Vim ou vir?

Por Guilherme Viana

Tanto a forma “vim” quanto a forma “vir” estão corretas, mas cada uma delas é usada em situações específicas. É preciso entender quando usar “vim” e “vir” adequadamente.

Jovem, com expressão de dúvida, olhando para o escrito “vim ou vir?”.
As palavras “vim” e “vir” existem, mas são usadas como conjugações diferentes.

Vim ou vir? As formas verbais “vim” e “vir” são duas formas existentes na língua portuguesa, mas são usadas em diferentes situações. Cada uma corresponde a conjugações específicas para casos distintos.

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Resumo sobre vim ou vir

  • Tanto “vim” quanto “vir” são formas verbais existentes na língua portuguesa.

  • “Vim” é uma conjugação no pretérito perfeito do indicativo do verbo “vir”. Está conjugado na 1ª pessoa do singular.

  • “Vir” pode ser a forma no infinitivo do verbo “vir”.

  • “Vir” pode, ainda, ser uma conjugação no futuro do subjuntivo do verbo “ver”. Essa forma corresponde à 1ª e à 3ª pessoa do singular.

Videoaula: Vim ou vir?

Vim ou vir: qual o correto?

Tanto a forma verbal “vim” quanto a forma verbal “vir” são formas verbais que existem na língua portuguesa. Porém, elas são usadas em contextos diferentes, para indicar conjugações distintas.

Quando usar corretamente “vim”?

A forma verbal “vim” é usada apenas em uma situação.

Pretérito perfeito do indicativo do verbo “vir”

Jovem mostrando que “vim” é o pretérito perfeito do indicativo do verbo “vir”.
A palavra “vim” é uma das conjugações do verbo “vir”.

A palavra “vim” é uma das conjugações do verbo “vir”. Ela indica que esse verbo está conjugado na primeira pessoa do singular (“eu”) e no tempo pretérito perfeito do modo indicativo. Se fosse conjugada no tempo futuro do presente do indicativo, seria substituída pela forma “virei”.

Veja exemplos a seguir:

Vim à exposição para conhecer os trabalhos apresentados nela.

Virei à exposição para conhecer os trabalhos apresentados nela.

Vim cedo para pegar um bom lugar.

Virei cedo para pegar um bom lugar.

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Quando usar corretamente “vir”?

Jovem mostrando que “vir” é o infinitivo do verbo “vir” e o futuro do subjuntivo do verbo “ver”.
A palavra “vir” pode ser uma forma nominal do verbo “vir” ou uma das conjugações do verbo “ver”.

A forma verbal “vir” é usada em duas ocasiões.

Infinitivo do verbo “vir”

A palavra “vir” é a própria forma nominal no infinitivo do verbo “vir”, podendo ser usada como um substantivo ou na conjugação do infinitivo impessoal. Veja nos exemplos a seguir:

É uma situação difícil, mas vir aqui era o único jeito de resolvê-la.

Ela não deve vir à próxima reunião.

Futuro do subjuntivo do verbo “ver”

A palavra “vir” também pode corresponder a uma conjugação do verbo “ver”. Trata-se da 1ª ou da 3ª pessoa do singular conjugada no futuro do modo subjuntivo. Veja nos exemplos a seguir:

Quando eu vir o resultado, sei que vou gostar.

Quando ele vir tudo o que vocês fazem na ausência dele, tudo mudará...

Nesses casos, basta trocar a conjugação no subjuntivo para saber se se trata de “vir”. Veja:

Se eu visse o resultado, iria gostar.

Se ele visse tudo o que vocês fazem na ausência dele, tudo mudaria...

Conjugação do verbo vir

Verbo “vir” no modo indicativo

presente

pretérito perfeito

pretérito imperfeito

eu venho

vim

vinha

tu vens

vieste

vinhas

ele/ela vem

veio

vinha

nós vimos

viemos

vínhamos

vós vindes

viestes

vínheis

eles/elas vêm

vieram

vinham

pretérito mais-que-perfeito

futuro do presente

futuro do pretérito

eu viera

virei

viria

tu vieras

virás

virias

ele/ela viera

virá

viria

nós viéramos

viremos

viríamos

vós viéreis

vireis

viríeis

eles/elas vieram

virão

viriam

 

Verbo “vir” no modo subjuntivo

presente

pretérito imperfeito

futuro

que eu venha

se eu viesse

quando eu vier

que tu venhas

se tu viesses

quando tu vieres

que ele/ela venha

se ele/ela viesse

quando ele/ela vier

que nós venhamos

se nós viéssemos

quando nós viermos

que vós venhais

se vós viésseis

quando vós vierdes

que eles/elas venham

se eles/elas viessem

quando eles/elas vierem

 

Verbo “vir” no modo imperativo

imperativo afirmativo

imperativo negativo

vem tu

não venhas tu

venha você

não venha você

venhamos nós

não venhamos nós

vinde vós

não venhais vós

Tirando algumas dúvidas

→ “Vai vir” ou “vai vim”: qual o correto?

Nesse contexto, o correto é “vai vir”, já que a palavra “vai” é seguida do verbo no infinitivo.

Meu filho vai vir aqui assim que puder.

→ “Pode vim” ou “pode vir”: qual o correto?

Nesse caso, o correto é “pode vir”, já que se trata do verbo no infitivo. Exemplo:

Ele pode vir à minha festa, se quiser.

Veja também: Peço ou pesso?

Exercícios resolvidos sobre vim ou vir

Questão 1

(FCC) Texto para a questão.

