O “não” na qualidade de prefixo

Por Vânia Maria do Nascimento Duarte

Entre as mudanças que se deram mediante o novo acordo ortográfico, sobretudo no que tange ao uso do hífen, figura-se o não na qualidade de prefixo
Entre as mudanças que se deram mediante o novo acordo ortográfico, sobretudo no que tange ao uso do hífen, figura-se o não na qualidade de prefixo

Historicamente falando, a Língua Portuguesa se mostra demarcada por prefixos e sufixos que denotam distintos sentidos. Impossível seria falar sobre todos eles, razão pela qual somente alguns exemplos, retratados de forma específica, servir-nos-ão de auxílio para as compreensões que se fazem necessárias.

 Dois deles, revelados por “des-” e “in-“, expressam sentido negativo, como normalmente ocorre em “descontente”, “desarrumado”, “desfeito”; “incompreensível”, “inábil”, “inútil”, entre muitos outros exemplos. Elucidadas tais assertivas, partamos agora rumo à concretização de nossos reais objetivos: compreender acerca do vocábulo “não”, uma vez deslocado de sua real função – adverbial, por excelência, para nos servir como prefixo. Prova disso é que há as organizações não- governamentais, como também os não-assalariados, os não-fumantes, entre os demais casos. Analisando-os, seria impossível atribuir a eles os prefixos antes mencionados (“des-“ e “in-”) mediante o intento de imprimir a ideia em pauta, ou seja, a de negação.  

Cabe ressaltar que se trata de uma inovação em nossa língua, cuja ocorrência se manifestou trazendo resultados amplamente positivos. O porquê de tal aspecto se deve ao fato de que notadamente expressa o antagonismo necessário aos discursos que se fazem presentes em meio ao nosso cotidiano linguístico, haja vista que como há as organizações não-governamentais, pode haver também as governamentais, assim como podemos constatar a dualidade também em não-fumantes e fumantes, e por aí segue.

Outro aspecto, também relevante, reside no fato de que em todos os exemplos retratados se fez presente o uso do hífen, justamente para demarcar a transição de funções, ou seja, o que antes era advérbio, agora se revela como prefixo (apenas lembrando que a função adverbial tem seu lugar definido, haja vista que se trata de apenas um caso específico). No entanto, com o advento da nova reforma ortográfica, distintas mudanças se operaram, sobretudo no que tange ao emprego do hífen. Dessa forma, o caso ao qual nos referimos, representa uma delas, cabendo a você, caro (a) usuário (a), atentar-se para essa questão. Nesse sentido, partindo dos mesmos exemplos nos quais subsidiamos, saiba que se mostram assim grafados, segundo o VOLP (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa):

NÃO FUMANTES

Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;)

NÃO GOVERNAMENTAIS

NÃO ASSALARIADOS ETC E TAL.

Mais procurados

Coco, côco ou cocô?

Coco”, “côco” e “cocô” são palavras que causam bastante dúvida na escrita. Estão corretas apenas “coco” e “cocô”.

Liev Tolstói

Ele é um dos principais nomes do realismo em seu país e escreveu livros famosos, como os romances Guerra e paz e Anna Karenina.

Ultrarromantismo

O Ultrarromantismo é um movimento literário que corresponde à segunda fase romântica das literaturas portuguesa e brasileira.

Vim ou vir?

Tanto a forma “vim” quanto a forma “vir” estão corretas, mas cada uma delas é usada em situações específicas.

Memórias póstumas de Brás Cubas

Memórias póstumas de Brás Cubas é o primeiro romance realista de Machado de Assis

Mais procurados background