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Período composto por coordenação

O período composto por coordenação é o período formado por duas ou por mais orações coordenadas (ou independentes).

Por Warley Souza

Imagem explicando o que é período composto por coordenação e mostrando exemplos.
O período composto por coordenação é formado por orações sindéticas ou assindéticas. (Imagem feita por IA)
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Período composto por coordenação é o período formado por orações coordenadas (ou independentes). Quando há alguma conjunção ligando tais orações, elas são chamadas de “sindéticas”. Se elas não apresentam conjunção, são orações coordenadas assindéticas: “Ugo sorriu, coçou a cabeça, ficou pensativo”.

Já as orações coordenadas sindéticas podem ser: aditivas (“Ele gritou e correu”), adversativas (“Ela chorou, mas manteve-se firme”), alternativas (Nós vamos à praia ou ficamos no hotel”), conclusivas (“Cuida da saúde, logo viverá muito”) ou explicativas (“Baixe seu tom de voz, pois não admito ser desrespeitada”).

Resumo sobre o período composto por coordenação

  • O período composto por coordenação é formado por duas ou por mais orações coordenadas (ou independentes).
  • Orações coordenadas sindéticas:
    • aditivas: “A professora pegou o celular e enviou uma mensagem”;
    • adversativas: “O professor explicava a matéria, mas Artur não prestava atenção”;
    • alternativas: “Alugarei um apartamento aqui perto ou irei embora deste bairro”;
    • conclusivas: “Consertou a televisão, portanto pôde ver o jogo”;
    • explicativas: “Adalto está feliz, porque comprou um apartamento”.
  • Orações coordenadas assindéticas: “O vento chegou, o fogo alastrou-se, a natureza agonizou”.

O que é o período composto por coordenação?

O período composto por coordenação é o período que apresenta orações independentes, isto é, uma não é subordinada à outra. Observe este enunciado:

Vânia estudou um pouco e dormiu.

Quantos verbos há nesse enunciado? Dois verbos: “estudou” e “dormiu”. Ambos indicam ação. Se há dois verbos, há duas orações:

  • oração 1: “Vânia estudou um pouco”;
  • oração 2: “e dormiu”.

Veja outro exemplo:

Vilmar estava triste, mas não demonstrou seus sentimentos!

Quantos verbos há nesse enunciado? Dois verbos: “estava” (indica estado) e “demonstrou” (expressa ação). Portanto, as orações são:

  • oração 1: “Vilmar estava triste”.
  • oração 2: “mas não demonstrou seus sentimentos”.

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As frases “Vânia estudou um pouco e dormiu” e “Vilmar estava triste, mas não demonstrou seus sentimentos” são períodos. Por quê? Elas começam com letra maiúscula; apresentam, pelo menos, uma oração e terminam em ponto-final (a primeira) e ponto de exclamação (a segunda).

E por que esses períodos são compostos por coordenação? São compostos porque apresentam mais de uma oração. Além disso, essas orações são coordenadas, já que uma faz sentido independentemente da outra. Quer ver? Vamos retomar os períodos:

Vânia estudou um pouco e dormiu.

Esse período pode ser desmembrado, sem prejuízo do sentido:

Vânia estudou um pouco.

Vânia dormiu.

O mesmo acontece com este período:

Vilmar estava triste, mas não demonstrou seus sentimentos!

Veja só como eles fazem sentido sozinhos:

Vilmar estava triste.

Vilmar não demonstrou seus sentimentos!

Por fim, o período composto por coordenação pode apresentar orações coordenadas sindéticas ou orações coordenadas assindéticas. É sobre isso que vou falar a seguir. Então, vamos lá!

Orações coordenadas sindéticas

Quando a oração coordenada apresenta um conectivo (conjunção), ela é chamada de sindética. Dependendo da conjunção usada, as orações coordenadas podem ser assim classificadas.

→ Orações coordenadas sindéticas aditivas

Orações coordenadas sindéticas aditivas são orações que acrescentam uma informação ao enunciado e, por isso, são iniciadas por conjunções como:

  • bem como: “Admitiu o erro, bem como me pediu desculpa”;
  • como (após “não só”): “Ela não só caminha como pratica esportes”;
  • como também: “Queria meu amor, como também o meu perdão”;
  • e: “Daniela correu e escondeu-se atrás de uma árvore”.
  • mas ainda: “Não apenas ronca, mas ainda dá chutes enquanto dorme”;
  • mas também: “Não somente estuda, mas também toca em uma banda”;
  • nem: “Não jantei nem dormi bem”.

