em situações informais.

Quando o contexto pede formalidade, seja na escrita ou na fala, o adequado é usar a língua culta, que é regida pela gramática normativa (padrão da língua). Entretanto, muitas pessoas desconhecem as regras da norma culta e, por isso, utilizam onde e aonde sem o menor critério. Sendo assim, para não ocorrer “problema”, é preciso conhecer as regras para poder utilizá-las.

Onde e aonde são palavras que indicam lugar, entretanto, é preciso entender algumas particularidades. Acompanhe:

1 - Onde: pode ser pronome relativo (quando introduz uma oração subordinada adjetiva) ou advérbio interrogativo (frases interrogativas). Em ambos os casos, indica localização. Entretanto, quando for pronome relativo, poderá ser substituído por “em que”, o que não acontece quando é um advérbio. Além disso, quando for pronome relativo, fará parte de um período composto, ou seja, terá pelo menos duas orações, já que as orações adjetivas compõem um dos tipos do período composto por subordinação;

2 - A função sintática do relativo “onde” é sempre de adjunto adverbial de lugar, portanto, muito cuidado com o uso indiscriminado dessa palavra. É um absurdo, mas ela é tida como “coringa” para muitos, quando não se sabe que relativo utilizar, eis que surge a “palavrinha mágica”, como se essa possuísse múltiplas funções. Cuidado! Atente para isso, sua função é de adjunto adverbial de lugar, portanto, só deve ser utilizada nesse caso;

3 -  Os verbos que devem ser utilizados ao lado da palavra “onde” ou no contexto em que esse termo aparece são os que indicam estado ou permanência. Veja alguns exemplos:

  • Não sei onde estou.
  • Moro na rua onde fica o SAMU.
  • Onde coloquei o celular?

4 - Aonde é um advérbio, entretanto não deve ser utilizado quando a ideia for de lugar, no sentido de localização, mas quando transmitir a ideia de movimento.  Portanto, preste atenção aos verbos, pois os que indicam movimento, tais como: ir, chegar, dirigir, entre outros, pedem o uso de “aonde”.

A gramática normativa orienta o uso de “onde” e de “aonde” conforme descrito acima, entretanto, na linguagem coloquial, não há essa preocupação e essas palavras são usadas na maioria das vezes como sinônimas.  A seguir, acompanhe três estrofes da música “Onde você mora” cantada pelo grupo Cidade Negra e perceba como o advérbio foi utilizado.

“Cê vai chegar em casa
Eu quero abrir a porta
Aonde você mora?
Aonde você foi morar?
Aonde foi?

Não quero estar de fora
Aonde está você?
Eu tive que ir embora
Mesmo querendo ficar
Agora eu sei

Eu sei que eu fui embora
Agora eu quero você
De volta pra mim”

Na canção, o eu-lírico (a voz que fala no poema), depois de abandonar o ser amado, percebeu o erro que cometeu, querendo-o de volta. Como não sabe de seu paradeiro, ele começa a se perguntar, utilizando várias vezes o advérbio “aonde”. Como foi explicado, de acordo com a gramática normativa, não se utiliza “aonde” junto a verbos que indiquem localização ou permanência (o verbo morar deve ser incluído à lista).

Analisando a canção tendo como guia a norma culta, percebe-se que houve transgressão, entretanto, linguisticamente, não houve, já que a linguagem utilizada é a coloquial e o contexto é informal. Alguns podem pensar que sendo assim não há necessidade de conhecer a regra. Cuidado! Lembre-se de que transgredir por opção é diferente de transgressão por desconhecimento, ou seja, conhecer as regras é imprescindível, porque só assim o falante será livre para escolher utilizá-las ou não, dependendo do contexto, do interlocutor, da intenção etc.