50 erros de português mais comuns

Os erros de português mais comuns são desvios gramaticais que envolvem ortografia, concordância, regência, crase e a pronúncia de algumas palavras que são semelhantes.

Por Guilherme Viana

Dois quadros com exemplos de frases com os erros de português mais comuns.

  Os 50 erros de português mais comuns listados neste texto mostram que a língua portuguesa tem muitas palavras que são parecidas na escrita ou na pronúncia e que existem algumas regras de concordância específicas, casos de regência e usos que costumam gerar dúvidas no dia a dia. A seguir, veja quais são esses erros e saiba como não cometê-los mais.

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50 erros de português mais comuns

1. Uso incorreto de MAL e MAU

“Mal”, com L, é o contrário de bem. “Mau”, com U, é o contrário de bom.

Exemplos:

  • Certo: Eu fui muito mal na prova. (oposto de: Eu fui muito bem na prova.)

  • Errado: Eu fui muito mau na prova.

  • Certo: Isso é um mau exemplo para você. (oposto de: Isso é um bom exemplo para você.)

  • Errado: Isso é um mal exemplo para você.

2. Uso incorreto de MAS e MAIS

“Mas” indica uma oposição, tem o mesmo sentido de “porém”. “Mais” indica quantidade ou intensidade, sendo o contrário de “menos”.

Exemplos:

  • Certo: Queria sair, mas estava chovendo. (ou: Queria sair. Porém, estava chovendo.)

  • Errado: Queria sair, mais estava chovendo.

  • Certo: Preciso de mais tempo. (oposto de: Preciso de menos tempo.)

  • Errado: Preciso de mas tempo.

3. Uso incorreto de HAVER e A VER

“Haver” é verbo, sinônimo de “existir” ou “ocorrer”. “A ver” é uma expressão que indica relação com algo.

Exemplos:

  • Certo: Pode haver alguma mudança no horário. (ou: Pode ocorrer alguma mudança no horário.)

  • Errado: Pode a ver alguma mudança no horário.

  • Certo: Isso não tem nada a ver comigo. (ou: Isso não tem nenhuma relação comigo.)

  • Errado: Isso não tem nada haver comigo.

4. Trocar MENOS por MENAS

O advérbio “menos” não varia em gênero. Portanto, a forma “menas” não existe e não é aceita pela norma-padrão.

Exemplos:

  • Certo: Havia menos pessoas na sala.

  • Errado: Havia menas pessoas na sala.

5. Uso incorreto de PERCA e PERDA

“Perca” é uma forma conjugada do verbo “perder”. Já a palavra “perda” é um substantivo. Exemplos:

  • Certo: Não perca o prazo de inscrição! (verbo)

  • Errado: Não perda o prazo de inscrição!

  • Certo: A perda do documento causa problemas. (substantivo)

  • Errado: A perca do documento causa problemas.

6. Uso incorreto de VIAGEM e VIAJEM

A palavra “viagem”, com G, é substantivo, e “viajem”, com J, é uma forma conjugada do verbo “viajar”.

Exemplos:

  • Certo: A viagem foi tranquila. (substantivo)

  • Errado: A viajem foi tranquila.

  • Certo: Espero que eles viajem para onde querem. (verbo)

  • Errado: Espero que eles viagem para onde querem.

7. Uso incorreto de A GENTE e AGENTE

“A gente”, escrito separado, equivale ao pronome “nós”. “Agente”, escrito junto, é um substantivo. Exemplos:

  • Certo: A gente vai estudar hoje. (ou: Nós vamos estudar hoje.)

  • Errado: Agente vai estudar hoje.

  • Certo: O agente de saúde visitou a escola.

  • Errado: O a gente de saúde visitou a escola.

8. Uso incorreto de HOUVE ou HOUVERAM

Quando o verbo “haver” tem sentido de “existir” ou “ocorrer”, ele permanece no singular, pois é impessoal.

