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Gêneros literários modernos

Os gêneros literários modernos são o romance, a novela, o conto, a crônica, o drama e o poema em prosa. Os gêneros literários clássicos são o narrativo, o dramático e lírico.

Por Warley Souza

Imagem com a descrição dos gêneros literários modernos.
Os gêneros literários modernos fazem uma ruptura com a tradição literária. (Créditos: Isa Galvão | Português)
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Gêneros literários modernos é como são conhecidos os subgêneros literários surgidos por volta do século XIX. Eles apresentam uma ruptura com a literatura clássica, pautada em uma divisão genérica rígida, temática universal e protagonistas heroicos. Assim, os gêneros literários modernos são subgêneros dos gêneros literários clássicos.

O romance, a novela e o conto são narrativas em prosa que retratam a vida do indivíduo comum, diferentemente dos poemas narrativos da Antiguidade, que retratavam indivíduos heroicos. Já o drama moderno mistura o trágico e o cômico. E o poema em prosa quebra com a estrutura versificada tradicional.

Leia também: Gêneros textuais x gêneros literários — qual a diferença?

Resumo sobre gêneros literários modernos

  • Gêneros literários modernos são subgêneros literários surgidos a partir do século XIX.
  • O que caracteriza um gênero literário moderno é sua ruptura com a tradição clássica.
  • Os principais gêneros literários modernos são:
    • romance: narrativa em prosa extensa;
    • novela: narrativa em prosa de extensão intermediária entre o conto e o romance;
    • conto: narrativa curta em prosa;
    • crônica: narrativa em prosa que faz uma reflexão sobre acontecimentos atuais, do cotidiano;
    • drama: texto dramático que apresenta hibridismo entre tragédia e comédia;
    • poema em prosa: poema que apresenta parágrafos em lugar das estrofes tradicionais.
  • Os gêneros literários clássicos são:
    • narrativo ou épico: textos que contam uma história;
    • dramático: textos escritos para serem encenados;
    • lírico: textos poéticos.

O que são gêneros literários modernos?

Os gêneros literários modernos são, em verdade, subgêneros literários surgidos na modernidade. Na teoria da literatura, entende-se “moderno” como algo que se opõe ao antigo, ou seja, ao clássico. Assim, o conceito de modernidade está associado à produção literária ocorrida a partir do século XIX.

Os três gêneros literários clássicos são: narrativo (ou épico), lírico e dramático. Quando falo de “subgênero”, estou referindo-me a ramificações desses gêneros clássicos. Por exemplo, um conto (moderno) e uma epopeia (clássico) são dois textos diferentes, ambos pertencentes à categoria gênero narrativo.

Portanto, os gêneros literários modernos são ramificações dos gêneros literários clássicos, e consistem em textos produzidos a partir da modernidade. Tais textos apresentam uma ruptura com a tradição clássica ou acadêmica. E o romantismo é o primeiro estilo de época em que essa ruptura é evidenciada.|1|

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Vale mencionar que não é incorreto dizer “gêneros literários modernos”, pois um subgênero também é um gênero. Mas é importante fazer a ressalva, pois, hierarquicamente falando, os gêneros narrativo (épico), lírico e dramático encabeçam a cadeia de classificação dos gêneros literários.

Veja também: Classicismo — estilo literário que retomou alguns elementos greco-latinos

Quais são os gêneros literários modernos?

Os principais gêneros literários modernos são:

É uma narrativa longa, escrita em prosa. O romance vem a ser a forma narrativa que, equivale à epopeia nos tempos modernos.|2| A epopeia é uma narrativa escrita em versos, muito popular na Antiguidade clássica (período que vai do século VIII a. C. até o ano de 476 d. C.). Duas epopeias famosas desse período são as obras Ilíada e Odisseia, do poeta grego Homero. Já o romance é uma narrativa em prosa, isto é, em texto corrido e não em versos.

Crônica narrativa é uma narrativa em prosa que faz uma reflexão sobre acontecimentos atuais, do cotidiano. A crônica é datada, pois fala apenas de acontecimentos de um determinado tempo, ou seja, a época de seu autor. Aliás, a palavra “crônica” vem de Cronos, o deus do tempo.

A crônica se “aproxima do conto e do poema… é um registro poético e muitas vezes irônico, através do que se capta o imaginário coletivo em suas manifestações cotidianas”.|3| Portanto, a crônica como conhecemos hoje é um gênero moderno.

É uma narrativa de tamanho intermediário entre o romance e o conto. Assim, ela não é tão extensa quanto um romance e nem tão curta quanto um conto.