Estradas e viajantes

A linguagem nossa de cada dia pode ser altamente expressiva. Não sei até quando sobreviverão expressões, ditados, fórmulas proverbiais, modos de dizer que atravessaram o tempo falando as coisas de um jeito muito especial, gostoso, sugestivo. Acabarão por cair todas em desuso numa época como a nossa, cheia de pressa e sem nenhuma paciência, ou apenas se renovarão?

Algumas expressões são tão fortes que resistem aos séculos. Haverá alguma língua que não estabeleça formas de comparação entre vida e viagem, vida e caminho, vida e estrada? O grande Dante já começava a Divina Comédia com “No meio do caminho de nossa vida...”. Se a vida é uma viagem, a grande viagem só pode ser... a morte, fim do nosso caminho. “Ela partiu”, “Ele se foi”, dizemos. E assim vamos seguindo...

Quando menino, ouvia com estranheza a frase “Cuidado, tem boi na linha”. Como não havia linha de trem nem boi por perto, e as pessoas olhavam disfarçadamente para mim, comecei a desconfiar, mas sem compreender, que o boi era eu; mas como assim? Mais tarde vim a entender a tradução completa e prosaica: “suspendamos a conversa, porque há alguém que não deve ouvi-la”. Uma outra expressão pitoresca, que eu já entendia, era “calça de pular brejo” ou “calça de atravessar rio”, no caso de pernas crescidas ou calças encolhidas, tudo constatado antes de pegar algum caminho.

Já adulto, vim a dar com o termo “passagem”, no sentido fúnebre. “Passou desta para melhor”. Situação difícil: “estar numa encruzilhada”. Fim de vida penoso? “Também, já está subindo a ladeira dos oitenta...” São incontáveis os exemplos, é uma retórica inteira dedicada a imagens como essas. Obviamente, os poetas, especialistas em imagens, se encarregam de multiplicá-las. “Tinha uma pedra no meio do caminho”, queixou-se uma vez, e para sempre, o poeta Carlos Drummond de Andrade, fornecendo-nos um símbolo essencial para todo e qualquer obstáculo que um caminhante fatalmente enfrenta na estrada da vida, neste mundo velho sem porteira...

(Peregrino Solerte, inédito)

Transpondo-se para a voz passiva a construção Mais tarde vim a entender a tradução completa, a forma verbal resultante será:

A) veio a ser entendida.

B) teria entendido.

C) fora entendida.

D) terá sido entendida.

E) tê-la-ia entendido.

Resolução:

Alternativa A

Sabendo que “vim” é uma das conjugações do verbo “vir”, para transpor “vim a entender a tradução” para a voz passiva, seria necessário manter o verbo “vir” na transposição, gerando “a tradução veio a ser entendida (por mim)”.

Questão 2

(Consulplan) Texto para a questão.

Missa do Galo (excertos)

Nunca pude esquecer a conversação que tive com uma senhora, há muitos anos, contava eu dezessete, ela trinta. Era noite de Natal. Havendo ajustado com um vizinho irmos à missa do galo, preferi não dormir; combinei que eu iria acordá-lo à meia-noite.

A casa em que eu estava hospedado era a do escrivão Meneses, que fora casado, em primeiras núpcias, com uma de minhas primas. A segunda mulher, Conceição, e a mãe desta acolheram-me bem, quando vim de Mangaratiba para o Rio de Janeiro, meses antes, a estudar preparatórios. Vivia tranquilo, naquela casa assobradada da Rua do Senado, com os meus livros, poucas relações, alguns passeios. A família era pequena, o escrivão, a mulher, a sogra e duas escravas. Costumes velhos. Às dez horas da noite toda a gente estava nos quartos; às dez e meia a casa dormia. Nunca tinha ido ao teatro, e mais de uma vez, ouvindo dizer ao Meneses que ia ao teatro, pedi-lhe que me levasse consigo. Nessas ocasiões, a sogra fazia uma careta, e as escravas riam à socapa; ele não respondia, vestia-se, saía e só tornava na manhã seguinte. Mais tarde é que eu soube que o teatro era um eufemismo em ação. Meneses trazia amores com uma senhora, separada do marido, e dormia fora de casa uma vez por semana. Conceição padecera, a princípio, com a existência da comborça; mas, afinal, resignara-se, acostumara-se, e acabou achando que era muito direito.

Boa Conceição! Chamavam-lhe “a santa”, e fazia jus ao título, tão facilmente suportava os esquecimentos do marido. Em verdade, era um temperamento moderado, sem extremos, nem grandes lágrimas, nem grandes risos. No capítulo de que trato, dava para maometana; aceitaria um harém, com as aparências salvas. Deus me perdoe, se a julgo mal. Tudo nela era atenuado e passivo. O próprio rosto era mediano, nem bonito nem feio. Era o que chamamos uma pessoa simpática. Não dizia mal de ninguém, perdoava tudo. Não sabia odiar; pode ser até que não soubesse amar.

(ASSIS, Machado de. Missa do Galo. In Contos Consagrados – Rio de Janeiro: Ediouro; São Paulo: Publifolha, 1997. P. 75)

“... quando vim de Mangaratiba para o Rio de Janeiro...” (2º§) — o verbo desse segmento aparece também na frase:

A) Se o vir, fale com ele.

B) Todos viram o que ela fez.

C) Quando o vimos, ele estava abatido.

D) Ficaremos tranquilos se o virmos com você.

E) Nós vimos aqui para rezar.

Resolução:

Alternativa E

Trata-se, nos dois casos, de conjugações do verbo “vir”. 

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