Veja:

  • Certo: Houve problemas, mas resolvemos todos.
    (Ocorreram problemas, mas resolvemos todos.)

  • Errado: Houveram problemas, mas resolvemos todos.

Atenção! A forma “houveram” ocorre especificamente quando tiver sentido de “obter” ou como auxiliar de “ter”.

Exemplos:

  • Certo: As crianças houveram de se comportar para conseguirem as recompensas.

(As crianças tiveram de se comportar para conseguirem as recompensas.)

  • Errado: As crianças houve de se comportar para conseguirem as recompensas.

9. Uso incorreto de FAZ e FAZEM

Quando indica tempo decorrido, o verbo “fazer” permanece no singular.

Exemplos:

  • Certo: Faz três anos que estudo aqui. (tempo decorrido)

  • Errado: Fazem três anos que estudo aqui.

Quando o verbo “fazer” indica a ação de executar algo, pode aparecer no plural, concordando com o sujeito da oração.

  • Certo: Eles fazem várias tarefas ao mesmo tempo. (fazer = executar)

  • Errado: Eles faz várias tarefas ao mesmo tempo.

10. Usar crase antes de pronomes pessoais

Não ocorre crase antes de pronomes pessoais, como “ele”, “ela”, “nós”.

Exemplos:

  • Certo: Entreguei o documento a ele/ a ela.

  • Errado: Entreguei o documento à ele/ à ela.

11. Usar crase antes de “você”

Não ocorre crase antes do pronome de tratamento “você”.

Exemplos:

  • Certo: Desejamos a você uma excelente tarde.

  • Errado: Desejamos à você uma excelente tarde.

12. Usar crase antes de verbo

Não se usa crase antes de verbo.

Exemplos:

  • Certo: Estamos dispostos a ajudar.

  • Errado: Estamos dispostos à ajudar.

13. Ausência de crase em “àquele”

O pronome demonstrativo “aquele” pode receber crase quando há junção da preposição “a” com o “a” inicial desse pronome.

Exemplos:

  • Certo: Ele entregou o material àquele funcionário.

  • Errado: Ele entregou o material aquele funcionário.

  • Certo: A cientista fez referência àquela pesquisa.

  • Errado: A cientista fez referência aquela pesquisa.

13. Gerundismo

O gerúndio só deve ser usado para indicar ações em progresso. O uso inadequado do gerúndio é chamado de gerundismo por soar artificial, repetitivo e exagerado.

Exemplos:

  • Certo: Estou finalizando agora o relatório.

  • Errado: Vou estar finalizando o relatório em algumas horas.

14. Pleonasmo vicioso

Expressões redundantes resultam em repetição desnecessária de uma ideia.

Exemplos:

  • Certo: Ela entrou no banco há pouco tempo.

  • Errado: Ela entrou dentro do banco há pouco tempo.

15. Uso incorreto de MEIO e MEIA

Quando a palavra “meio” é advérbio, com sentido de “um pouco”, ela não varia ou flexiona.

Exemplos:

  • Certo: Ela estava meio desatenta na aula. (Ela estava um pouco desatenta na aula.)

  • Errado: Ela estava meia desatenta na aula.

A palavra meia” é o feminino de “meio” apenas quando indica metade.

  • Certo: Ainda é meio-dia e meia (hora)?

  • Errado: Ainda é meio-dia e meio?

16. Uso incorreto de OBRIGADO e OBRIGADA

Quem agradece deve concordar com o próprio gênero.

Exemplos:

  • Certo: Maria disse: “Muito obrigada, vovó!”.
    Cláudio disse: “Muito obrigado, vovó!”.

  • Errado: Maria disse: “Muito obrigado, vovó!”.
    Cláudio disse: “Muito obrigada, vovó!”.

17. Uso incorreto de ANEXO e EM ANEXO

A palavra “anexo” pode variar quando funciona como adjetivo. A expressão “em anexo” costuma ser invariável.

