Aspas
As aspas são um sinal de pontuação. Elas são usadas, principalmente, para destacar citação, estrangeirismo e gíria. Existem tanto aspas duplas [ ” ] quanto simples [ ’ ].
Por Warley Souza
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Aspas é um sinal gráfico. As aspas duplas [ ” ] são usadas para destacar citação, estrangeirismo, neologismo, gíria, palavra escrita ou dita contrariando a norma culta, expressão qualquer, termo com sentido aproximado de outro termo, título de livro ou filme, nome de jornal ou revista.
Já as aspas simples [ ’ ] têm as mesmas funções das aspas duplas. Porém, só devem ser usadas no interior de frase ou expressão que já está entre aspas duplas. Por exemplo: A professora falou o seguinte: “A frase ‘Penso, logo existo’, de Descartes, é muito famosa”. Assim, não confundimos as aspas e sabemos onde cada uma começa e termina.
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Resumo sobre aspas
- Aspas é como chamamos este sinal gráfico que está entre colchetes: [ ” ].
- Usamos aspas para destacar um(a):
- citação: Segundo o autor, “o conhecimento deve ser valorizado”;
- estrangeirismo: Seu “smartphone” quebrou;
- neologismo: A formiga “formigou” como de costume;
- gíria: Ai, minha mãe é tão “cringe”!;
- termo incorreto: Ela disse que o “adevogado” estava atrasado;
- expressão qualquer: Havia muitos “ruídos estranhos” na casa;
- palavra com sentido aproximado de outra: Ele queria “descer” a insatisfação;
- título de livro: Ela leu “Rivalidade ardente” e ficou chocada;
- título de filme: “O agente secreto” é um filme que exige muita atenção;
- nome de jornal: Os espanhóis leem sempre o “El País”;
- nome de revista: Júlia lia a revista “Science”.
- As aspas simples [ ’ ] são usadas apenas quando fazem parte de frase ou expressão entre aspas duplas [ ” ]: Disse que “seus amigos não usam o termo ‘fake’ nunca”.
O que são aspas?
Aspas é um sinal gráfico. Tal sinal se parece com uma vírgula suspensa: [ ’ ]. Esse exemplo que coloquei entre colchetes é de aspas simples. Mas o que usamos mais mesmo são as aspas duplas: [ ” ]. É possível abrir e fechar aspas. Abrimos aspas quando iniciamos uma frase e fechamos aspas quando encerramos a frase: “O frio chegou”.
Porém, não usamos aspas somente em frases. É possível colocar uma palavra entre aspas para destacá-la: “esperança”. O principal objetivo de usar esse sinal é para destacar uma citação. Por exemplo, dizem que Sócrates falou: “Só sei que nada sei”. Mas não sei se foi ele mesmo quem disse isso.
Mas isso não importa agora, o que importa é o exemplo. Outra forma de usar aspas é para marcar um estrangeirismo, ou seja, indicar que a palavra é estrangeira: “perro” ( “cachorro”, em espanhol). Porém, isso funciona na escrita à mão. Se o texto for digitado, usamos mesmo é itálico: perro.
Outro uso muito comum é quando queremos indicar que uma palavra é uma gíria: A festa “flopou” (a festa fracassou). Esses são os três principais usos das aspas, ou seja, citação, estrangeirismo e gíria. No próximo tópico, vou dar mais detalhes para você sobre quando usar aspas. Então, é só vir comigo!
Quando usar aspas?
Você deve usar aspas em citações. Nesse caso, elas indicam que o que está entre aspas não é um texto seu, mas de outra pessoa. É claro que você deve informar de quem é a autoria do texto entre aspas. Então vou fazer uma citação:
A escritora brasileira Clarice Lispector disse: “Toda compreensão súbita se parece muito com uma aguda incompreensão”.
Quando utilizo um estrangeirismo, um neologismo (palavra nova) ou uma gíria, coloco o termo entre aspas:
Hoje tive um “déjà-vu” quando tropecei.
Ela fez um “pãodeiro”, mistura de pão com brigadeiro.
Meu avô disse que minha avó era um “broto”.
Nos exemplos, temos a palavra francesa “déjà-vu”, o neologismo “pãodeiro” e a gíria antiga “broto” (mulher jovem e bonita).
As aspas são usadas para destacar alguma expressão, como, por exemplo, um termo dito ou escrito incorretamente (segundo a gramática normativa), mas de forma proposital:
Quero que você “seje” feliz.
Uma frase desse tipo normalmente é irônica, dita em tom de zombaria. Provavelmente, a pessoa identificada como “você” utiliza a forma “seje”, condenada pela gramática normativa, que defende o uso de “seja”. Mas não é só o “erro” que podemos destacar com as aspas.
