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Como fazer a redação do Enem?

A redação do Enem deve ser feita com base na estrutura dissertativo-argumentativa e deve apresentar proposta de intervenção e repertório sociocultural.

Por Mariana Carvalho Machado Cortes

Passo a passo sobre como fazer a redação do Enem.
Passo a passo para fazer a redação do Enem.
Crédito da Imagem: Gabriel Franco | Português
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Você sabe como fazer a redação do Enem? A redação do Enem deve ser feita com base na estrutura de uma dissertação-argumentativa, porém com especificidades do modelo Enem. Nesse sentido, a redação deve ter: um parágrafo de introdução, com apresentação do tema e da tese; no mínimo, dois parágrafos de desenvolvimento, com o argumento e o seu aprofundamento; e a conclusão, que deve ter uma proposta de intervenção composta por cinco elementos (agente, ação, meio/modo, efeito/finalidade e detalhamento de, pelo menos, um desses elementos). Além disso, é obrigatório o uso do repertório sociocultural como contribuição da defesa do ponto de vista.

Leia também: Como é a redação do Enem?

Resumo sobre como fazer a redação do Enem

  • A redação do Enem deve ser feita com base na estrutura dissertativo-argumentativa.
  • Para fazer a redação do Enem, é necessário, primeiro, elaborar a tese.
  • Depois, é necessário elaborar o projeto de texto como uma forma de planejamento da redação.
  • Na introdução, é importante contextualizar o tema e encaminhá-lo para a tese.
  • É interessante que cada parágrafo de desenvolvimento apresente um tópico-frasal.
  • O argumento consiste na explicação do tópico frasal, ou seja, do ponto de vista abordado naquele parágrafo específico.
  • É importante que todo argumento seja aprofundado, ou seja, que haja a fundamentação sobre a defesa do ponto de vista.
  • O tema e a tese precisam ser retomados no final de cada parágrafo de desenvolvimento e na conclusão para que as ideias fiquem bem amarradas.
  • A conclusão deve conter a proposta de intervenção, com os cinco elementos necessários: agente, ação, meio/modo, efeito/finalidade e detalhamento de, pelo menos, um desses elementos.
  • A dissertação precisa ser finalizada com o desfecho para que o participante demonstre domínio sobre o texto.
  • Para que não haja tangência ao tema, é interessante marcar as palavras-chaves da frase temática.
  • O repertório sociocultural é obrigatório na redação do Enem e deve ser relacionado à defesa do ponto de vista.

Como fazer a redação do Enem passo a passo?

→ 1º passo: Escolha a tese

A primeira escolha da sua redação deve ser a tese, uma vez que ela é o centro do texto, já que uma dissertação-argumentativa consiste na defesa de um ponto de vista, que, no caso, seria a tese. Logo, todas as partes do texto são baseadas na escolha dessa. Por isso, essa é a primeira parte do texto a ser elaborada.

→ 2º passo: Elabore o projeto de texto 

O manual de redação do Enem deixa clara a necessidade de um projeto de texto, ou seja, de um planejamento prévio sobre a elaboração da dissertação que permita que todas as suas partes estejam interligadas e contribuam para a defesa de um ponto de vista. No projeto de texto, é importante pensar no que será dito em todas as partes do texto.

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→ 3º passo: Faça a contextualização

A primeira parte que será lida do texto é a contextualização, que é a introdução do tema no texto e o encaminhamento para a tese. Há diversas formas de elaborar uma contextualização: narração, manchete, fato histórico, flash, definição ou o uso do repertório sociocultural. A contextualização deve já abordar o tema com o enquadramento feito pela tese. Depois da contextualização, deve ser inserida a tese.

O 4º, o 5º, o 6º e o 7º passos são relativos a todos os parágrafos de desenvolvimento.

→ 4º passo: Elabore o tópico frasal

O tópico frasal é a frase que evidencia o assunto que será abordado no parágrafo específico. O parágrafo de desenvolvimento deve girar sobre o assunto relacionado ao tópico frasal, que, é claro, deve ser diretamente associado à tese.