Exemplos:

  • Certo: Seguem anexos os documentos./ Segue anexa a carta.

  • Errado: Segue anexo os documentos./ Segue anexo a carta.

  • Certo: Seguem em anexo as imagens./ Segue em anexo a carta.

  • Errado: Seguem em anexas as imagens./ Segue em anexa a carta.

18. Uso incorreto de ONDE e AONDE

“Onde” indica um lugar fixo, ideia de localização. “Aonde” indica movimento e, geralmente, é usado com verbos como “ir”, “chegar” e “levar”, que exigem a preposição “a” (chegar a/ ir a/ levar a).

Exemplos:

  • Certo: Onde você mora? (em que lugar)

  • Errado: Aonde você mora?

  • Certo: Aonde você chegou? (a qual lugar)

  • Errado: Onde você chegou?

19. Uso incorreto de ESSE e ESTE

O pronome “este” indica proximidade de quem fala ou algo que ainda será mencionado. “Esse” indica algo próximo de quem ouve ou algo já mencionado anteriormente.

Exemplos:

  • Certo: Este é o problema: faltam dados.

  • Errado: Esse é o problema: faltam dados.

  • Certo: Gostei do seu texto. Esse argumento ficou ótimo.

  • Errado: Gostei do seu texto. Este argumento ficou ótimo.

20. Uso incorreto de EM VEZ DE e AO INVÉS DE

A expressão “em vez de” indica substituição. “Ao invés de” indica oposição ou uma ideia contrária a outra.

Exemplos:

  • Certo: Fui ao cinema em vez de ir ao teatro. (em lugar de)

  • Errado: Fui ao cinema ao invés de ir ao teatro.

  • Certo: Ao invés de subir, o elevador desceu. (ao contrário de)

  • Errado: Em vez de subir, o elevador desceu.

21. Uso incorreto de HÁ e A

“Há”, escrito com H e acento, é uma forma verbal que indica tempo passado ou existência. Já a palavra “a”, escrita sem H e sem acento, indica tempo futuro ou distância.

Exemplos:

  • Certo: Estudo aqui dois anos. (tempo passado)

  • Errado: Estudo aqui a dois anos.

  • Certo: A prova será daqui a duas semanas. (tempo futuro)

  • Errado: A prova será daqui duas semanas.

22. Uso incorreto de AFIM e A FIM

“Afim”, escrito junto, é um adjetivo que pode flexionar para o plural e indica semelhança. “A fim”, escrito separado, é uma expressão que acompanha a preposição “de” e indica finalidade.

Exemplos:

  • Certo: Nós temos um interesse afim./ Nós temos interesses afins. (semelhança)

  • Errado: Nós temos um interesse a fim.

  • Certo: Estudei a fim de passar no concurso. (finalidade)

  • Errado: “Estudei afim de passar no concurso.

23. Uso incorreto de SE NÃO e SENÃO

“Se não”, escrito separado, é uma expressão que equivale a “caso não”. “Senão”, escrito junto, é uma palavra que pode significar “do contrário”, “mas sim” ou “exceto”.

Exemplos:

  • Certo: Se não chover, iremos ao parque. (Caso não chova, iremos ao parque.)

  • Errado: Senão chover, iremos ao parque.

  • Certo: Estude; senão, terá dificuldades. (Estude; do contrário, terá dificuldades.)

  • Errado: Estude, se não terá dificuldades.

24. Uso incorreto de POR QUE (separado) e PORQUE (junto)

“Por que”, escrito separado e sem acento, é usado em perguntas diretas ou indiretas. “Porque”, escrito junto e sem acento, introduz explicações ou motivos.

Exemplos:

  • Certo: Por que você faltou ontem? (pergunta: por qual motivo)

  • Errado: Porque você faltou ontem?

  • Certo: Faltei porque eu fui ao médico. (explicação: pois, em razão de que, visto que)

  • Errado: Faltei por que eu fui ao médico.

