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Vogais e consoantes

Vogais e consoantes são as letras que compõem o alfabeto. As vogais são a, e, i, o, u. As consoantes são b, c, d, f, g, h, j, k, l, m, n, p, q, r, s, t, v, w, x, y, z.

Por Warley Souza

Esquema com as vogais e as consoantes do alfabeto da língua portuguesa.
Vogais e consoantes formam o alfabeto português. (Créditos: Isa Galvão | Português).
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Vogais e consoantes representam, na escrita, os fonemas da língua portuguesa. As vogais são as letras A, E, I, O, U e podem ser classificadas como: média, anterior, posterior, oral, nasal, tônica, átona, subtônica, aberta, fechada e reduzida.

Já as consoantes são as letras B, C, D, F, G, H, J, K, L, M, N, P, Q, R, S, T, V, W, X, Y, Z. Elas podem ser classificadas como: nasal, oral, surda, sonora, oclusiva, constritiva fricativa, constritiva lateral, bilabial, labiodental, linguodental, alveolar, palatal e velar. As vogais são produzidas por meio do ar que passa livremente pela boca. Já as consoantes são produzidas por meio do ar que encontra obstáculos ao passar pela boca.

Leia também: Diferença entre letra e fonema

Resumo sobre vogais e consoantes

  • As vogais são as letras A, E, I, O, U e podem ser assim classificadas:
    • média: “gado”;
    • anterior: “fé”, “cedo”, “lida”;
    • posterior: “foca”, “bolo”, “usina”;
    • oral: “faça”, “chalé”, “medo”, “atribuir”, “nó”, “tolo”, “urubu”;
    • nasal: “fã”, “mente”, “ninho”, “tonta”, “fundo”;
    • tônica: “fala”, “anel”, “vivo”, “odor”, “caju”;
    • átona: “materno”, “menino”, “melancolia”, “usina”;
    • subtônica: “pezinho”, “intimamente”, “fortemente”, “utilmente”;
    • aberta: “sai”, “sela”, “toca”;
    • fechada: “nele”, “fogo”, “hino”, “mudo”;
    • reduzida: “chama”, “nave”, “toco”.
  • As consoantes são as letras B, C, D, F, G, H, J, K, L, M, N, P, Q, R, S, T, V, W, X, Y, Z e podem ser assim classificadas:
    • nasal: “mato”, “natural”, “risonho”;
    • oral: todas, com exceção de: /m/, /n/ e /ŋ/;
    • surda: “polo”, “telhado”, “colisão”, “felicidade”, “sala”, “cínico”, “assado”, “excepcional”, “fascínio”, “aproximar”, “choupana”, “xerife”;
    • sonora: “barco”, “dado”, “garfo”, “vala”, “zinco”, “mesada”, “jirau”, “gesto”, “leite”, “filha”, “pedreira”, “rato”, “curto”, “carro”, “haver”, “mel”, “nítido”, “banho”;
    • oclusiva: “peito”, “bote”, “toda”, “dúvida”, “calo”, “ganho”;
    • constritiva fricativa: “fraco”, “velho”, “saber”, “adoecer”, “passo”, “excitante”, “crescer”, “auxílio”, “azarado”, “vaso”, “chato”, “xadrez”, “castelo”, “extremo”, “mês”, “faz”, “jeito”, “ágil”;
    • constritiva lateral: “lápis”, “falha”;
    • constritiva vibrante: “parada”, “rainha”, “dardo”, “garrafa”, “sofrer”;
    • bilabial: “meu”, “batida”, “panela”;
    • labiodental: “ficar”, “vez”;
    • linguodental: “dourada”, “tolice”;
    • alveolar: “soco”, “amolecer”, “passa”, “exceção”, “nascer”, “próxima”, “zelar”, “visita”, “lodo”, “recuar”, “nódoa”;
    • palatal: “chocolate”, “xadrez”, “gema”, “jejum”, “coelho”, “carinho”;
    • velar: “cara”, “golpe”, “raro”, “porta”, “carro”, “conter”.

Vogais

As vogais da língua portuguesa são as letras: A, E, I, O, U. Elas representam sons produzidos pela passagem do ar, pela cavidade bucal, sem encontrar nenhuma restrição. Possuem intensidade e timbre. Sua produção está relacionada à passagem de ar (proveniente dos pulmões) pela boca e pelo nariz.

De acordo com a zona de articulação, as vogais são classificadas como:

  • Média

O som de /a/ é produzido quando abrimos a boca um pouquinho e ficamos com a língua quase parada: “gato”.

  • Anterior

Os sons de /é/, /ê/ e /i/ são produzidos quando levantamos um pouco a ponta da língua e a boca fica quase fechada: “pé”, “medo”, “fita”.

