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Morfologia

Texto:
por: Vânia Maria do Nascimento Duarte

O recorrente emprego de alguns pronomes








O foco principal do presente artigo pauta-se numa questão de extrema relevância para o entendimento acerca de como se dão os fenômenos linguísticos. Mais precisamente mencionamos o fato de, mediante a materialização destes, haver correlações entre as chamadas classes gramaticais (representando o que denominamos de eixo paradigmático) e as funções desempenhadas por estas quando dispostas em um enunciado (assim denominado de eixo sintagmático). Referimo-nos simplesmente à morfossintaxe, ou seja, um termo, ora tido como substantivo, pode ocupar distintas funções, ao se revelar como um predicativo, complemento nominal, complemento verbal, dentre outros.

Atendo-nos a este último elemento, sentimos ter chegado ao ponto-chave da presente discussão, ou seja, o fato de os pronomes oblíquos (o, a, os, as, lhe, lhes) ora atuarem como objeto direto, ora como indireto. Cabe aqui ressaltar que tal ocorrência se tornou alvo de grandes equívocos – dado o seu recorrente emprego –, contudo, de forma errônea. Considera-se como sendo um procedimento bastante sutil por parte do falante, embora passível de reformulações por parte do emissor, visto que não se adéqua à forma padrão.

Mediante tais pressupostos, ressalta-se a importância de estarmos cientes quanto à transitividade de determinados verbos, para que assim possamos atribuir-lhes os devidos complementos. Assim sendo, analisemos algumas circunstâncias em que tal incoerência se procede, e verifiquemos como estas se revelam consoante à norma culta:

Infere-se, portanto, que esses verbos classificam-se como transitivos diretos - nada mais natural que o emprego dos pronomes em evidência (o, a, os, as).

Já o pronome oblíquo “lhe” funciona sempre, salvo em algumas exceções, como transitivo indireto. Portanto, retratado por:

Entregamos-lhe as encomendas.

Esta falta de umidade lhe afeta a respiração.

Apresento-lhe o meu mais recente projeto.

Há somente uma ressalva a fazermos – referente às exceções já mencionadas–, sendo que esta se refere ao fato de determinados verbos, mesmo sendo transitivos indiretos, rejeitarem o uso do “lhe”, representados por aludir, assistir (no sentido de presenciar), aspirar e recorrer. Vejamo-los:

Contemplava as obras machadianas, por isso aludia a elas com veemência.

Aquela posição hierárquica era o grande desejo, por isso todos aspiravam a ela.

O conhecimento é algo infindável, razão pela qual devemos recorrer sempre a ele.