25. Uso incorreto de POR QUE (sem acento) e POR QUÊ (com acento)

“Por que”, escrito separado e sem acento, aparece em qualquer parte de uma pergunta direta ou indireta, menos no final. “Por quê”, separado e com acento, aparece apenas no fim de uma pergunta direta ou indireta.

Exemplos:

  • Certo: Você faltou por que ontem? (sem acento – início ou meio da frase)

  • Errado: Você faltou por quê ontem?

  • Certo: Você faltou ontem por quê? (com acento – final da frase)

  • Errado: Você faltou ontem por que?

26. Uso incorreto de PORQUE e PORQUÊ

“Porque”, escrito junto e sem acento, é uma conjunção que introduz uma explicação de algo. “Porquê”, escrito junto e com acento, é um substantivo, sinônimo de “razão” ou “motivo”. Exemplos:

  • Certo: Eu não vim, porque tive um imprevisto. (explicação: pois, em razão de que)

  • Errado: Eu não vim, porquê tive um imprevisto.

  • Certo: O porquê de eu não ter vindo foi um imprevisto. (substantivo: o motivo)

  • Errado: O porque de eu não ter vindo foi um imprevisto.

27. Uso incorreto de TRAZ e TRÁS

“Traz”, escrito sem acento e com Z, é uma forma do verbo “trazer”. “Trás”, escrito com acento e com S, indica a parte posterior de algo.

Exemplos:

  • Certo: Ela traz boas notícias. (verbo trazer)

  • Errado: Ela trás boas notícias.

  • Certo: O cachorro ficou por trás da porta. (atrás, na parte posterior)

  • Errado: O cachorro ficou por traz da porta.

28. Trocar SEJA por SEJE

“Seja” é a forma verbal aceita pela norma-padrão, refere-se a um imperativo do verbo ser. A palavra “seje” não é aceita pela norma-padrão.

Exemplos:

  • Certo: Seja menos intenso, por favor.

  • Errado: Seje menos intenso, por favor.

29. Uso incorreto de AO ENCONTRO DE e DE ENCONTRO A

As duas expressões existem, mas tem significados contrários. “Ao encontro de” indica concordância ou aproximação. “De encontro a” indica oposição ou choque. Portanto, dependendo do que se quer expressar, o correto é usar:

  • Sua proposta vai ao encontro de nossas ideias. (está em concordância, é favorável a)

  • Sua proposta vai de encontro a nossas ideias. (está em discordância ou oposição)

Veja outro exemplo:

  • Certo: O carro foi de encontro ao muro. (chocou-se contra)

  • Errado: O carro foi ao encontro do muro.

30. Uso incorreto de A PRINCÍPIO e EM PRINCÍPIO

“A princípio”, significa “inicialmente”. “Em princípio” significa “em tese”, “de modo geral”.

Veja os exemplos:

  • Certo: A princípio, foi necessário mapear o problema. (inicialmente)

  • Errado: Em princípio, foi necessário mapear o problema.

  • Certo: Em princípio, eu concordo com tudo o que você falou. (de modo geral)

  • Errado: A princípio, eu concordo com tudo o que você falou.

31. Uso incorreto de RATIFICAR e RETIFICAR

A palavra “ratificar” significa “confirmar” e “retificar” significa “corrigir”.

Exemplos:

  • A diretora ratificou a decisão tomada na assembleia. (confirmou)

  • O aluno retificou a resposta para resolver o erro. (corrigiu)

32. Uso incorreto de DESCRIMINAR e DISCRIMINAR

“Descriminar” significa “deixar de considerar crime”. “Discriminar” significa “diferenciar” ou “tratar alguém de forma diferente, preconceituosa”.

Exemplos:

  • Certo: O projeto de lei propõe descriminar determinada conduta. (deixar de considerar crime)

  • Errado: O projeto propõe discriminar determinada conduta.

  • Certo: É crime discriminar pessoas. (tratar de forma preconceituosa)

  • Errado: É crime descriminar pessoas.

