Discorrendo acerca da redundância

Por Vânia Maria do Nascimento Duarte

A redundância resulta do ato de retratarmos uma ideia antes mencionada

 

Muitas vezes presenciamos, ou até mesmo proferimos, discursos que, embora imperceptíveis, transgridem, fogem do convencional. Tal ocorrência, sobretudo em se tratando da escrita, compromete a qualidade da mensagem, tornando-a pouco concebível aos olhos do interlocutor.

Corriqueiras situações, como é o caso de “encarar de frente”, ilustram tal ocorrência, dada a constatação de elementos desnecessários à mensagem ora transmitida. Ora, qual o motivo de se usar para a locução adverbial “de frente”, se o ato de encarar já nos revela tal sentido? Assim, todas as vezes em que isso acontecer, diz-se que estamos diante de um vício de linguagem denominado de redundância que, como todo vício, deve ser automaticamente banido.

Para isso, de modo a constatá-lo, devemos sempre ter um olhar crítico sobre aquilo que pretendemos dizer – algo que somente acontece quando nos dispomos a ampliar nosso conhecimento acerca dos fatos que norteiam a língua.

Nesse sentido, colocando-nos a serviço de tal, reconheçamos, pois, outros casos representativos, uma vez expressos por:


“acabamento final”;
“antecipar para antes”;
“criar novos empregos”;
“conclusão final”;
“conviver junto”;
“elo de ligação”;
“encarar de frente”;
“ganhar grátis”;
“há anos atrás”, visto que o verbo haver já denota tempo decorrido;
“inaugurar o novo recinto”;
“manter o mesmo”
“novidade inédita”;
“panorama geral”;
“pequenos detalhes”;
“planos para o futuro”
“protagonista principal”;
“repetir de novo”;
“sorriso nos lábios”;
“ surpresa inesperada”;
“todos são unânimes”;
“ viúva do falecido”...

Assim, estes e tantos outros “redundam” por aí, sem que ao menos alguém os “infira” e os reveja.

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