→ 5º passo: Explique o tópico frasal

A explicação do tópico frasal consiste no argumento, ou seja, na explicação sobre o ponto de vista adotado por você. Por isso, essa parte é indispensável em uma dissertação argumentativa. Explicar o tópico frasal é dizer por que a sua opinião é válida e deve ser defendida.

→ 6º passo: Aprofunde o argumento

O aprofundamento do argumento pode ocorrer de diversas formas e de modo a fundamentar a questão. Ele pode ocorrer ao explorar-se as causas do problema, ao abordar-se um repertório sociocultural ou ao construir-se um raciocínio lógico dedutivo ou indutivo.

→ 7º passo: Amarre as ideias no argumento

No final de cada parágrafo de desenvolvimento, é importante que o participante assegure uma efetiva relação entre as ideias. Para isso, vale garantir que as relações estabelecidas com a tese e com o tema estejam claras, retomando-as no final do argumento e ligando ao que está sendo discutido no parágrafo. 

→ 8º passo: Retome as ideias na conclusão

É necessário que, no parágrafo de conclusão, os principais pontos do texto sejam retomados de modo que todas as ideias estejam bem amarradas. Assim, deve-se garantir que a relação com a tese e com o tema, em sua totalidade, ficou clara e bem estabelecida. 

→ 9º passo: Faça uma proposta de intervenção

A proposta de intervenção é uma parte do texto pedida pela banca do Enem e, inclusive, faz parte de um de seus critérios. Não elaborá-la acarreta uma perda de 200 pontos da nota final. Nela deve haver os seguintes mecanismos: agente, ação, meio, detalhamento e finalidade.

→ 10º passo: Encerre com o desfecho

É necessário que o participante se preocupe com a finalização do seu texto, pois isso demonstra domínio de escrita sobre o gênero dissertativo-argumentativo. As formas de finalização mais recorrentes são: as elaborações de uma finalidade diretamente relacionada ao tema ou de um texto-circuito.

Veja também: Dicas para se preparar para a redação do Enem

Como começar a redação do Enem?

A primeira parte da redação do Enem que precisa ser elaborada pelo participante é a tese, que trata sobre o posicionamento a ser defendido durante todo o texto. Ela é, portanto, a base da rua redação, já que uma dissertação-argumentativa é um gênero textual em que se desenvolvem argumentos em defesa de um ponto de vista.

Uma vez que a tese foi elaborada, é importante elaborar o seu projeto de texto, que é o planejamento prévio sobre cada parte de sua redação, de modo que ela esteja organizada e tenha as ideias muito bem relacionadas. Além disso, ao saber-se o que será abordado em cada parte, a facilidade de escrita é maior e não há aquela dificuldade no que dizer no meio da redação.

Enfim, para realmente iniciar a escrita da redação na prática, escolha a forma de contextualização. Ela introduz o tema de maneira que seja fácil encaminhar para o entendimento sobre a tese. Assim, deve-se considerar essas questões para escolher a melhor estratégia, a qual pode ser: repertório sociocultural, flash, simulação de manchete, narrativa ou uma definição.

Estrutura da redação do Enem

Esquema explicando a estrutura da redação do Enem.
A redação do Enem é uma dissertação-argumentativa e deve seguir uma estrutura específica. (Créditos: Gabriel Franco | Português)

A redação do Enem tem estrutura dissertativo-argumentativa e, devido a isso, apresenta características obrigatórias do gênero. Além disso, há demandas específicas da prova do Enem, as quais são, inclusive, consideradas em seus critérios de correção.

A estrutura básica da redação do Enem (e inerente a toda dissertação-argumentativa) é organizada em: introdução, elaborada em um parágrafo; desenvolvimento, elaborado em, no mínimo, dois parágrafos; e conclusão, também construída em um parágrafo.