33. Uso incorreto de COMPRIMENTO e CUMPRIMENTO

“Comprimento” indica tamanho ou extensão. “Cumprimento” indica uma saudação a alguém ou execução de algo.

Exemplos:

  • Certo: O comprimento da mesa é de dois metros. (tamanho/ extensão)

  • Errado: O cumprimento da mesa é de dois metros.

  • Certo: Ele recebeu um cumprimento educado. (saudação)

  • Errado: Ele recebeu um comprimento educado.

34. Uso incorreto de SESSÃO e SEÇÃO

“Sessão”, com SS, é uma reunião ou o período de uma atividade. “Seção”, com Ç, é uma divisão ou parte de algo.

Exemplos:

  • Certo: A minha sessão de terapia é às 17. (reunião)

  • Errado: A minha seção de terapia é às 17.

  • Certo: A seção de atendimento aos alunos fica na sala ao lado. (parte)

  • Errado: A sessão de atendimento aos alunos fica na sala ao lado.

35. Uso incorreto de EMINENTE e IMINENTE

“Eminente” significa “importante”, “notável”. “Iminente” significa “prestes a ocorrer”.

Exemplos:

  • Certo: Ele é um pesquisador eminente. (notável)

  • Errado: Ele é um pesquisador iminente.

  • Certo: Cuidado! O risco desse balanço quebrar é iminente! (prestes a acontecer)

  • Errado: Cuidado! O risco desse balanço quebrar é eminente!

36. Uso incorreto de TRÁFEGO e TRÁFICO

“Tráfego” é a circulação de veículos, pessoas ou dados. “Tráfico” é o comércio ilegal.

Exemplos:

  • Certo: Vamos demorar a chegar, pois o tráfego está intenso.

  • Errado: Vamos demorar a chegar, pois o tráfico está intenso.

  • Certo: O tráfico de drogas é crime.

  • Errado: O tráfego de drogas é crime.

37. Uso incorreto de FLAGRANTE e FRAGRANTE

“Flagrante” indica algo evidente ou presenciado no momento. A palavra “fragrante” é a característica do que tem cheiro agradável.

Exemplos:

  • Certo: Ela foi pega em flagrante, no ato do crime.

  • Errado: Ela foi pega em fragrante, no ato do crime.

  • Certo: O jardim estava fragrante após a chuva.

  • Errado: O jardim estava flagrante após a chuva.

38. Uso incorreto de MANDADO e MANDATO

“Mandado” é uma ordem judicial. “Mandato” é o período de exercício de um cargo.

Exemplos:

  • Certo: O juiz expediu um mandado contra o dono da loja. (ordem judicial)

  • Errado: O juiz expediu um mandato contra o dono da loja.

  • Certo: O prefeito cumpriu seu mandato adequadamente. (exercício do cargo)

  • Errado: O prefeito cumpriu seu mandado adequadamente.

39. Uso incorreto de EMIGRAR e IMIGRAR

Emigrar” é mudar-se definitivamente, saindo de uma região para outra. “Imigrar” é entrar em outra região para viver.

Exemplos:

  • Muitos brasileiros emigraram do Brasil para outros países. (saíram)

  • Muitos brasileiros imigraram para outros países no ano passado. (entraram)

  • Muitos estrangeiros emigraram de outros países para o Brasil. (saíram)

  • Muitos estrangeiros imigraram para o Brasil nos últimos anos. (entraram)

40. Uso incorreto de INFLAÇÃO e INFRAÇÃO

“Inflação” é o aumento geral de preços. “Infração” é a violação de uma regra ou lei.

Exemplos:

  • Certo: A inflação aumentou muito durante aquele período no país.

  • Errado: A infração aumentou muito durante aquele período no país.

  • Certo: O motorista cometeu uma infração de trânsito.

  • Errado: O motorista cometeu uma inflação de trânsito.