  • Posterior

Os sons de /ó/, /ô/ e /u/ são produzidos quando levantamos um pouco a parte superior da língua e arredondamos os lábios: “bola”, “fogo”, “uva”.

De acordo com o papel da boca e do nariz, as vogais são classificadas como:

  • Oral

Os sons de /a/, /é/, /ê/, /i/, /ó/, /ô/ e /u/ são produzidos quando o ar proveniente dos pulmões passa pela boca e não pelo nariz: “casa”, “café”, “cedo”, “rir”, “pó”, “bolo”, “tatu”.

  • Nasal

Os sons de /ã/, /ẽ/, /ĩ/, /õ/ e /ũ/ são produzidos quando o ar proveniente dos pulmões passa tanto pela boca quanto pelo nariz: “lã”, “gente”, “vinho”, “conto”, “mundo”.

De acordo com a intensidade, as vogais são classificadas como:

  • Tônica

Compõe a sílaba tônica (forte) de um vocábulo: “carro”, “papel”, “livro”, “amor”, “urubu”.

  • Átona

Faz parte da sílaba átona de uma palavra, ou seja, é fraca, sem tonicidade: “caderno”, “paletó”, “médico” “almofada”, “universo”.

  • Subtônica

Compõe um termo longo, tem certa intensidade, mas não chega a ser tônica: “rapidamente”, “cafezinho”, “fielmente”, “docemente”, “justamente”.

De acordo com o timbre, as vogais são classificadas como:

  • Aberta

Quando os sons de /a/, /é/ e /ó/ são produzidos, nossa língua abaixa: “pai”, “seta”, “moda”.

  • Fechada

Quando os sons de /ê/, /ô/, /i/ e /u/ são produzidos, nossa língua levanta: “dedo”, “povo”, “sino”, “suco”.

  • Reduzida

Átona oral ou átona nasal, mas não é aberta nem fechada: “cama”, “chave”, “copo”.

Consoantes

As consoantes da língua portuguesa são as letras: B, C, D, F, G, H, J, K, L, M, N, P, Q, R, S, T, V, W, X, Y, Z. Elas representam sons produzidos pela passagem do ar, pela cavidade bucal, o qual encontra algum obstáculo (parcial ou total). Assim como as vogais, sua produção está relacionada à passagem de ar (proveniente dos pulmões) pela boca e pelo nariz.

Dada a variedade de sons representados por uma mesma consoante, vamos usar a representação fonológica na classificação das consoantes. Assim, de acordo com a função das cavidades bucal e nasal, as consoantes são classificadas como:

  • Nasal

Existem apenas três: /m/ (“mala), /n/ (“nadar”), /ŋ/ (“sonho”). Nesse caso, a corrente de ar passa pela cavidade nasal.

  • Oral

Com exceção das três consoantes nasais, todas as outras são orais, ou seja, a corrente de ar passa pela cavidade bucal.

De acordo com a função das pregas vocais, as consoantes são classificadas como:

  • Surda

Não ocorre vibração das pregas vocais: /p/ (“pulo”), /t/ (“teto”), /k/ (“cola”), /f/ (“feto”), /s/ (“selo”, “cílios”, “passado”, “excelente”, “piscina”, “auxiliar”), /ʃ/ (“chá”, “xícara”).

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  • Sonora

Ocorre vibração das pregas vocais: /b/ (“bico”), /d/ (“cedo”), /g/ (“gala”), /v/ (“vida”), /z/ (“zebra”, “mesa”), /ʒ/ (“jogo”, “gelo”), /l/ (“lata”), /λ/ (“filho”), /r/ (“chaleira”), /R/ (“riso”, “parto”, “sorriso”, “ter”), /m/ (“mico”), /n/ (“nulo”), /ŋ/ (“banheiro”).

De acordo com o modo de articulação, as consoantes são classificadas como:

  • Oclusiva

Ocorre bloqueio total da passagem da corrente de ar: /p/ (“pilha”), /b/ (“bule”), /t/ (“tato”), /d/ (“dado”), /k/ (“calvo”), /g/ (“gato”).

  • Constritiva fricativa

Ocorre estreitamento da cavidade bucal, de forma que o ar poduz um chiado: /f/ (“fruto”), /v/ (“vício”), /s/ (“suave”, “adormecer”, “pessimista”, “excitação”, “nascer”, “auxiliar”), /z/ (“azeite”, “caso”), /ʃ/ (“mochila”, “xale”), /S/ (“pastel”, “extinto”, “gás”, “fez”), /ʒ/ (“Jato”, “agenda”).

  • Constritiva lateral

Devido a obstrução causada pela língua, a corrente de ar sai pelos lados da boca: /l/ (“litro”), /λ/ (“alho”).

  • Constritiva vibrante

Ocorre a vibração repetida da ponta da língua ou da úvula: /r/ (“charada”), /R/ (“rei”, “fardo”, “carroça”, “obter”).

