Fernando Pessoa

Por Warley Souza

Fernando Pessoa nasceu em 13 de junho de 1888, na cidade de Lisboa, Portugal. Viveu parte da infância e sua adolescência em Durban, na África do Sul. Em 1905, voltou a morar em Portugal, onde escreveu a sua obra, criou heterônimos, fundou duas editoras, trabalhou como tradutor e conheceu sua única namorada.

O poeta, que morreu em 30 de novembro de 1935, em Lisboa, é um dos principais autores do modernismo português. Pertencente à Geração de Orpheu, Fernando Pessoa produziu textos caracterizados pelo nacionalismo crítico e pela liberdade formal, além de conterem traços do simbolismo, cubismo e futurismo.

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Biografia de Fernando Pessoa

Fernando Pessoa foi um dos grandes nomes do modernismo português.
Fernando Pessoa foi um dos grandes nomes do modernismo português.

Fernando Pessoa, poeta português, nasceu em 13 de junho de 1888, em Lisboa. Ficou órfão de pai quando tinha 5 anos de idade. Dois anos depois, em 1895, sua mãe se casou com o cônsul João Miguel Rosa. Por isso, em 1896, o menino se mudou para a África do Sul, onde estudou no colégio de freiras Convent School, na Durban High School e na Commercial School de Durban.

Em 1905, voltou para Portugal e iniciou o curso superior de Letras, em Lisboa, mas o deixou dois anos depois. Em 1909, ao receber a herança de sua avó paterna, tornou-se dono da tipografia e editora Íbis, que logo foi à falência. Assim, nos anos seguintes, o autor se dedicou à escrita literária e à criação de diversos heterônimos.

No ano de 1912, publicou, na revista A Águia, o artigo A nova poesia portuguesa sociologicamente considerada. Já em 1915, na revista Orpheu, porta-voz do modernismo português, publicou os textos: O marinheiro, Opiário, Ode triunfal, Chuva oblíqua e Ode marítima. No ano seguinte, tirou o acento de seu sobrenome (Pessôa), para o tornar mais universal.

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Antinous e 35 sonnets, os dois primeiros livros do poeta, escritos em inglês, foram publicados em 1918, com recursos do próprio autor. No ano seguinte, ele conheceu Ofélia Queiroz (1900-1991), a única namorada do escritor. Ela era secretária na empresa para a qual Pessoa prestava serviços como tradutor de cartas comerciais.

O poeta fundou, em 1920, a empresa Olisipo, que, entre outros negócios, funcionava também como editora. Nesse ano, o namoro com Ofélia chegou ao fim. O poeta, então, dedicou-se à escrita e ao seu trabalho na Olisipo, que fechou as portas em 1923. Dois anos depois, Pessoa patenteou o seu Anuário Comercial Sintético, que permitia catalogar, de forma resumida, os comerciantes e industriais do país.

Ofélia Queiroz e Fernando Pessoa voltaram a namorar em 1929. No ano seguinte, o inglês Aleister Crowley (1875-1947), um ocultista com quem o poeta se correspondia, visitou Pessoa em Lisboa. Nessa ocasião, o poeta ajudou seu amigo inglês a encenar um suicídio, possivelmente para comover Hanni Jaeger, a namorada do místico.

Mensagem — obra vencedora do Prémio de Poesia Antero de Quental — é o único livro em português de Fernando Pessoa que foi publicado durante a vida do autor, isto é, em 1934. No ano seguinte, após sentir dores abdominais, o poeta foi internado em um hospital de Lisboa e morreu em 30 de novembro de 1935.

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Características da obra de Fernando Pessoa

Fernando Pessoa faz parte da Geração de Orpheu, responsável pela introdução do modernismo em Portugal. Assim, as obras do poeta têm um caráter experimental típico dos movimentos artísticos do início do século XX na Europa, que buscavam criar uma arte nova, contrária às regras estéticas tradicionais.

A poesia de Pessoa, portanto, não é convencional, mas provocativa, irônica e irreverente. E, como é comum em textos modernistas, ela é construída com liberdade formal. Desse modo, o autor recorre aos versos livres para expressar seu nacionalismo crítico. Além disso, é possível perceber, em sua obra, traços simbolistas, cubistas e futuristas.

O escritor Fernando Pessoa criou heterônimos, isto é, autores fictícios com personalidades e características literárias específicas. Desse modo, mesmo sendo um modernista, Fernando Pessoa, por meio de seus heterônimos, pôde transitar por múltiplos caminhos estéticos.