41. Uso incorreto do verbo ASSISTIR

No sentido de “ver” ou “presenciar”, o verbo “assistir” pede a preposição “a”. No sentido de “auxiliar”, o verbo “assistir” não exige nenhuma preposição.

Exemplos:

  • Certo: Assisti ao filme ontem. (ver, presenciar: com preposição “a”)

  • Errado: Assisti o filme ontem.

  • Certo: Assisti o médico durante a cirurgia. (auxiliar: sem preposição)

  • Errado: Assisti ao médico durante a cirurgia.

42. Trocar CHEGAR A por CHEGAR EM

Na norma-padrão, com indicação de destino, o verbo “chegar” é regido pela preposição “a”.

Exemplos:

  • Certo: Cheguei à escola cedinho.

  • Errado: Cheguei na escola cedinho.

  • Certo: Todos chegaram ao trabalho no horário.

  • Errado:Todos chegaram no trabalho no horário.

43. Trocar PREFERIR...A por PREFERIR...DO QUE

Segundo a norma-padrão, o verbo “preferir”, em comparações, é regido pela preposição “a”.

Exemplos:

  • Certo: Prefiro café a chá.

  • Errado: Prefiro café do que chá.

  • Certo: Ela prefere ficar em casa a sair para passear.

  • Errado: Ela prefere ficar em casa do que sair para passear.

44. Uso incorreto do verbo NAMORAR

Na norma-padrão, o verbo “namorar” não é regido por preposição.

Exemplos:

  • Certo: Ela namora o Pedro.

  • Errado: Ela namora com o Pedro.

  • Certo: João namorou Ana por dois anos.

  • Errado: João namorou com Ana por dois anos.

45. Usar o verbo OBEDECER sem preposição

O verbo “obedecer” é regido pela preposição “a”.

Exemplos:

  • Certo: As crianças obedeceram a seus pais.

  • Errado: As crianças obedeceram seus pais.

  • Certo: É preciso obedecer às regras.

  • Errado: É preciso obedecer as regras.

46. Dizer IMPLICAR EM

No sentido de “acarretar” ou “ter como consequência”, o verbo “implicar” não exige preposição. Exemplos:

  • Certo: Essa decisão implica mudanças importantes.

  • Errado: Essa decisão implica em mudanças importantes.

47. Uso incorreto de BASTANTE e BASTANTES

“Bastante” é invariável quando tiver função de advérbio”, mas é variável quando tiver função de pronome.

Exemplos:

  • Certo: Havia bastantes alunos na sala. (pronome indefinido: muitos)

  • Errado: Havia bastante alunos na sala.

  • Certo: Eles estudaram bastante. (advérbio, não flexiona)

  • Errado: Eles estudaram bastantes.

48. Usar MESMO como pronome

A palavra “mesmo” não deve ser usada para retomar um termo como se fosse um pronome. Prefira usar “ele”, “ela” etc.

Exemplos:

  • Certo: Antes de entrar no elevador, verifique se ele se encontra parado neste andar.

  • Errado: Antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se parado neste andar.

49. Trocar ENTRE MIM E VOCÊ por ENTRE EU E VOCÊ

Depois de preposição, usa-se pronomes oblíquos, como “mim”, e não pronomes pessoais, como “eu”.

Exemplos:

  • Certo: Isso deve ficar entre mim e você.

  • Errado: “Isso deve ficar entre eu e você.

50. Trocar PARA EU FAZER por PARA MIM FAZER

Quando o pronome “eu” funciona como sujeito de um verbo, deve-se usar o pronome do caso reto, como “eu”, e não o pronome do caso oblíquo, como “mim”. Exemplos:

  • Certo: Falta pouco para eu terminar isso.

  • Errado: Falta pouco para mim terminar isso.

Fontes

AZEREDO, José Carlos de. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa. São Paulo: Parábola, 2021.

BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 38ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015.

CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2020.

CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. 7ª ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2016.  

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