Atenção! Não confunda “novela” com “telenovela”. No Brasil, é comum dizermos: “Você viu a novela ontem?”. Nesse caso, estamos usando uma redução da palavra “telenovela”. Então, uma novela é um livro, já uma telenovela é uma história transmitida em capítulos na televisão. A telenovela é um produto audiovisual, que conta com um roteiro, ou seja, um texto escrito para ser encenado. Portanto, o roteiro de uma telenovela é do gênero dramático, enquanto uma novela é do gênero narrativo.

É uma narrativa menor do que uma novela. Portanto, é uma história curta. Aqui vale mencionar que não existe uma delimitação matemática para definir o que é romance, novela ou conto. Não há uma definição de número de páginas, até porque o número de páginas de uma obra depende do tamanho da fonte escolhida na edição.

De qualquer forma, por ter uma menor dimensão, a história narrada em um conto é menos complexa. A autora de um conto não dá muitos detalhes, pois isso faria a narrativa ficar muito extensa. O autor de um conto pode optar por focalizar apenas um acontecimento da vida de determinado personagem.

  • Drama 

A palavra drama é usada para: “designar o gênero dramático em geral”, “como sinônimo de peça teatral”, “como uma forma dramática específica, que resulta do hibridismo da tragédia com a comédia”.|4| Aqui nos interessa essa terceira acepção, drama que traz a mistura entre tragédia e comédia. Esse tipo de drama surgiu no século XVIII, e um de seus principais representantes é o francês Denis Diderot, com seu drama burguês, “que substitui personagens da história greco-romana por cidadãos burgueses de seu tempo, localizados em seu espaço próprio e em condições específicas de sua classe social”.

Você já deve ter percebido que os gêneros literários modernos estão muito associados à ascensão da burguesia. Os textos desse gênero mostram a vida dos burgueses em vez de mostrarem personagens grandiosos e heroicos, como os da Antiguidade. Portanto, têm como protagonista o indivíduo médio, comum.

  • Poema em prosa

Esse é o gênero literário moderno mais problemático, já que sua definição não é clara como a dos outros acima. Isso nos dá a ideia de que ele ainda está em processo de construção. De qualquer forma, esse gênero foi criado pelo poeta francês Charles Baudelaire, no século XIX.

Em uma possível definição, feita por Fernando Paixão, temos:|5|

Nem poesia, nem prosa, mas uma terceira via. Algo que compreenda uma tensão comum aos modelos que precedem; um texto que se propõe a ser poema, mas também prosa, como se desse encontro de qualidades surgisse uma alternativa à repetição dos modelos.

Poema em prosa foi assim definido por Baudelaire:|6| prosa “musical sem ritmo e sem rima, bastante maleável e bastante rica em contrastes para se adaptar aos movimentos líricos da alma, às ondulações do devaneio, aos sobressaltos da consciência”.

Além disso, há outras ideias em debate, se há predominância de metonímia em vez de metáforas, presença de fragmentação, tensão narrativa, descrição focada na percepção sensorial ou afetiva etc.

Para exemplificar, veja só um poema em prosa de Robert W. Bly, traduzido por Fernando Paixão:

Uma concha de ostra

A concha está riscada, como se fosse uma pedra polida no leito de um rio agitado, levada pelos grandes troncos de árvore que seguem abaixo. Algumas vezes o cálcio cinzento se enruga quase por completo, como quando a lava se esfria, e temos então alguma coisa ainda raivosa.

Quando a viramos, percebemos que a concha no seu interior é mais cheia de segredos, mais acabada, mais humana. Nossos dedos sentem a lisura interna e lembram blueberries.

Então você deve estar se perguntando: “Qual a diferença entre poema em prosa e prosa poética”?

Eu só posso dizer que a prosa poética tem um conteúdo repleto de lirismo, ou seja, de conotação, plurissignificação e estranheza. Já o poema em prosa não apresenta esse tipo de conteúdo, além ser mais breve, sucinto, como se cada parágrafo fosse equivalente a uma estrofe. Mas, como já mencionei, o gênero poema em prosa ainda está em debate.

Diferenças entre gêneros literários modernos e gêneros literários clássicos

Os gêneros literários clássicos são apenas três:

  • narrativo (ou épico): textos que contam uma história com narrador, enredo (trama), personagens, tempo e espaço;
  • dramático: textos escritos para serem encenados, como peças de teatro e roteiro cinematográfico;
  • lírico: textos poéticos, marcados por plurissignificação, conotação e estranheza.

Eles são a base da literatura da Antiguidade Clássica. Nessa época, foram produzidas epopeias (poemas narrativos), pertencentes ao gênero épico, já que havia a presença de heróis nessas narrativas. O gênero dramático era representado por tragédias e comédias. A poesia era cantada ao som de uma lira.

