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Morfologia

Texto:
por: Vânia Maria do Nascimento Duarte

Gerúndio... Gerundismo? Uma análise linguística








Uma forma nominal entrecruzando-se com um modismo vocabular... Não é mesmo que esta “onda” já pegou? Tal ocorrência revela somente mais um dos hábitos a que os falantes se apegam sem ao menos se dar conta de que, perante o padrão formal da linguagem, são tidos como errôneos.

Abnegando-se de quaisquer intenções de natureza categórica, há que se mencionar que este “fenômeno” se evidencia em várias esferas da sociedade, seja em instituições bancárias, empresariais, educacionais, nas conversas proferidas ao telefone, naquelas informais do dia a dia, e acredite... até mesmo nas formais, mais precisamente na escrita...

Situações corriqueiras como:

Mas afinal, onde reside a incoerência?

O fato é que precisamos estar cientes de que o gerúndio se caracteriza como uma forma nominal aplicável em várias circunstâncias, desde que condizente como tal, ou seja, para expressar uma ação em curso ou uma ação simultânea a outra, ou para exprimir a ideia de progressão indefinida. Portanto, os presentes enunciados carecem de uma reformulação, cuja maneira assim se evidenciaria:

Desta forma, ao fazer uso do gerundismo, a ideia expressa pelo falante não se revela pela noção de simultaneidade, mas sim pelo fato de denotar uma ação específica, na qual esta continuidade torna-se desprezível, como em: “Vou estar transferindo”. “Vou transferir” retrata uma ação que vai ocorrer deste momento em diante, enquanto que dito de outra forma (Vou estar transferindo) se refere a um futuro em andamento – daí a recusa da “permanência no tempo” (continuidade).

Diante de tais pressupostos, torna-se essencial que entendamos acerca das características às quais o gerúndio se refere, uma vez que se trata de uma forma nominal constituída por um verbo auxiliar (ser, estar, dentre outros) acrescido de um outro verbo cuja terminação se define por -NDO. Tornando-se viável mediante enunciados semelhantes a:

É bem provável que amanhã estará chovendo, razão pela qual não iremos à praia.

Andam dizendo por aí que não mais voltarei, enganam-se por demais.

O tempo ia passando e nada de encontrarmos solução para aquele problema.

Aos poucos você vai se acostumando com a ideia de perdê-lo.