Principais obras de Fernando Pessoa

Capa do livro Mensagem, de Fernando Pessoa, publicado pela editora FTD.[1]
Capa do livro Mensagem, de Fernando Pessoa, publicado pela editora FTD.[1]
  • 35 sonnets (1918)

  • Antinous (1918)

  • English poems (1921)

  • Mensagem (1934)

  • Livro do desassossego (1982)

Mensagem

O livro Mensagem é dividido em três partes:

  • “Brasão” (apresenta personagens históricos),

  • “Mar português” (tem as conquistas marítimas como tema) e

  • “O encoberto” (centrado no sebastianismo).

Possui, portanto, um caráter nacionalista. Assim, no seguinte trecho do poema “Os castelos”, da primeira parte, o eu lírico fala de D. João I:

O homem e a hora são um só
Quando Deus faz e a história é feita.
O mais é carne, cujo pó
A terra espreita.

Mestre, sem o saber, do Templo
Que Portugal foi feito ser,
Que houveste a glória e deste o exemplo
De o defender.

Teu nome, eleito em sua fama,
É, na ara da nossa alma interna,
A que repele, eterna chama,
A sombra eterna.

No poema “Os colombos”, da segunda parte, a voz poética fala da grandiosidade do passado, mesmo que ela seja fruto de uma espécie de “magia” histórica:

Outros haverão de ter
O que houvermos de perder.
Outros poderão achar
O que, no nosso encontrar,
Foi achado, ou não achado,
Segundo o destino dado.

Mas o que a eles não toca
É a Magia que evoca
O Longe e faz dele história.
E por isso a sua glória
É justa auréola dada
Por uma luz emprestada.

Já no trecho do poema “Os avisos”, da terceira parte, o eu lírico fala do escritor barroco e sebastianista Pe. António Vieira (1608-1697):

O céu ‘strela o azul e tem grandeza.
Este, que teve a fama e a glória tem,
Imperador da língua portuguesa,
Foi-nos um céu também.

No imenso espaço seu de meditar,
Constelado de forma e de visão,
Surge, prenúncio claro do luar,
El-Rei D. Sebastião.

Mas não, não é luar: é luz do etéreo.
É um dia, e, no céu amplo de desejo,
A madrugada irreal do Quinto Império
Doira as margens do Tejo.

Heterônimos de Fernando Pessoa

Os heterônimos mais conhecidos de Fernando Pessoa são:

  • Ricardo Reis

Nasceu no Porto, em 19 de setembro de 1887, às 16h5. Tem a cara raspada e estudou em colégio de jesuítas. Mora no Brasil desde 1919, onde exerce a medicina. É um monarquista e escreve textos caracterizados pelo bucolismo, epicurismo, estoicismo, moralismo, rigor formal e referências greco-romanas.

Veja também: 5 poemas de Ricardo Reis

  • Alberto Caeiro

Nasceu em Lisboa, no dia 16 de abril de 1889, às 13h45. Ficou órfão quando ainda era criança e viveu com sua tia-avó, no campo, por muitos anos. Era louro e tinha olhos azuis. Estudou pouco, possuía apenas a educação primária e não seguiu qualquer profissão.

Capa do livro Poemas de Alberto Caeiro, publicado pela editora L&PM.
Capa do livro Poemas de Alberto Caeiro, publicado pela editora L&PM.

O autor morreu em 1915, vítima de tuberculose. Ele fazia parte da corrente literária chamada de Sensacionismo. Era um defensor da liberdade formal na poesia e deixou obras marcadas pelo caráter antifilosófico e antimetafísico, e escritas com uma linguagem simples e objetiva.

  • Álvaro de Campos

Nasceu em Tavira, em 15 de outubro de 1890, às 13h30. Ele tem a pele entre branca e morena, usa um monóculo e possui cabelo liso. É formado em engenharia mecânica e naval, na Escócia. Sua escrita é caracterizada pelo decadentismo, modernismo, futurismo, niilismo, intimismo e pessimismo.

Frases de Fernando Pessoa

A seguir, vamos ler algumas frases de Fernando Pessoa, retiradas de seu Livro do desassossego:

  • “Toda a literatura consiste num esforço para tornar a vida real.”

  • “Viver é ser outro.”

  • “Nunca houve esta hora, nem esta luz, nem este meu ser.”

  • “O dia não me promete mais que o dia, e eu sei que ele tem decurso e fim.”

  • “Já vi tudo, ainda o que nunca vi, nem o que nunca verei.”

  • “Há sossegos do campo na cidade.”

  • “E eu hei sempre de sentir, como os grandes malditos, que mais vale pensar que viver.”

  • “Tudo quanto tenho buscado na vida, eu mesmo o deixei por buscar.”

  • “Vista de perto, toda a gente é monotonamente diversa.”

  • “Há metáforas que são mais reais do que a gente que anda na rua.”

Crédito da imagem

[1] Editora FTD (reprodução) 

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