→ Orações coordenadas sindéticas adversativas

Orações coordenadas sindéticas aditivas são orações que apresentam uma oposição ou ressalva e, portanto, são introduzidas por uma destas conjunções:

  • contudo: “Flaviana chegou a tempo, contudo esquecera seu documento de identidade”;
  • entretanto: “Leonor conhecia as regras, entretanto não as seguia”;
  • mas: “Gilson pediu uma chance, mas não foi atendido”;
  • não obstante: “Ilka tinha alergia a maçãs, não obstante comia do fruto proibido”;
  • no entanto: “Ele amealhou uma fortuna, no entanto perdeu tudo no jogo”;
  • porém: “Meu namorado sofreu um acidente, porém está vivo”;
  • senão: “Não queria amizade, senão cumplicidade”;
  • todavia: “Conheceu sua alma gêmea, todavia preferiu ficar sozinha”.

→ Orações coordenadas sindéticas alternativas

Orações coordenadas sindéticas aditivas são orações que expressam uma alternância ou exclusão e, por isso, são iniciadas por conjunções como:

  • já... já: ria, chorava, emocionado”;
  • ou: “Estava sendo sincero ou era muito dissimulado”;
  • ou... ou: Ou compra um brinquedo ou compra um livro”;
  • ora... ora:Ora gritava, ora gargalhava, sempre muito animada”;
  • quer... quer: Quer queira, quer não queira, você vai se mudar para o Uruguai”.

→ Orações coordenadas sindéticas conclusivas

Orações coordenadas sindéticas aditivas são orações que expressam uma conclusão ou dedução e, por conseguinte, são introduzidas por uma destas conjunções:

  • assim: “Nunca durmo tarde, assim acordo cedo”;
  • logo: “Ouviu a nossa conversa, logo está sabendo do nosso segredo”;
  • pois (posposto ao verbo): “Havia apenas uma laranja; ele a dividiu, pois, ao meio”;
  • por conseguinte: “Jovelino era o gerente, por conseguinte escolhia os membros de sua equipe”;
  • por isso: “Tomei um chá, por isso estou relaxada”;
  • portanto: “Preciso de silêncio para trabalhar, portanto não me perturbe”.

→ Orações coordenadas sindéticas explicativas

Orações coordenadas sindéticas aditivas são orações que trazem uma explicação, justificativa ou motivo e são iniciadas por conjunções tais como:

  • pois (antes do verbo): “Wuberdan não tinha amigos, pois era muito desconfiado”;
  • porquanto: “Não comprou quase nada, porquanto os preços estão muito altos”;
  • porque: “Laureane não foi à escola, porque estava doente”;
  • que (em vez de “pois”): “Fique tranquila, que resolveremos o problema”;
  • senão (com o sentido de “porque”): “Fique quieto, senão eles vão nos descobrir”.

Orações coordenadas assindéticas

Orações coordenadas assindéticas são orações que não apresentam um conectivo. Portanto, orações coordenadas assindéticas não têm conjunção:

Não tinha amigos, não amava ninguém, não encontrara sua alma gêmea.

Acordei de madrugada, voltei a dormir, tive um pesadelo.

A tarde morreu, a noite nasceu, os sonhos chegaram.

Pegou o controle remoto, ligou a televisão, assistiu a um telejornal.

Note que as orações não apresentam conjunção para ligar uma à outra. Elas apenas são separadas por vírgula.

Exemplos de período composto por coordenação

Fez o almoço, bem como preparou o jantar.

Varreu o quintal, como também lavou o banheiro.

Josiana comeu pastel e bebeu suco de laranja.

Não só me ofendeu, mas também me difamou.

Não queria caminhar nem jogar basquete.

Salustiano terminou o trabalho, contudo não gostou do resultado.

Minhas mãos estão coçando, mas não sei por quê.

Ele é muito eficiente, porém é pouco crítico.

O celular está estragado ou a bateria está descarregada?

Ou conversamos agora ou nunca mais fale comigo.

Ora diz ser minha amiga ora fala mal de mim.

Está sorridente; não sabe, pois, a verdade.

Joênio tirou nota máxima na redação, logo está feliz.

Estou com fome, portanto pedirei uma pizza.

Não me menospreze, pois sou melhor do que você.

Minha filha está emburrada, porque eu lhe disse “não”.

Não chegue atrasado, que não esperarei ninguém.

Tentei ajudar, não consegui.

Os filhos crescem, vão-se embora, ficamos sozinhos.

Realizei meu sonho: conheci meu ídolo.