Já os gêneros literários modernos são ramificações dos gêneros literários clássicos e surgiram por volta do século XIX. Por exemplo, o romance é do gênero narrativo, já que conta uma história. Dessa forma, os gêneros literários modernos podem também ser considerados subgêneros literários, pois, hierarquicamente, derivam dos gêneros literários clássicos.

O que vai caracterizar os gêneros literários modernos é a oposição ao modelo clássico. Na cultura greco-latina, a divisão de gêneros era bem marcada. Na estética moderna, pode haver uma hibridização genérica. Por exemplo, um romance pode, em sua narrativa, apresentar elementos líricos. A tragédia greco-romana apresentava deuses, nobres, temas sérios, deixando o cotidiano para a comédia.

Os gêneros literários modernos surgem para expressar a realidade burguesa, do indivíduo comum, que pode transitar entre o trágico e o cômico. Além disso, o universalismo clássico cede espaço para a expressão do individualismo burguês. Por fim, os gêneros literários modernos estão associados à experimentação, ao novo e, dessa forma, rompem com a tradição clássica.

Saiba mais: Quais são os elementos de uma narrativa?

Exercícios sobre gêneros literários modernos

Questão 1

Marque V (verdadeiro) ou F (falso) para as seguintes afirmações:

(  ) O romance é um gênero literário moderno.

(  ) O poema narrativo é um gênero literário moderno.

(  ) A entrevista é um gênero literário moderno.

A sequência correta é:

A) V, V, F.

B) V, V, V.

C) V, F, F.

D) F, F, V.

E) F, V, F.

Resolução: Alternativa C.

O poema narrativo ou epopeia é um gênero de texto da Antiguidade, não é moderno. Já a entrevista não é um gênero literário, pois não é um texto literário.

Questão 2

Analise estas afirmações:

I- O surgimento dos gêneros literários modernos está associado ao advento do romantismo.

II- Os gêneros literários modernos são caracterizados pela ruptura com a tradição literária, ou seja, com a literatura clássica.

III- Os gêneros literários modernos são os gêneros narrativo, dramático e lírico.

Está correto o que se afirma em:

A) I apenas.

B) II apenas.

C) III apenas.

D) I e II apenas.

E) I, II e III.

Resolução: Alternativa D.

Os gêneros narrativo, dramático e lírico não são modernos, mas sim clássicos. Essa divisão dos textos literários em três gêneros é a base da literatura da Antiguidade Clássica. Desses gêneros, derivam os gêneros literários modernos.

Notas

|1| Segundo o mestre em literatura Emanuel Guerreiro: “No princípio do século XIX, Friedrich Schlegel e Madame de Staël começaram a chamar romântica a uma literatura que se inspirava no povo e na longínqua Idade Média, valorizada como expressão da modernidade dos povos europeus, em oposição à literatura clássica, que se inspirava em fontes greco-romanas. Romantismo designaria, então, a expressão literária que abjurava a estética clássica e que se revestia de características afins das narrativas criadas pela imaginação popular, ao mostrar simpatia pela evocação do viver medieval.”

|2| Para Angélica Soares, o romance “vem a ser a forma narrativa que, embora sem nenhuma relação genética com a epopeia (como nos demonstram as teses mais avançadas), a ela equivale nos tempos modernos. E, ao contrário da epopeia, como forma representativa do mundo burguês, volta-se para o homem como indivíduo”.

|3| e |4| SOARES, Angélica. Gêneros literários. 7. ed. São Paulo: Ática, 2007.

|5| e |6| PAIXÃO, Fernando. Poema em prosa: poética da pequena reflexão. Estudos Avançados, São Paulo, v. 26, n. 76, 2012.

Fontes

ALMEIDA, Maria Gorete de. A modernidade poética em Charles Baudelaire e em Walter Benjamin. 2005. Dissertação (Mestrado em Filosofia) – Centro de Humanidades, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2005.

BLY, Robert W. An oyster shell. Tradução de Fernando Paixão. In: JOHNSON, P. (org.) The best of prose poem: an international journal. New York: White Pine Press, 2000.

FALEIROS, Álvaro. O poema em prosa em foco. Estudos avançados, São Paulo, v. 29, n. 83, 2015.

GUERREIRO, Emanuel. O Romantismo como definição da modernidade literária. Literatura em Debate, Frederico Westphalen, v. 18, n. 31, p. 66-88, jan./ jun. 2023.

PAIXÃO, Fernando. Poema em prosa: poética da pequena reflexão. Estudos Avançados, São Paulo, v. 26, n. 76, 2012.

SOARES, Angélica. Gêneros literários. 7. ed. São Paulo: Ática, 2007.

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