A introdução apresenta a abordagem do tema e o ponto de vista que será defendido no decorrer do texto. Assim, a organização mais eficiente para esse parágrafo é a sua divisão em contextualização e tese. Aquela introduz o tema em uma abordagem que seja coerente com a tese, e esta é o ponto de vista que será defendido em todo o texto. Nela, também se aborda os pontos principais que serão trabalhados nos parágrafos de desenvolvimento.

O desenvolvimento consiste na explicação do ponto de vista e no aprofundamento sobre o tema. Para uma organização eficiente, é interessante que cada parágrafo dessa parte tenha: um tópico frasal, que evidencia o problema que será abordado; o argumento, que consiste na explicação sobre o seu ponto de vista; o aprofundamento, que é a fundamentação do argumento; e o fechamento do argumento, que evidencia a relação entre o problema aprofundado e a tese e o tema.

A banca do Enem demanda que haja um repertório sociocultural no texto, mas não especifica em qual parte. No entanto, é aconselhável que haja, pelo menos, um repertório no desenvolvimento, uma vez que, para a banca, é importante que esse repertório contribua para a defesa do ponto de vista.

Na conclusão, há o principal diferencial entre uma simples dissertação-argumentativa e a do Enem, uma vez que a banca demanda que haja uma proposta de intervenção. A verdade é que não há uma exigência que a proposta esteja na conclusão, mas, uma vez que a introdução é o lugar em que se apresenta o problema e o desenvolvimento, o lugar em que o profunda, a conclusão é então o lugar conveniente para solucioná-lo.

Assim, nesse parágrafo, é importante que se retome as principais ideias do texto e que se elabore uma proposta de intervenção com cinco mecanismos: o agente (quem faz), a ação (o que faz), o meio (como faz), o detalhamento e a finalidade. Ainda, é importante que o texto tenha um desfecho para que seja devidamente encerrado.

Exemplos de redação do Enem nota 1000

Analisar redações do Enem nota 1000 é uma boa estratégia para entender como funciona o modelo dessa banca e como aplicar a estrutura da dissertação com excelência. Dessa forma, vale analisar a forma de construção de exemplos de redações nota mil e entender por que tais textos foram tão efetivos.

Tema 2023: "Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil".

Letícia Vicente da Silva

Como símbolo da discriminação feminina no Brasil, o papel social da mulher, originado e consolidado na colonização portuguesa, é caracterizado pelo trabalho, exclusivamente, doméstico, haja vista que a escravização de indígenas e de africanos restringiu as suas funções ao labor do lar — como cozinheiras, faxineiras e até cuidadoras de crianças e dos senhores de engenho. Nesse contexto, é válido ressaltar que, embora não seja um tópico de constante discussão, o serviço das mulheres, especificamente o de cuidar de outras pessoas, é inviabilizado pela desvalorização e pela invisibilidade recebidas da sociedade, sendo uma marca do desafio enfrentado por essa minoria cotidianamente. Ademais, torna-se viável relacionar essa complicação à perpetuação de valores preconceituosos e à precarização dessa atividade laboral.

Nessa perspectiva, é possível citar que a criação de estereótipos agrava a permanência de raízes estruturais, tradicionalmente, discriminatórias, uma vez que a mulher se torna uma figura funcional padronizada. Sob esse viés, como afirma a escritora contemporânea Chimamanda Adichie, grupos minoritários são marginalizados pelo corpo social devido às características pré-estabelecidas sobre eles, de forma que a imagem feminina seja um exemplo dessa situação ao ser relacionada, constantemente, ao trabalho de cuidado com uma conotação social negativa. Nessa conjuntura, é perceptível inferir que, analogamente à teoria de Chimamanda, a associação das mulheres ao cuidado, comunitário ou doméstico, é histórico, cultural e literário, como retratado na obra de Letícia Wischezavi, “A casa das sete Mulheres” — que conta os 15 anos de Revolução Farroupilha pela visão de 7 mulheres destinadas a cuidar dos feridos —, servindo de exemplo para o reforço de estereótipos femininos nos diversos âmbitos sociais, principalmente, no laboral.