Exercícios resolvidos sobre período composto por coordenação

Questão 1

(Unimontes)

Nem tudo se pode ver, ouvir ou dizer
Betty Milan

Um músico me escreve contando que pertence a uma grande orquestra, mas não tem prazer no trabalho por causa dos colegas. Não suporta o despotismo, a vaidade, a prepotência, a arrogância e a mania de grandeza de alguns. O convívio com “egos inflados” é demasiadamente penoso, e ele me pergunta o que fazer.

Eu, que sempre faço a apologia do ato generoso da escuta, sugiro ao músico que faça ouvidos moucos. Lembro que ele tem o privilégio de escutar os sons mais sutis e sabe ouvir o silêncio. Não precisa dar ouvidos ao que não interessa. Inclusive porque egos inflados estão em toda parte, e a luta contra eles não leva a nada. Evitar a luta de prestígio é um bem que nós fazemos a nós e aos outros.

Para viver, nem tudo nós podemos ver, escutar ou dizer. Isso é representado, desde a Antiguidade, pelos três macacos da sabedoria. Cada um cobre uma parte diferente do rosto com as mãos. O primeiro cobre os olhos, o segundo as orelhas, e o terceiro a boca. A representação é originária da China. Foi introduzida no Japão, no século VIII, por um monge budista. A máxima que ela implica é “não ver, não ouvir e não dizer nada de mau”. Foi adotada por Gandhi, que levava sempre consigo os três macaquinhos, o cego, o surdo e o mudo — Mizaru, Kikazaru e Iwazaru.

Eles ensinam a não enxergar tudo o que vemos, não escutar tudo o que ouvimos e não dizer tudo o que sabemos. Noutras palavras, ensinam a selecionar e a conter-se. Isso é decisivo para uma atitude construtiva, mas não é fácil. Somos impelidos a focalizar o que nos prejudica — impelidos por um gozo masoquista ao qual temos de nos opor continuamente. Só a consciência disso permite não sair do caminho em que a vida desabrocha.

[...]

Veja, 12/1/2011.

Qual dos períodos abaixo é composto por coordenação?

A) “Para viver, nem tudo nós podemos ver, escutar ou dizer.”

B) “Eu, que sempre faço a apologia do ato generoso da escuta, sugiro ao músico que faça ouvidos moucos.”

C) “Só a consciência disso permite não sair do caminho em que a vida desabrocha.”

D) “O primeiro cobre os olhos, o segundo as orelhas, e o terceiro a boca.”

Resolução:

Alternativa D.

As três orações coordenadas são: “O primeiro cobre os olhos”, “o segundo [cobre] as orelhas”, “e o terceiro [cobre] a boca”. Nas demais alternativas, há orações subordinadas à principal e, portanto, dependentes.

Questão 2

A seguir, mostramos alguns períodos da obra Laços de família, da famosa escritora brasileira Clarice Lispector. Você deve apontar a alternativa que apresenta um período composto por orações coordenadas assindéticas.

A) “Estava a se pentear vagarosamente diante da penteadeira de três espelhos, os braços brancos e fortes arrepiavam-se à frescurazita da tarde.”

B) “Se os miúdos e o marido estivessem à casa, já lhe viria à ideia que seria descuido deles.”

C) “Em breve levava um pedaço a certa altura do rosto e, como se tivesse que apanhá-lo em voo, abocanhou-o num arrebatamento de cabeça.”

D) “A tarde de sábado sempre fora “sua”, e, logo depois da partida de Severina, ele a retomava com prazer, junto à escrivaninha.”

E) “A varanda estava aberta mas a frescura se congelara fora e nada entrava do jardim, como se qualquer transbordamento fosse uma quebra de harmonia.”

Resolução:

Alternativa A.

Há duas orações no período “Estava a se pentear vagarosamente diante da penteadeira de três espelhos, os braços brancos e fortes arrepiavam-se à frescurazita da tarde”. Elas não são ligadas por conjunção. Portanto, são orações coordenadas assindéticas. Os demais períodos apresentam conjunção ou orações subordinadas.

Fontes

CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima gramática da língua portuguesa. 49. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2020.

LISPECTOR, Clarice. Laços de família. Rio de Janeiro: Rocco, 2013.

NICOLA, José de; INFANTE, Ulisses. Gramática contemporânea da língua portuguesa. 15. ed. São Paulo: Scipione, 1999.

SANTOS, Márcia Angélica dos. Aprenda análise sintática. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2003.

SACCONI, Luiz Antonio. Nossa gramática: teoria e prática. 26. ed. São Paulo: Atual Editora, 2001.

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