Crase antes do pronome possessivo
A crase antes de pronomes possessivos femininos é facultativa, portanto, pode ou não ocorrer a crase. Antes de pronome possessivo masculino, entretanto, não ocorre crase.
Por Warley Souza
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Crase antes de pronome possessivo feminino é facultativa. Desse modo, podemos escrever “Sou indiferente à sua dor” ou “Sou indiferente a sua dor”. Porém, diante de pronome possessivo masculino, não ocorre crase: “Isso foi benéfico a meu pai” ou “Isso foi benéfico ao meu pai”.
Os pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s) e aquilo, quando antecedidos de preposição “a”, recebem acento grave indicador de crase. Já antes de pronomes de tratamento iniciados por “vossa” e do pronome “você”, não ocorre crase. Há crase antes dos pronomes de tratamento “senhora” e “senhorita”.
Leia também: 5 dicas para não errar o uso da crase
Resumo sobre crase antes de pronome possessivo
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A crase antes de pronome possessivo feminino é facultativa.
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Não ocorre crase antes de pronome possessivo masculino.
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A crase também é a fusão da preposição “a” com os pronomes possessivos aquele(s), aquela(s) e aquilo.
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Antes de pronomes de tratamento iniciados pelo termo “vossa”, não há ocorrência de crase.
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Também não há crase antes do pronome de tratamento “você”.
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Ocorre crase antes dos pronomes de tratamento “senhora” e “senhorita”.
Tem crase antes do pronome possessivo?
A crase antes de pronome possessivo feminino é facultativa. Isso quer dizer que você escolhe se vai ou não indicar a crase. Portanto, antes dos pronomes possessivos femininos pode ou não ocorrer a crase.
Exemplos:
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Avise a + a minha mãe que chegarei tarde Avise à minha mãe que chegarei tarde. ou Avise a + minha mãe que chegarei tarde Avise a minha mãe que chegarei tarde. |
Você tem direito a + as suas férias Você tem direito às suas férias. ou Você tem direito a + suas férias Você tem direito a suas férias.
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Cabe a + a tua tia decidir sobre a viagem Cabe à tua tia decidir sobre a viagem. ou Cabe a + tua tia decidir sobre a viagem Cabe a tua tia decidir sobre a viagem. |
Foi desleal a + as nossas ideias Foi desleal às nossas ideias. ou Foi desleal a + nossas ideias Foi desleal a nossas ideias. |
Como já se sabe, a crase é a fusão entre a preposição “a” e o artigo feminino “a” ou “as”. Para indicar tal fusão, usamos o acento grave [`] sobre o “a”. Portanto, não há crase antes de pronome possessivo masculino, já que tal pronome nunca aparece antecedido de artigo feminino, mas sim do artigo masculino “o” ou “os”:
Contei tudo a meus irmãos.
O professor fez referência a teu projeto.
Fui contrário a seu posicionamento.
Assistiu a nosso espetáculo ontem?
Eu estava habituada a vosso comportamento.
Veja também: Crase em locuções adverbiais — obrigatória ou facultativa?
Crase antes de pronome demonstrativo
A crase também é a fusão entre a preposição “a” e os pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s), e aquilo. Assim, você indica tal fusão ao usar o acento grave:
Wanderson agradeceu a + aquele funcionário pelo atendimento.
Wanderson agradeceu àquele funcionário pelo atendimento.
Rafaela deu o aviso a + aquelas vizinhas.
Rafaela deu o aviso àquelas vizinhas.
Não sei como ele chegou a + aquilo.
Não sei como ele chegou àquilo.
Já os demonstrativos este(s), esta(s), esse(s), essa(s), isto e isso não são iniciados por “a”. Portanto, não pode haver a fusão com a preposição “a”, ou seja, não há crase. Daí o motivo de não usarmos acento grave antes de tais pronomes:
Wanderson agradeceu a + estes funcionários pelo atendimento.
Wanderson agradeceu a estes funcionários pelo atendimento.
Rafaela deu o aviso a + essa vizinha.
Rafaela deu o aviso a essa vizinha.
Não sei como ele chegou a + isto.
Não sei como ele chegou a isto.
Não sei como ele chegou a + isso.
Não sei como ele chegou a isso.
Crase antes de pronome de tratamento
Segundo a gramática normativa, todos os pronomes que começam com “vossa” dispensam o artigo “a” ou “as”. Afinal, usamos tais pronomes quando estamos conversando com a pessoa a quem estamos chamando de “Vossa...”. Então, não podemos dizer “Fiz isso para a Vossa Senhoria”, pois seria como dizer “Fiz isso para a você”. Antes do pronome de tratamento “você”, também não ocorre crase.
Portanto, você não pode usar acento grave indicador de crase em frases como:
Contei tudo a Vossa Senhoria.
Contei tudo a você.
Desculpe-me pela referência desrespeitosa que fiz a Vossa Excelência.
Obedecerei a Vossa Santidade sem pestanejar.
Porém, devemos usar acento grave indicador de crase antes dos pronomes de tratamento “senhora” e “senhorita”, em frases como:
Eu disse à senhora para não jogar bingo.
Peço à senhorita para fazer silêncio durante a aula.
Saiba mais: Tem crase na indicação de horas?
Exercícios sobre crase antes do pronome possessivo
Questão 1
Analise estes enunciados:
I. Você prefere ficar alheio à nossa dor.
II. Sou grato à senhora pela hospedagem.
III. Dirija-se àquele carro, por favor.
O uso do acento grave indicador de crase é facultativo no(s) enunciado(s):
A) I.
B) II.
C) III.
D) I e II.
E) I, II e III.
Resolução: A.
Diante de pronome possessivo “nossa”, o uso de acento grave indicador de crase é facultativo. Mas é obrigatório diante do pronome de tratamento “senhora” e do pronome demonstrativo “aquele”.
Questão 2
Preencha as lacunas do texto abaixo com “a” ou “à”:
Quando voltamos _____ nossa casa, descobrimos que você tinha contado _____ meu pai sobre _____ nossa dívida com o banco. Não devemos nada _____ você. Portanto, não se intrometa em nossa vida e nunca mais faça referência _____ isso.
A ordem correta de preenchimento das lacunas é:
A) a, a, à, a, à.
B) a, à, à, a, a.
C) à, à, a, à, a.
D) à, a, a, a, a.
E) à, a, à, à, a.
Resolução: D.
O preenchimento correto das lacunas é:
“Quando voltamos a/ à nossa casa, descobrimos que você tinha contado a meu pai sobre a nossa dívida com o banco. Não devemos nada a você. Portanto, não se intrometa em nossa vida e nunca mais faça referência a isso”.
Diante do pronome possessivo “nossa” (primeira ocorrência), a crase é facultativa. Já em “sobre a nossa”, só há presença de artigo feminino “a”. Portanto, não há possibilidade de fusão com a preposição “a”.
Fontes
BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. 40. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2024.
CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima gramática da língua portuguesa. 49. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2020.