Os verbos de ligação e suas minuciosidades

Por Vânia Maria do Nascimento Duarte

Em meio ao aprendizado dos fatos linguísticos conferidos pela gramática, comumente deparamos com uma exposição um tanto quanto estereotipada por parte dos educadores. E em consequência deste procedimento, obtém-se nada menos que a famosa “decoreba” por parte dos educandos, uma vez que estes apenas internalizam uma dada informação, tornando-se incapazes de analisar um termo visto sob uma ótica contextual.

Uma situação que bem ilustra a presente afirmativa é simples, simples. Bastando para isso que recorramos ao caso do sujeito e predicado. “O sujeito vem antes do predicado”.
Ora, será mesmo que não poderá vir antes?

Atormentada a aluna estava.
E aí, como explicar a ocorrência?

Servimo-nos destes pressupostos para evidenciarmos de forma plena o tema em questão, o qual também se adequa a essa mesma situação. Muitas vezes temos a noção de que os verbos de ligação são apenas representados por “ser, estar, permanecer, ficar”. Mas, afinal, por que são assim denominados?

Diante dessa perspectiva, engajar-nos-emos rumo a mais uma descoberta, tendo como suporte o exemplo supracitado:

A aluna estava atormentada. Analisando-a, levando-se em consideração suas características sintáticas, obteríamos:

A aluna – sujeito simples
estava – verbo estar (de ligação)
atormentada – predicativo do sujeito.

Esses dois últimos termos representam o ponto-chave de nossa discussão, pois o referido verbo (estar) ocupou-se da função de ligar o sujeito a uma qualidade (atormentada) – motivo de ele assim se caracterizar. Percebeu como se torna fácil ao optarmos por uma análise mais aprofundada em detrimento a meros superficialismos?

Pois bem, ainda há outros pormenores aos quais devemos uma merecida atenção – o fato de os verbos de ligação exprimirem distintas características em relação ao sujeito. Vejamo-las, portanto:

* Estado permanente representado pelos verbos ser, viver.
Exemplos:

Carlos é estudioso. (ele possui sempre essa característica)
Pedro vive alegre. (idem à prerrogativa anterior)

* Estado transitório – verbos estar, andar, achar-se, encontrar-se.

Ex: Minha melhor amiga encontra-se doente. (constatamos que se trata de algo momentâneo, mas que irá passar)

* Estado mutatório – verbos ficar, virar, tornar-se, fazer-se.

Ex: Mariana ficou bonita, sem ao menos percebermos. (literalmente, identificamos uma mudança advinda do próprio sujeito)

* Estado de continuidade – verbos continuar, permanecer.

Ex: Fabiana continua eufórica. (aqui, notamos que se trata de algo ininterrupto)

* Estado aparente – verbo parecer.

Você parece preocupada. (revela-se pela impressão que temos do próprio sujeito)

Observações passíveis de nota:

Como dito anteriormente, a análise contextual é de suma importância para que possamos identificar de fato qual a posição ocupada por um determinado verbo, pois, dependendo do enunciado em que se encontra inserido, pode desempenhar outra posição, diferente da convencional. Assim, temos:

* O verbo “ser” pode também ser intransitivo quando seu significado se equivaler a “realizar-se”, “ocorrer”, acompanhado sempre de um adjunto adverbial de tempo ou lugar.

Ex: A solenidade de formatura será no Central Park.
Sujeito |verbo intransitivo | adjunto adverbial de lugar


* Os verbos, ser, estar, permanecer, ficar e continuar classificar-se-ão como intransitivos quando indicarem posição do sujeito em um dado lugar.

Ex: Os candidatos permanecem na sala de provas.
Sujeito | verbo intransitivo | adjunto adverbial de lugar


* Em determinados contextos linguísticos, haverá a possibilidade de os verbos transitivos e intransitivos ocuparem o posto de verbo de ligação.

Ex: Aqui a menina vira um anjo.

aqui - adjunto adverbial de lugar
a menina – sujeito
vira – verbo transitivo direto
um anjo – objeto direto

* O predicativo do sujeito também poderá ocorrer com verbos intransitivos ou transitivos.

Ex: A aluna, atormentada, caminhava pela escola.
Sujeito |predicativo | verbo intransitivo

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