Outrossim, a precarização do trabalho de cuidado realizado pela mulher brasileira é um dos inúmeros desafios que essas profissionais enfrentam diariamente, sendo um modo de invisibilizar a atuação no mercado profissional. Sob essa ótica, segundo o sociólogo Ricardo Antunes, a sociedade atual possui uma tendência de precarizar as atividades laborais, influenciada pela bolha ideológica que a isola no comportamento capitalista de luta desigual frequente. Nesse prisma, pode-se concluir que, em consonância com o pensamento de Antunes, um grande desafio para quem vive desse exercício trabalhista á a desvalorização, já que, além das más remunerações financeiras e sociais, há o agravante da desigualdade de gênero que, historicamente, é uma pauta em discussão para erradicação.

Portanto, é indubitável constatar que medidas são necessárias para corrigir essa problemática. Assim, é imprescindível que o Ministério do Trabalho — órgão governamental responsável pela garantia de direitos — promova, por meio de incentivos fiscais, programas de fiscalização das garantias trabalhistas das mulheres cuidadoras, a fim de diminuir os desafios enfrentados por essas profissionais cotidianamente. Paralelamente, é dever da mídia — máximo canal de informações da atualidade — viabilizar, por intermédio de comerciais televisivos, campanhas de conscientização sobre o papel da mulher na sociedade, com o intuito de eliminar estereótipos associados às funções exercidas por ela. Dessa forma, será possível uma maior visibilidade do trabalho de cuidado e das múltiplas atividades que uma mulher exerce.

Na introdução, é utilizada uma contextualização histórica para abordar as questões dos cuidados domésticos e a sua relação com a questão da mulher.  Assim, a relação com a tese, que ressalta a desvalorização desse tipo de trabalho e o preconceito que se relaciona com o problema, se torna coerente. Assim, já na tese, são mencionados os principais problemas que serão abordados na redação.

No primeiro parágrafo de desenvolvimento, há a abordagem da questão do preconceito e a explicação que esclarece por que ele ocorre. Para o aprofundamento, são utilizados dois repertórios socioculturais que aprofundam a explicação sobre o problema e ilustram como a abordagem da questão ocorre na sociedade. No segundo parágrafo de desenvolvimento, há a explicação sobre o problema da desvalorização do trabalho laboral e a fundamentação baseada na teoria de Ricardo Antunes.

Na conclusão, há a construção de duas propostas de intervenção que apresentam os cinco mecanismos (agente, ação, meio, detalhamento e finalidade). O texto é encerrado com um desfecho que pode ser considerada também uma finalidade da proposta, mas que aborda, de forma geral, o tema, para, então, encerrá-lo.

Tema 2022: "Desafios para a valorização de comunidades e povos tradicionais no Brasil".

Luís Felipe Alves Paiva De Brito

O poeta modernista Oswald de Andrade relata, em “Erro de Português”, que, sob um dia de chuva, o índio foi vestido pelo português — uma denúncia à aculturação sofrida pelos povos indígenas com a chegada dos europeus ao território brasileiro. Paralelamente, no Brasil atual, há a manutenção de práticas prejudiciais não só aos silvícolas, mas também aos demais povos e comunidades tradicionais, como os pescadores. Com efeito, atuam como desafios para a valorização desses grupos a educação deficiente acerca do tema e a ausência do desenvolvimento sustentável.

Diante desse cenário, existe a falta da promoção de um ensino eficiente sobre as populações tradicionais. Sob esse viés, as escolas, ao abordarem tais povos por meio de um ponto de vista histórico eurocêntrico, enraízam no imaginário estudantil a imagem de aborígenes cujas vivências são marcadas pela defasagem tecnológica. A exemplo disso, há o senso comum de que os indígenas são selvagens, alheios aos benefícios do mundo moderno, o que, consequentemente, gera um preconceito, manifestado em indagações como “o índio tem ‘smartphone’ e está lutando pela demarcação de terras?” — ideia essa que deslegitima a luta dos silvícolas. Entretanto, de acordo com a Teoria do Indigenato, defendida pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, o direito dos povos originais à terra é inato, sendo anterior, até, à criação do Estado brasileiro. Dessa forma, por não ensinarem tal visão, os colégios fomentam a desvalorização das comunidades tradicionais, mediante o desenvolvimento de um pensamento discriminatório nos alunos.

