Conjunções coordenativas

Por Diogo Berquó

As conjunções coordenativas são responsáveis por unir dois ou mais termos que exerçam a mesma função sintática e morfológica, por exemplo, substantivos que sejam sujeitos. Além disso, elas têm a função de conectar duas orações independentes, isto é, cuja compreensão do sentido de uma dispensa a observação da outra.

Importante observar que as conjunções, ao promoverem essas ligações, contribuem para a construção do teor das orações envolvidas, de modo que elas podem ser classificadas como:

  • aditivas;
  • adversativas (oposição);
  • alternativas;
  • conclusivas;
  • explicativas.

Leia também: Enfim ou em fim?

Tipos de conjunções coordenativas

Tipos de conjunções coordenativas

Conjunções mais recorrentes

Aditiva

E, nem, não só, mas também.

Adversativa

Mas (sempre no início da oração), porém, entretanto, no entanto, contudo, todavia, não obstante.

Alternativa

Ou… ou (pode vir duplicada ou não), ora… ora, quer… quer, seja… seja, nem… nem.

Conclusiva

Portanto, logo, assim, pois (após o verbo), por conseguinte, por isso, diante disso (repare que as três últimas são locuções conjuntivas, ou seja, mais de uma palavra exerce o papel de conjunção).

Explicativa

Porque, que, porquanto, pois (antes do verbo).

Classificação e função das conjunções coordenativas

→ Conjunções aditivas: expressam soma. A conjunção permite que à primeira oração seja acrescida uma informação.

Exemplos

  • Fui ao shopping e comi um sanduíche.
  • Ele não me agradece, nem eu lhe dou tempo (Botelho).

Conjunções adversativas: estabelecem uma oposição ou um contraste entre a ideia presente na primeira oração e a que consta na segunda.

Exemplos

  • Gisele desistiu de comprar um automóvel, porém ela tem vontade de possuir um veículo.
  • As pessoas gostam de consumir, mas ninguém está comprando roupas atualmente.

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→ Conjunções alternativas: denotam uma alternância de ideias. Também manifestam a exclusão de um pensamento em prol da ascensão de um outro.

Exemplos

  • Seja trabalhador, seja estudante, todos merecem respeito.
  • Ora tem muito sono, ora tem insônia.
  • Independência ou morte! (D. Pedro I)

→ Conjunções conclusivas: estabelecem uma consequência em relação ao que consta na oração anterior. Além disso, introduzem o sentido de fechamento de uma ideia.

Exemplos

  • Encontrei, pois, Alexandre, quando estive no parque Ibirapuera.
  • O prazo de entrega das atividades termina hoje, logo, conclua-as rapidamente.

→ Conjunções explicativas: apresentam um motivo, uma razão, ou seja, uma das frases justifica o conteúdo da outra.

  • A festa foi um desastre, pois a energia elétrica foi cortada.
  • A escolha da roupa foi equivocada, porque não foi compatível com a sugestão presente no convite de casamento.

Veja também: Onde ou aonde?

Vários sentidos das conjunções coordenativas

Apesar de as conjunções coordenativas assumirem majoritariamente determinados sentidos, elas podem revestir-se de outros significados, conforme o contexto no qual são inseridas. Veja, a seguir,  alguns casos que comprovam essa afirmação:

  • E

Trabalhou muito e não ganhou dinheiro.
(Oposição)

Construiu uma casa e mudou-se para lá.
(Consequência/conclusão)

O homem é bonito, e muito bonito!
(Explicação enfática)

 E a Marlene, tem notícias dela?
 (Situação/assunto)

Passou o pincel no rosto e maquiou-se com cores fortes.
(Finalidade)

  • Mas

A festa terá comida, mas em pouca quantidade.
(Restrição)

Mas e a casa? Terminou de reformá-la?
(Situação/assunto)

Estava faminto, mas bebia água para enganar a fome.
(Atenuação)

Brigou com a esposa, mas arrependeu-se e não voltou a atormentá-la.
(Retificação)

As conjunções coordenativas são elementos indispensáveis para a coesão e coerência.
As conjunções coordenativas são elementos indispensáveis para a coesão e coerência.

O que é conjunção?

As conjunções são palavras que, assim como os advérbios e preposições, fazem parte de uma classe, conforme os linguistas nomearam, heterogênea, tendo em vista a diversidade de funções e formas que elas desempenham. Além disso, todas têm em comum o fato de serem palavras tidas como invariáveis, ou seja, mantêm as suas estruturas fonéticas (sons) e gráficas (escrita) intactas, já que não se modificam para adequar-se ao gênero, número, grau, pessoa e tempo.

Dada a presença dessas características tanto nas conjunções quanto nas preposições e nos advérbios, é necessário conceituar o primeiro caso, permitindo que ele se diferencie dos demais. Assim, conjunção é um vocábulo que estabelece uma conexão entre orações ou entre palavras, desde que elas estejam na mesma oração e exerçam funções sintáticas iguais.

As conjunções podem ser divididas em: subordinativas, as quais conectam duas orações, sendo que uma delas é fundamental para a construção do sentido completo da outra; e coordenativas, que ligam elementos independentes, ou seja, unem orações ou termos de idêntica função gramatical detentores de sentido completo.

Exercícios resolvidos

1 – (FGV – Adaptada) O mesmo tipo de conjunção que substitui os dois pontos em "E, apesar das promessas de que o crescimento do PIB reduziria a pobreza, as desigualdades econômicas mantêm-se: a cada US$ 160 milhões produzidos no mundo, só US$ 0,60 chega efetivamente aos mais pobres." pode ser aplicado em:

a) Os ecoeconomistas só alimentam um propósito: poupar os recursos ambientais.

b) Hugo Penteado disse: “a Terra é finita e a economia clássica sempre ignorou essa verdade elementar”.

c) Os ecoeconomistas apontam os vícios das empresas: o desperdício de matérias-primas, o estímulo ao consumismo e a obsolescência programada.

d) A ecoeconomia não é exatamente nova: seus princípios exponenciais começaram a surgir na década de 1970.

e) Paulo Durval Branco foi enfático ao afirmar: “as empresas vêm repetindo a palavra sustentabilidade como um mantra”.

Resolução

Alternativa d. Os dois pontos presentes no enunciado da questão e na alternativa d podem ser substituídos pela conjunção "pois" ou "porque", tendo em vista que as afirmações que sucedem tal pontuação têm a função de explicar o que foi dito.

2 – (Ufal – Adaptado) Analise o uso das conjunções destacadas no seguinte trecho: “A língua, no entanto, é objeto privilegiado nessas discussões porque é o meio coletivo básico e, por assim dizer, universal de expressão.” Acerca desses usos, é correto afirmar que:

a) A primeira conjunção foi selecionada por carregar valor conclusivo; a segunda, por introduzir uma explicação.

b) A conjunção "no entanto" tem valor condicional, sendo equivalente a "contanto"; já a conjunção "porque" exprime causalidade.

c) A primeira conjunção presta-se perfeitamente a expressar o valor opositivo que o autor queria dar às suas ideias; a segunda expressa uma causa.

d) A primeira conjunção "no entanto", de valor temporal, tem posição móvel no enunciado; a segunda conjunção "porque", de valor explicativo, tem posição fixa.

e) Ambas as conjunções têm valor conclusivo no trecho apresentado, por isso estão colocadas no fechamento do texto.

Resolução

Alternativa c. A primeira conjunção assume o valor opositivo que o autor pretendeu dar às suas afirmações, e a segunda apresenta uma causa.

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