Vinicius de Moraes

Por Warley Souza

Vinicius de Moraes é um poeta da segunda geração do modernismo brasileiro. Porém, ele é mais conhecido pelo seu trabalho como cantor e compositor de bossa-nova.

Vinicius de Moraes, em 1970.
Vinicius de Moraes, em 1970.

Vinicius de Moraes nasceu em 19 de outubro de 1913, na cidade do Rio de Janeiro. Mais tarde, fez faculdade de Direito, atuou como diplomata, escreveu peças de teatro, crônicas, poesias e foi um dos criadores da bossa-nova. Além disso, escreveu canções em parceria com grandes artistas, como Tom Jobim e Toquinho.

O poeta, que faleceu em 9 de julho de 1980, no Rio de Janeiro, faz parte da segunda geração do modernismo brasileiro. Suas obras apresentam traços simbolistas, elementos do cotidiano e temática amorosa. Porém, o artista é mais conhecido por suas canções, tais como Chega de saudade e Eu sei que vou te amar.

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Biografia de Vinicius de Moraes

Vinicius de Moraes nasceu em 19 de outubro de 1913, na cidade do Rio de Janeiro. Quatro anos depois, iniciou seus estudos primários na escola Afrânio Peixoto, no bairro de Botafogo, onde morava. Já em 1920, por vontade de seu avô materno, o poeta foi batizado na maçonaria.

Após residir em vários endereços do bairro de Botafogo, a família do escritor se mudou para a Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio de Janeiro, em 1922. Mas, dois anos depois, o poeta começou o curso secundário no Colégio Santo Inácio, em Botafogo, onde passou a morar com os avós paternos.

Em 1929, Vinicius terminou o curso secundário e voltou a viver novamente com os pais, agora no Jardim Botânico. No ano seguinte, ingressou na Faculdade de Direito e concluiu o curso em 1933, ano em que publicou seu primeiro livro de poesias — O caminho para a distância.

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Dois anos depois, em 1935, recebeu o prêmio Felipe d’Oliveira pela publicação de seu segundo livro — Forma e exegese. Já em 1938, o autor ganhou uma bolsa para estudar literatura inglesa na Universidade de Oxford, na Inglaterra. Porém, em 1939, por causa da Segunda Guerra Mundial, ele e sua esposa, Tati de Moraes (1911-1995), tiveram que voltar para o Brasil.

No ano de 1941, o escritor passou a fazer crítica de cinema para o jornal A Manhã. No ano seguinte, viajou ao Nordeste, onde presenciou a realidade miserável da região e, a partir de então, se tornou um artista de esquerda. Já em 1943, começou sua carreira diplomática ao ser aprovado em concurso do Itamaraty, o que não o impediu de dirigir o suplemento literário do periódico O Jornal, em 1944.

Quando viajava, em 1945, para Buenos Aires, em companhia de alguns amigos, sofreu um acidente de avião, mas sobreviveu. Em 1946, ocupou o cargo de vice-cônsul em Los Angeles, nos Estados Unidos. Voltou ao Brasil cinco anos depois, em 1951, e foi morar com sua nova esposa — Lila Bôscoli —, no Rio de Janeiro, onde Vinicius escrevia crônicas para o jornal Última Hora.

No final de 1953, foi nomeado para trabalhar na embaixada do Brasil em Paris. Quatro anos depois, em 1957, foi transferido para a embaixada do Brasil no Uruguai. Então, mudou-se para Montevidéu, no ano seguinte, ao lado de Maria Lúcia Proença, seu novo relacionamento. Já em 1963, retornou a Paris, ao lado de sua nova companheira, Nelita de Abreu Rocha, para trabalhar na delegação do Brasil na Unesco.

No ano seguinte, após o golpe militar, retornou ao seu país natal. Em 1969, foi exonerado do seu cargo no Itamaraty pelo governo militar. Nesse mesmo ano, estava em um novo relacionamento e, portanto, passou a morar com Christina Gurjão. Já em 1970, Gesse Gessy, sua nova companheira, apresentou o cantor ao candomblé.

Durante esse período, Vinicius de Morais passou a fazer mais e mais shows, até que morreu, em 9 de julho de 1980, no Rio de Janeiro, quando vivia com Gilda Mattoso, sua última esposa. Ele entrou para a história da música brasileira como um dos inventores da bossa-nova.