Além disso, outro desafio para o reconhecimento desses indivíduos é a carência do progresso sustentável. Nesse contexto, as entidades mercadológicas que atuam nas áreas ocupadas pelas populações tradicionais não necessariamente se preocupam com a sua preservação, comportamento no qual se valoriza o lucro em detrimento da harmonia entre a natureza e as comunidades em questão. À luz disso, há o exemplo do que ocorre aos pescadores, cujos rios são contaminados devido ao garimpo ilegal, extremamente comum na Região Amazônica. Por conseguinte, o povo que sobrevive a partir dessa atividade é prejudicado pelo que a Biologia chama de magnificação trófica, quando metais pesados acumulam-se nos animais de uma cadeia alimentar — provocando a morte de peixes e a infecção de humanos por mercúrio. Assim, as indústrias que usam os recursos naturais de forma irresponsável não promovem o desenvolvimento sustentável e agem de maneira nociva às sociedades tradicionais.

Portanto, é essencial que o governo mitigue os desafios supracitados. Para isso, o Ministério da Educação — órgão responsável pelo estabelecimento da grade curricular das escolas — deve educar os alunos a respeito dos empecilhos à preservação dos indígenas, por meio da inserção da matéria “Estudos Indigenistas” no ensino básico, a fim de explicar o contexto dos silvícolas e desconstruir o preconceito. Ademais, o Ministério do Desenvolvimento — pasta instituidora da Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais — precisa fiscalizar as atividades econômicas danosas às sociedades vulneráveis, visando à valorização de tais pessoas, mediante canais de denúncias.

Na introdução, o tema é apresentado por meio da abordagem do poema “Erro de Português”, de Oswald de Andrade, que evidencia o processo de colonização de povos tradicionais como um problema, de modo que encaminha o posicionamento da tese, a qual relaciona os problemas do tema aos dias atuais. Assim, o participante já mostra os pontos que serão abordados em cada parágrafo.

No primeiro parágrafo de desenvolvimento, há uma explicação sobre o problema, e sua fundamentação acontece por meio da abordagem da Teoria do Indigenato, que esclarece a importância de se falar sobre a questão. No final do parágrafo, o texto evidencia a relação com o tema de modo que todas as ideias fiquem coerentes. No segundo parágrafo de desenvolvimento, o problema do desenvolvimento sustentável é explicado por meio de causas que o aprofundam. Além disso, é utilizado o repertório da área de Biologia que ajuda a estabelecer as relações de causa e consequência. Há novamente a retomada do tema no final desse parágrafo.

Na conclusão, há duas propostas de intervenção que estão diretamente associadas aos problemas explorados em cada parágrafo de desenvolvimento e inicialmente vistos na tese. Além disso, ambas apresentam os cinco mecanismos que são exigidos pela banca.

Acesse também: Redação nota 1000 do Enem — confira dicas e mais exemplos

Dicas para a redação do Enem

  • Dica 1: Marque as palavras-chave do tema

Os temas do Enem tendem a ser compostos por diversos pontos que são agrupados por apenas uma frase. Se os assuntos principais da frase não são abordados, pode haver tangência do tema. Para isso não ocorrer, é interessante sublinhar ou circular as palavras-chave que definem o tema, a fim de assegurar que ele será abordado na sua completude. Por exemplo, a frase temática da proposta do Enem de 2024 foi: “Desafios para a valorização da herança africana no Brasil”; logo, expressões que podem ser destacadas e que não podem faltar na abordagem do tema são “desafios”, “valorização”, “herança africana” e “Brasil”.

  • Dica 2: Deixe seu projeto de texto bem claro

A presença de um projeto de texto é avaliada na correção da redação, e, apesar de ser um planejamento prévio que é construído no esboço, a sua redação final deve evidenciar que há uma organização sobre a relação entre as ideias. Para isso, vale colocar os pontos principais que serão abordados em cada parágrafo de desenvolvimento na tese, a fim de evidenciar que, em seu texto, houve um mínimo de planejamento.