Qualquer ironia, palavra ou expressão pode ser destacada com aspas:
A “amizade” dele acabou quando fiquei pobre.
Meu irmão é um “porco chauvinista”, não dá para dialogar com ele.
Renata é uma “mulher de palavra”, totalmente confiável.
Outra ocasião em que usamos aspas é quando não encontramos a expressão adequada e, por isso, usamos uma com sentido aproximado. Isso já aconteceu com você? Comigo acontece sempre. Mas acho que isso acaba sendo uma marca de criatividade:
Jonas estava tão sonolento que “deslizou” da cama assim que o alarme soou.
Nesse caso, dizer que Jonas saiu da cama ou se levantou apenas parece pouco. Afinal, o jeito com que ele saiu da cama, tão sonolento, parece até que Jonas deslizava.
Quando escrevemos o título de livro ou filme (obras, em geral), colocamos entre aspas. No entanto, se for digitado, o melhor é usar itálico. O mesmo vale para nome de jornais e revistas:
“A paixão segundo G.H.” é um livro de Clarice Lispector.
O filme “Piaf” é emocionante.
Lúcia leu a notícia no jornal “O Globo”.
Lembrei-me daquele artigo da revista “Superinteressante”.
Aspas duplas e aspas simples
As aspas duplas são estas entre colchetes: [ ” ]. Sobre o uso desse tipo de aspas, eu já falei no tópico anterior. Já as aspas simples são estas: [ ’ ]. Visualmente, é bem fácil distinguir uma da outra, não é mesmo? Mas quando você deve usar as aspas simples? Ela cumpre as mesmas funções das aspas duplas, mas só pode ser usada em uma situação específica.
Você só pode usar as aspas simples quando elas aparecem em um trecho que já está entre aspas duplas. Assim, você não confunde uma com a outra. Vou mostrar um exemplo para você entender melhor:
Geraldina disse o seguinte: “Meu ‘crush’ voltou de viagem”.
Note que “crush” é um estrangeirismo, por isso aparece entre aspas. Porém, esse destaque ocorre dentro de uma frase que já está entre aspas. Por isso, o uso das aspas simples.
Veja outro exemplo:
Meu aluno escreveu: “Li o livro ‘Dom Casmurro’ semana passada, professor”.
Observe que as aspas simples destacam o título de um livro, o qual é mencionado em uma frase que já está entre aspas.
Frases com aspas
Pedro falou: “Não quero suas desculpas”.
De repente, tive um “insight” e tudo ficou claro.
Sua vida “tá osso”, mas ela não pode parar.
Foi então que ele “comprou” a briga.
Você foi “inteligente” ao decidir não pensar.
Meu filho criou a palavra “divertudo”, pois se diverte com tudo.
O jornal francês “Le Figaro” é muito antigo.
A revista “Vogue” é mensal?
“Morangos mofados” é um famoso livro de Caio Fernando Abreu.
Você já assistiu ao filme “A cor púrpura”?
Leia também: Resumo sobre o uso dos sinais de pontuação
Exercícios sobre aspas
Questão 1
Analise este texto:
O vigia gritou: Pare! Mas o boy continuou correndo. Levava consigo todos os documentos importantes do escritório. Sem eles, a empresa ia cair, pode ter certeza. Aquilo era o troco pelas humilhações sofridas. Aquela vingança épica entraria para a história daquela cidade.
Todas as expressões destacadas abaixo, retiradas do texto, devem aparecer entre aspas, EXCETO:
A) “vigia”.
B) “Pare!”.
C) “boy”.
D) “cair”.
E) “troco”.
Resolução:
Alternativa A.
Citação: “Pare!”. Estrangeirismo: “boy”. Palavra com sentido aproximado de outra: “cair” (acabar, destruir-se). Gíria: “troco”. Já “vigia” é apenas um substantivo, ou seja, uma pessoa que vigia.
Questão 2
Analise estes enunciados:
I- Afirmei: “Meu ‘feedback’ não vai demorar”.
II- Ela sabe que o ‘não’ educa a criança.
III- A frase é: ‘The book on the table’.
Está correto o uso das aspas simples em:
A) I apenas.
B) II apenas.
C) III apenas.
D) I e II apenas.
E) I, II e III.
Resolução:
Alternativa A.
Na frase I, as aspas simples foram usadas para destacar um estrangeirismo dentro de uma citação. Já as frases II e III devem apresentar aspas duplas, pois as expressões destacadas não estão no interior de frase que já apresenta aspas.
Fontes
CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima gramática da língua portuguesa. 49. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2020.
SACCONI, Luiz Antonio. Nossa gramática: teoria e prática. 26. ed. São Paulo: Atual Editora, 2001.