Vale dizer que a maioria de suas canções foi composta em parceria com outros artistas, como:

  • Adoniran Barbosa (1912-1982);

  • Alaíde Costa;

  • Antônio Madureira;

  • Antônio Maria (1921-1964);

  • Ary Barroso (1903-1964);

  • Azeitona;

  • Baden Powell (1937-2000);

  • Carlos Lyra;

  • Chico Buarque;

  • Claudio Santoro (1919-1989);

  • Edu Lobo;

  • Fagner;

  • Francis Hime;

  • Francisco Enoé;

  • Garoto (1915-1955);

  • Haroldo Tapajós (1915-1994);

  • Ian Guest;

  • Jards Macalé;

  • João Bosco;

  • Marília Medalha;

  • Moacir Santos (1926-2006);

  • Mutinho;

  • Nilo Queiroz;

  • Paulo Soledade (1919-1999;

  • Paulo Tapajós (1913-1990);

  • Pixinguinha (1897-1973);

  • Tom Jobim (1927-1994);

  • Toquinho;

  • Vadico (1910-1962).

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Características da obra de Vinicius de Moraes

Vinicius de Moraes é um autor da segunda geração do modernismo brasileiro, e suas obras apresentam as seguintes características:

  • angústia existencial;

  • conflito espiritual;

  • crítica sociopolítica;

  • liberdade formal;

  • reflexão sobre a contemporaneidade.

No entanto, as obras do poeta apresentam peculiaridades como:

  • traços simbolistas;

  • temas religiosos;

  • elementos do cotidiano;

  • temática amorosa;

  • uso de antíteses;

  • estrutura de soneto.

Obras de Vinicius de Moraes

Capa do livro Orfeu da Conceição, de Vinicius de Moraes, publicado pela editora Companhia das Letras. [1]
Capa do livro Orfeu da Conceição, de Vinicius de Moraes, publicado pela editora Companhia das Letras. [1]

Poesia

  • O caminho para a distância (1933)

  • Forma e exegese (1935)

  • Ariana, a mulher (1936)

  • Novos poemas (1938)

  • Cinco elegias (1943)

  • Poemas, sonetos e baladas (1946)

  • Pátria minha (1949)

  • Antologia poética (1954)

  • Livro de sonetos (1957)

  • Novos poemas II (1959)

  • O mergulhador (1968)

  • A arca de Noé (1970)

  • Poemas esparsos (2008)

Principais músicas

  • A casa (Sergio Bardotti, Sergio Endrigo e Vinicius de Moraes)

  • A felicidade (Tom Jobim e Vinicius de Moraes)

  • A rosa de Hiroshima (Vinicius de Moraes)

  • A tonga da mironga do kabuletê (Toquinho e Vinicius de Moraes)

  • Aquarela (Guido Morra, Maurizio Frabizio, Toquinho e Vinicius de Moraes)

  • Arrastão (Edu Lobo e Vinicius de Moraes)

  • Chega de saudade (Tom Jobim e Vinicius de Moraes)

  • Eu sei que vou te amar (Tom Jobim e Vinicius de Moraes)

  • Garota de Ipanema (Tom Jobim e Vinicius de Moraes)

  • Onde anda você (Hermano Silva e Vinicius de Moraes)

  • Pela luz dos olhos teus (Vinicius de Moraes)

  • Se todos fossem iguais a você (Tom Jobim e Vinicius de Moraes)

  • Tarde em Itapuã (Toquinho e Vinicius de Moraes)

Teatro

  • Orfeu da Conceição (1956)

  • As feras (1961)

  • Procura-se uma rosa (1961)

  • Cordélia e o peregrino (1965)

Crônica

  • Para viver um grande amor (1962)

  • Para uma menina com uma flor (1966)

Adaptação para o cinema

  • Orfeu negro (1959) — dirigido pelo francês Marcel Camus (1912-1982) e vencedor da Palma de Ouro, no festival de Cannes, em 1959, e do Oscar, em 1960.

  • Garota de Ipanema (1967) — dirigido por Leon Hirszman (1937-1987).

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Frases de Vinicius de Moraes

A seguir, vamos ler algumas frases de Vinicius de Moraes, retiradas de seu livro Para viver um grande amor:

“Com o avançar dos anos e o aproximar da morte, vão os homens fechando portas atrás de si.”

“Assim é a mocidade — ínscia, cruel e gulosa em seus apetites.”

“No seio mesmo da tragédia sinto o fermento da meditação crescer.”

“Poderosos artistas surgirão das ruínas ainda não reconstruídas do mundo para cantar e contar a beleza e reconstruí-lo livre.”

“Só a poesia pode salvar o mundo de amanhã.”

“Sofre ainda o mundo de tirania e de opressão, da riqueza de alguns para a miséria de muitos, da arrogância de certos para a humilhação de quase todos.”

Créditos da imagem

[1] Companhia das Letras (reprodução) 

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