  • Dica 3: Leia os textos motivadores

Os textos motivadores não devem ser copiados, mas eles são importantes não apenas para a inspiração acerca do tema como também como uma forma de direcionamento acerca do entendimento sobre ele, uma vez que, às vezes, a frase temática pode ser ambígua ou não deixar claros os problemas que estão relacionados ao assunto, sendo esclarecida dentro dos textos motivadores.

  • Dica 4: Não selecione os seus repertórios primeiro

É comum que os participantes tenham o hábito de pensar primeiro sobre os repertórios a serem utilizados ao olharem o tema da redação. No entanto, é necessário não apenas que esse repertório esteja adequado ao tema, mas também que ele seja produtivo para a defesa do ponto de vista. Desse modo, é válido selecionar o repertório com base na tese e nos argumentos apresentados, e não apenas no tema.

  • Dica 5: Selecione com cuidado as informações de seu texto

Para que a coerência do texto seja efetiva, é necessário que haja uma seleção prévia das informações e das ideias que serão trazidas no texto, uma vez que todas devem ser produtivas para a defesa do ponto de vista. Às vezes, mesmo que uma informação seja interessante, ela não precisa ser inserida se não corroborar o desenvolvimento dos argumentos.

  • Dica 6: Faça um texto-circuito

Existem algumas formas de se finalizar o texto, e uma das mais efetivas é o texto-circuito, que consiste na retomada de uma informação já mencionada no texto para finalizá-lo, o que se mostra um recurso criativo e que reforça a coerência do texto. É interessante que se utilize o repertório sociocultural abordado na introdução ou no desenvolvimento nessa forma de desfecho.

  • Dica 7: Faça dois parágrafos de desenvolvimento

Não há, oficialmente, um número mínimo e máximo de parágrafos de desenvolvimento, porém o mais recomendável é a construção de dois parágrafos de desenvolvimento, uma vez que, com um, não há diversidade de ideias e, com três, não há espaço para que os argumentos sejam devidamente desenvolvidos e aprofundados.

  • Dica 8: Retome sempre as suas ideias

É importante que, em cada parágrafo de desenvolvimento, haja uma pequena retomada do tema, de maneira que as ideias fiquem bem amarradas mesmo após o aprofundamento da discussão, para que a coerência seja bem estabelecida. O mesmo deve ocorrer na conclusão, mas, nesse caso, a retomada deve acontecer com os pontos principais abordados no texto, para que haja o encerramento efetivo da redação.

  • Dica 9: Seus repertórios precisam se relacionar com a tese

Da mesma forma, todo repertório sociocultural utilizado deve estar relacionado não apenas com o tema, mas principalmente com a tese, pois só assim a informação realmente será produtiva dentro do texto. Às vezes, inclusive, o repertório não está diretamente associado ao tema, mas, se contribui para a defesa da tese, então, consequentemente, está adequado àquele. Por isso, selecione os seus repertórios com base nos pontos que você vai defender, de maneira que a informação não pareça desnecessária em seu texto.

  • Dica 10: Explique ao máximo a relação entre as ideias

Outra preocupação que o autor da dissertação-argumentativa deve ter é com a relação entre as ideias estabelecidas, pois isso é o que define a qualidade da coerência do texto, a qual é um critério que, direta ou indiretamente, é sempre avaliado em qualquer avaliação de concurso. Tal necessidade é valorizada uma vez que as relações existentes entre as partes do texto devem ser claras e orgânicas, ou seja, não devem parecer forçadas. Por isso, explicar como a conexão entre as ideias ocorre é importante para um texto efetivamente coerente.

Fontes

BRASIL, Cartilha do Participante – ENEM 2024. Ministério da Educação, Brasília, 2022.

BRASIL, Manual de correção da redação– Situações que levam à nota zero. Ministério da Educação, Brasília, 2022.

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