Julio Cortázar

Por Warley Souza

Julio Cortázar, escritor argentino, nasceu em 26 de agosto de 1914, na Bélgica, pois seu pai era diplomata. Foi professor, tradutor e um crítico da política nacionalista, populista e autoritária da Argentina dos anos 1940. Assim, em 1951, foi viver na França e, décadas depois, adquiriu nacionalidade francesa, em protesto contra a ditadura militar argentina.

O escritor, que faleceu em 12 de fevereiro de 1984, em Paris, fez parte do boom latino-americano, movimento literário ocorrido nos anos 1960 e 1970. Suas obras, portanto, são caracterizadas pela profundidade psicológica, fluxos de consciência e fragmentação. Algumas delas apresentam traços de realismo mágico ou fantástico.

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Biografia de Julio Cortázar

Julio Cortázar, em 1967.
Julio Cortázar, em 1967.

Julio Cortázar foi um autor argentino. Ele nasceu em 26 de agosto de 1914, na Bélgica, pois o pai era diplomata. Após a Primeira Guerra Mundial, a sua família voltou a viver na Argentina. Aproximadamente dois anos depois, seus pais separaram-se. Na infância, o menino tinha uma saúde frágil, devido à asma e à bronquite, o que o impossibilitava de sair de casa. No entanto, o escritor, que aprendeu a ler com dois anos de idade, passava o tempo com os livros.

Mais tarde, tornou-se professor e, em 1938, publicou, com o pseudônimo de Julio Denis, a sua primeira obra — Presença —, um livro de sonetos. Em 1943, o Grupo de Oficiais Unidos (GOU), formado por militares com tendências nacionalistas e fascistas, deu um golpe de estado, depôs o presidente Ramón Castillo (1873-1944) e governou o país até 1946. Tal governo era apoiado pela Igreja Católica.

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Nessa época, Cortázar trabalhava como professor no município de Chivilcoy, e negou-se a beijar o anel do bispo de Mercedes quando o religioso visitou a escola. Por isso, teve que renunciar ao cargo em 1944. Além disso, como professor de Literatura da Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Cuyo, com outros professores e alunos, realizou um protesto de cinco dias contra o governo.

Essa sua ação obrigou-o a renunciar também a esse trabalho, em 1945. Voltou, então, para Buenos Aires e ocupou o cargo de gerente da Câmara Argentina do Livro. Entretanto, em 1951, descontente com o peronismo — governo de caráter populista e autoritário —, decidiu exilar-se na França, onde trabalhou como tradutor da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Só obteve sucesso como escritor com a publicação do romance O jogo da amarelinha, em 1963. Nessa mesma década, declarou apoio ao governo do cubano Fidel Castro (1926-2016), além de participar do Tribunal Internacional Russel, que investigou crimes contra os direitos humanos na Guerra do Vietnã. Em 1981, em protesto contra a ditadura militar argentina, optou pela nacionalidade francesa. Morreu anos depois, em 12 de fevereiro de 1984, em Paris.

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Características literárias de Julio Cortázar

O boom latino-americano foi um movimento literário ocorrido nos anos 1960 e 1970. Era caracterizado pelo sucesso, inclusive de vendas, de autores latino-americanos na Europa e em outras partes do mundo. Julio Cortázar foi um desses escritores. Suas obras, portanto, apresentam um estilo próprio ou uma identidade latino-americana, distinta da europeia.

Sua narrativa apresenta personagens com profundidade psicológica, manifestada por meio dos fluxos de consciência, isto é, da manifestação de pensamentos dos protagonistas, que, como se fossem seres de carne e osso, vivem imersos em conflitos e dores existenciais. Além disso, questões sociopolíticas interferem na ação, de forma a mostrar não só o caráter individual, mas também social, de personagens latino-americanos.

O realismo mágico ou fantástico é uma característica que Cortázar compartilha com outros escritores do boom. Assim, o dia a dia dos personagens é entremeado por acontecimentos extraordinários, absurdos, misteriosos e sem sentido. No entanto, tais fatos são integrados naturalmente às suas rotinas, sem estranhamento, a não ser o do(a) leitor(a).

No aspecto estrutural, ou seja, de composição da narrativa, sobressai-se a experimentação. Um exemplo disso é o romance O jogo da amarelinha, o qual permite que o(a) leitor(a) escolha a maneira de ler a obra. No mais, as narrativas de Cortázar são fragmentadas, sem compromisso com a linearidade temporal, e dialogam com outros gêneros textuais, podendo apresentar um caráter mais lírico ou mesmo ensaístico, já que focadas na argumentação.

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Principais obras de Julio Cortázar

Capa do livro “O jogo da amarelinha”, de Julio Cortázar, publicado pela editora Companhia das Letras.[1]
Capa do livro “O jogo da amarelinha”, de Julio Cortázar, publicado pela editora Companhia das Letras.[1]
  • Presença (1938)
  • A outra margem (1945)
  • Bestiário (1951)
  • Final do jogo (1956)
  • As armas secretas (1959)
  • Os prêmios (1960)
  • Histórias de cronópios e de famas (1962)
  • O jogo da amarelinha (1963)
  • Todos os fogos o fogo (1966)
  • A volta ao dia em oitenta mundos (1967)
  • 62: modelo para armar (1968)
  • Último round (1968)
  • Prosa do observatório (1972)
  • Livro de Manuel (1973)
  • Octaedro (1974)
  • Silvalândia (1975)
  • Alguém que anda por aí (1977)
  • Um tal Lucas (1979)
  • Queremos tanto a Glenda (1980)
  • Desoras (1982)
  • Salvo o crepúsculo (1984)

Crédito da imagem

[1] Companhia das Letras (reprodução)

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