De acordo com o ponto de articulação, as consoantes são classificadas como:

  • Bilabial

Ocorre contato entre os dois lábios: /m/ (“mala”), /b/ (“belo”), /p/ (“penedo”).

  • Labiodental

Ocorre contato ou aproximação entre lábio inferior e dentes superiores: /f/ (“farofa”), /v/ (“volta”).

  • Linguodental

Ocorre quando a ponta da língua toca nos dentes superiores: /d/ (“dor”), /t/ (“topázio”).

  • Alveolar

Ocorre quando parte da língua se aproxima ou toca os alvéolos: /s/ (“solidão”, “acontecer”, “massa”, “excêntrica”, “florescer”, “trouxe”), /z/ (“zelador”, “avisar”), /l/ (“litro”), /r/ (“regar”), /n/ (“nada”).

  • Palatal

Ocorre quando o centro da língua se aproxima ou toca o palato duro: /ʃ/ (“chute”, “xadrez”), /ʒ/ (“gigante”, “jiló”), /λ/ (“bilhete”), /ŋ/ (“sonha”).

  • Velar

Ocorre quando a parte de trás da língua se aproxima ou toca o véu palatino: /k/ (“copo”), /g/ (“gole”), /R/ (“rua”, “corda”, “barril”, “comer”).

Diferenças entre vogais e consoantes

As vogais são produzidas por meio de uma corrente de ar que passa livremente pela boca. Já as consoantes são produzidas por meio de uma corrente de ar que encontra barreiras ao passar pela boca. Para testar, pronuncie o termo “bola”. Você percebeu que a consoante “b” é produzida com o fechamento dos lábios? Pois isso é uma barreira para a passagem do ar.

As letras do alfabeto são sinais gráficos que buscam representar fonemas (unidades mínimas de som) na escrita. As vogais estão associadas a fonemas sonoros (há vibração das cordas ou pregas vocais). Já as consoantes estão relacionadas tanto a fonemas sonoros quanto surdos (não há vibração das cordas ou pregas vocais).

Coloque a mão em sua garganta, logo abaixo do queixo. Diga “pato” e “bato”. Você percebe que o “p” não vibra, mas o “b” vibra? Então, o “p” é uma consoante surda. Já o “b” é uma consoante sonora. Por fim, as vogais “a” e “o” são sonoras, pois todas as vogais são sonoras.

Leia também: O que são dígrafos?

Por que “y” não é vogal?

A classificação do “y” como consoante é problemática, de forma que tal classificação parece mais aleatória ou convencional. Essa letra (assim como “k” e “w”) não é originária da língua portuguesa, mas de outras línguas. Contudo, o Novo Acordo Ortográfico incluiu oficialmente tais letras em nosso alfabeto.

Veja só o que o linguista Carlos Alberto Faraco fala sobre a definição de “y”:

Quanto ao y, não dispomos de nenhuma referência para saber como classificá-lo no alfabeto português. O Dicionário da Academia das Ciências de Lisboa, que classifica o k e o w como consoantes, deixa o y sem classificação. Diz apenas que ele é a 25a letra do nosso alfabeto. Assim, por ele, o alfabeto português teria

20 consoantes, 5 vogais e uma letra não classificada.

Se ainda assim quisermos classificar o y, não temos saída senão tomar uma decisão aleatória. No alfabeto grego, o y é uma vogal. No entanto, classificá-lo como vogal no alfabeto português seria, certamente, muito estranho porque ele raramente representa um fonema vocálico. Como vimos, ele representa mais frequentemente uma semivogal e, em pouquíssimos casos, um ditongo.

Diante desse quadro tão heterogêneo e considerando que tecnicamente, em fonologia, uma semivogal é considerada um fonema consonântico, talvez a melhor saída seja classificar o y como consoante. Seria a 25a letra e a 20a consoante do alfabeto português.

Portanto, na prática, em palavras com “Yara” e “Wesley”, o “y” atua como semivogal (letra que acompanha uma vogal e tem som de “i” ou “u”). Semivogais não têm autonomia, por isso acompanham uma vogal, no caso “a” e “e”: Ya-ra, Wes-ley.

Fontes

BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. 40. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2024.

BRASIL. Acordo ortográfico da língua portuguesa: atos internacionais e normas correlatas. 2. ed. Brasília: Senado Federal, 2014.

FARACO, Carlos Alberto. Como classificar as letras k, w, y? Linguasagem, São Carlos, v. 1, n. 1, p. 1-3, set. 2009.

NICOLA, José de; INFANTE, Ulisses. Gramática contemporânea da língua portuguesa. 15. ed. São Paulo: Scipione, 1999.

SACCONI, Luiz Antonio. Nossa gramática: teoria e prática. 26. ed. São Paulo: Atual Editora, 2001.

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